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Carro brasileiro tem de ter conteúdo local ressalta presidente da Sindipeças Paulo Butori

Carros brasileiros feitos com peças brasileiras. Paulo Butori, presidente do Sindipeças, resumiu dessa forma o desejo da indústria brasileira de autopeças diante da perspectiva da adoção das medidas anunciadas pelo governo brasileiro em favor da indústria automobilística. Os pontos estão contidos na Medida Provisória 563 e no decreto 776, mas ainda não foram publicados em detalhes. “É preciso estar atento à redação das medidas, nos detalhes e na interpretação que será dada”, alerta Butori.

O presidente do Sindipeças acredita que deverá aumentar o índice de conteúdo regional nos veículos produzidos entre os países do Mercosul. “O governo está preocupado com a indústria”, diz. Mas ele alerta para a necessidade de uniformização das medidas brasileiras nos demais parceiros – Argentina, Paraguai e Uruguai. Isso significa que os percentuais estabelecidos no novo regime automotivo brasileiro deveriam ser implantados em todos os países. Na avaliação do presidente do Sindipeças, a regionalidade fomentaria a geração de emprego e de renda, gerando um círculo virtuoso. O novo regime poderá ajustar a produção de autopeças em favor dos fabricantes regionais.

Butori lembra que existe um mecanismo de comércio internacional adotado na região do Mercosul que tem favorecido a importação de veículos prontos, tirando dessa forma a oportunidade do parque industrial de autopeças instalado de realizar negócios. Em resumo, o drawback intramercosul permite que se importem veículos de um país-membro da aliança comercial, exportando imediatamente para os vizinhos como se fosse produto do Mercosul. Esse volume entre Brasil e Argentina chega, ao ano, a 820 mil veículos – metade de cada lado da fronteira. Para o Sindipeças, a adoção das regras do novo regime brasileiro em todos os países beneficiaria as economias locais, por intermédio da expansão das vendas de componentes.

Mesmo sem a publicação final do novo regime automotivo, o presidente do Sindipeças comemorou o pacote de desoneração da folha de pagamento das empresas do setor. O impacto dos salários e seus encargos é de 26,4% dos custos do setor. A desoneração é, segundo Butori, uma luta antiga do Sindipeças intensificada logo após o sinal positivo emitido pelo governo, em setembro de 2011, informando que o assunto estava em discussão. Butori diz que essa desoneração deve ser aproveitada para a realização de investimentos no parque industrial, melhorando a capacidade e o capital de giro, ampliando as condições de competitividade. “Precisamos estar prontos para atender ao mercado de 5 milhões de unidades estimado para 2017”, afirma.

SETOR OCIOSO

Paulo Butori aproveitou para deixar claro à indústria fabricante de veículos que o setor produtor de autopeças está preparado para acompanhar o ritmo de crescimento traçado. O presidente do Sindipeças informa que há ociosidade na indústria de componentes, o que torna mais fácil acompanhar a expansão traçada nas previsões das montadoras. “Até 2017, o índice de compras de peças feitas no Brasil poderá chegar a 45%, mais que o dobro do atual”, estima.

O plano de incentivo ao setor de autopeças, que estaria sendo preparado pelo governo federal, anima ainda mais o Sindipeças. Mesmo sem conhecer detalhes, Butori acredita que virão benefícios importantes para o setor. Ele aponta a presença de cinco representantes no Conselho de Competitividade da Indústria Automobilística como um passo importante para o setor porque os fabricantes de autopeças estarão no centro das discussões sobre as medidas para toda a indústria automotiva.

Para Butori, o apoio do governo federal deve ir muito além da criação de linhas de crédito pelo BNDES. Mesmo com avanços, existem alguns setores, segundo o presidente do Sindipeças, que precisam de incentivos. Resolver problemas logísticos, reformar a legislação tributária e melhorar ainda mais a formação básica da mão de obra brasileira são três pontos que ele indica como prioritários. “Tem mais uns dez além desses”, diz. O financiamento do BNDES é bem-vindo, mas, de acordo com ele, ainda é inacessível para uma boa parte da indústria do setor. “É preciso rever as barreiras existentes para acesso ao financiamento público”, afirma.

De sua parte, o Sindipeças tem buscado ser a porta de entrada para a nacionalização da produção dos novos fabricantes de veículos. A Chery já realizou uma feira dentro da entidade para mostrar o que pretende comprar do Brasil e a DAF segue em conversações e estudos com os associados da entidade. Mesmo ciente de que a mão de obra brasileira é, em muitos casos, mais cara 65% com relação a outros países, Butori vê o aumento da nacionalização de autopeças como um processo positivo. “A tendência é aumentar a produção de peças brasileiras”, afirma.


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