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Eletroeletrônica, um desafio para o setor automotivo

“Inovação na eletroeletrônica – o desafio da competitividade automotiva brasileira” foi o tema apresentado no XIV Seminário de Eletroeletrônica, organizado e promovido pela AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, na última quinta-feira, dia 29 de março, no Teatro UNIP, em São Paulo, com a participação de 125 profissionais e executivos da cadeia automotiva brasileira, que debateram sobre as tendências do setor e mostraram que a inovação é a palavra chave para o sucesso no mercado mundial.

A abertura do evento contou com a presença do presidente da entidade, Antonio Megale, que ressaltou a importância da indústria brasileira em investir forte em pesquisa e tecnologia para não perder a competitividade, aqui no mercado interno e na exportação. “O Brasil é o 4º mercado interno do mundo e a velocidade com que os importados, principalmente os chineses, estão chegando com novas tecnologias é surpreendente. Não podemos ficar parados e perder espaço que conquistamos, por falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento”.

O seminário teve início com o painel “Inovação na Eletroeletrônica – Sensibilização e Conceito,” que contou com a palestra de “Sensibilização”, ministrada por Henrique de Oliveira Miguel, coordenador geral de Microeletrônica da Secretaria de Política de Informática, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Na avaliação do técnico, “a economia brasileira é altamente diversificada e o mercado interno é muito importante para governo. No entanto, está sendo ameaçado por diversos fatores externos. É condição primordial pensarmos em ter mais investimentos em pesquisa, precisamos pensar de forma global porque é fator chave para o sucesso do setor eletroeletrônico brasileiro. As empresas multinacionais (compradoras de semicondutores, displays e outros componentes eletroeletrônicos) estão produzindo no Brasil há décadas, mas importam a maioria dos componentes queutilizam”.

Na parte final de sua apresentação, o coordenador geral de Microeletrônica enumerou projetos de incentivos e benefícios para empresas que realizam atividades para o Plano Brasil Maior, além de financiamentos, participação acionária e recursos não reembolsáveis. E fez um alerta: “bonde já passou…. agora está aí um jato para pegarmos”.

Outro assunto abordado neste painel foram os “Conceitos”, com o palestrante Bruno Moreira, diretor executivo da Inventta. Moreira mostrou a importância da palavra inovação no setor e que a velocidade de informações e tecnologias trazem a possibilidade de todos desenvolver um produto revolucionário, porque a indústria mundial está correndo, mas aqueles que se destacam são os que conseguem correr duas vezes mais que os outros. “Através da conscientização da alta gerência e o investimento em pesquisa, conseguiremos elaborar uma visão do que a indústria almeja. E o projeto precisa de lideranças naturais para conduzir e estabelecer os desafios a serem alcançados. Com isso, as empresas conseguirão alocar recursos financeiros e mostrar a criatividade da indústria brasileira”.

Finalizando o painel, o palestrante Rogério Vollet, da General Motors, mostrou os últimos lançamentos e estudos da marca em relação ao “Carro do Futuro”. “As reservas naturais existentes de petróleo não vão conseguir atender à demanda do mercado. Por isso, a pesquisa em novas tecnologias é essencial para a utilização de novas fontes de energias. A hibridização é uma forma de construirmos o futuro, sem grandes impactos”, acredita Vollet. A indústria busca solucionar, além do problema de energia, o anseio do consumidor em ter um automóvel que ofereça uma sensação de continuidade de conforto, segurança e conectividade integrada que ele possui em sua casa, mas oferecida de forma simples e fácil . A busca da integração entre os veículos é essencial para o futuro porque vai facilitar assim os serviços de prevenção de acidentes e congestionamentos.

Conectividade – Na abertura do segundo painel – “Inovação na Eletroeletrônica – Tecnologias da Conectividade EMC/HW/SW”, a primeira palestra foi de Jonathan Hunt, sênior manager da Mira, sobre o desenvolvimento de sistemas inteligentes em veículos para aumentar a segurança e a eficiência energética. Palestrante internacional, que passou a experiência de validação destes conteúdos em veículos já no mercado externo focando sua interação com a infraestrutura de ITS – Intelligent Transport Systems.

Na sequência, a palestra “Connected Car and MirrorLink”, ministrada por Alexandre Didoné, da Nokia Location & Commerce, que sentenciou: “as tecnologias precisam seguir a velocidade e a conectividade do mundo. Por isso, os carros estão cada dia mais inteligentes. O objetivo é trazer um novo ecossistema para dentro do carro com as integrações de redessociais e ferramentas da internet. Isso se dará através de um consórcio de marcas que representam cerca de 60 % do mercado mundial, com – por exemplo – ferramentas que habilitam alguns programas de seu smartphone e tablet para ser utilizado no carro facilitando assim a vida do usuário durante seu período no automóvel”.

Na palestra “Infotainment e Telemática, o desafio da solução de baixo custo”, Fernando Ataíde, da Fiat Automóveis, foi mostrado que por meio de uma plataforma móvel, o usuário pode obter o serviço de conectividade com baixo custo, usufruindo ferramentas que já são oferecidas em veículos importados. O programa EcoDriver, da Fiat, oferece ao usuário dados de rotas, música e armazenamento de dados durante seu trajeto e uma avaliação das informações de como está dirigindo, consumo, desgaste e etc.

Com foco nos pesados, o palestrante Mário Alessio Razera, supervisor da Ford, mostrou como é importante a conectividade para controlar a frota com o máximo de lucro e omínimo de perda. Por telemetria, dados em tempo real mostram a localização, a organização, a entrega, a manutenção, a retirada e o rastreamento de todalogística da frota. O serviço possibilita a troca de informações entre a central e o motorista.

O ciclo de palestras do segundo painel foi encerrado com o tema “Sistema flex para motocicletas e freios ABS”, de autoria de Alfredo Guedes Jr., relações institucionais da Honda South America e consultor técnico da Abraciclo – Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares, que mostrou a inteligência do sistema brasileiro de motores flex compactados para motos e comprovando sua economia de consumo e o baixo teor de poluentes. Guedes Jr. Reforçou também a importância do ABS para a segurança do motociclista. Através de testes, ele mostrou a estabilidade e a prevenção de acidentes e alertou sobre a falta de preparo das autoescolas em passar as informações essenciais de pilotagem.

No últimobloco do XIV Seminário de Eletroeletrônica foram apresentadas três mesas redondas, a primeira delas com o tema “Formação e mercado para competitividade”, na qual representantes de algumas instituições acadêmicas renomadas falaram de cursos do setor e abertura de novos leques nas áreas. Enfatizaram a importância de o Brasil formar mais engenheiros automotivos, diante da incrível capacidade chinesa de formar cerca de 650 mil engenheiros por ano contra os 40 mil formandos brasileiros. Além disso, destacaram a importância da parceria entre universidade e indústria, no processo de consolidação da economia brasileira nas próximas décadas.

Em seguida teve início a mesa redonda “Engenharias OEM”, que discutiu a baixa eficiência de incentivos fiscais para empresas que fazem pesquisas e produzem novas tecnologias. E, por fim, a mesa redonda “Hardware e Fabricantes de Semicondutores”, que expôs a contribuição que as empresas Infineon, Texas Instruments, Freescale e ST Microelectronics podem oferecer e atender ás demandas das montadoras locais.

“Tanto governantes quanto fabricantes de Semicondutores Automotivos, com representação direta e presentes no Brasil, reconhecem a necessidade de inovação e desenvolvimento local na fabricação de CI’s. No entanto, deparam com dificuldades do cenário de competitividade global, com forte participação e domínio Asiático na produção destes componentes no momento e em grande escala. O governo está pronto a apoiar as reais iniciativas destas empresas, reconhece a necessidade de diálogo, mas cobra também ações mais concretas para que este apoio seja mais incisivo e se concretize”, finalizou Henrique de Oliveira Miguel, coordenador geral de Microeletrônica da Secretaria de Política de Informática, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.


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