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Kuga: o EcoSport que queríamos ter? Ford Europa diz que modelo é o primeiro SUV compacto global

No início desta semana, a Ford apresentou no Brasil e na China o novo EcoSport como seu primeiro SUV compacto global (leia aqui). Nesta quarta-feira, 25, a Ford Europa fez o mesmo, mas em comunicado à imprensa disse ser o Kuga o seu primeiro SUV compacto desenvolvido para mercados globais. Parece que o marketing da Ford está, definitivamente, globalizado, pois para descrever Kuga e EcoSport usam-se as mesmas frases. Mas o mundo continua bastante desigual – e os carros também.

“O time de design da Ford empregou tendências de escala global para assegurar que o novo Kuga preencha as necessidades dos consumidores, onde quer que eles estejam no mundo”, diz o comunicado da Ford Europa. Já o texto distribuído no último domingo, 22, pela Ford Brasil sobre o novo EcoSport diz o seguinte: “O time utilizou a força e experiência da engenharia da Ford em utilitários esportivos, presente na Ásia, Europa e Américas, para atender as necessidades de todos os mercados ao redor do mundo. É o primeiro carro global de passageiros One Ford criado na América do Sul (no centro de desenvolvimento da empresa em Camaçari, na Bahia).” O marketing é o mesmo, mas são produtos bem diferentes.

A Ford Europa informa que seus “especialistas identificaram os variados e muitas vezes conflitantes gostos ao redor do mundo para criar um apelo intercontinental para o primeiro utilitário esportivo compacto global da companhia”. Idêntico discurso é utilizado para qualquer um dos dois produtos, contudo o fato é que o Kuga é um modelo global para países onde conforto e tecnologia já são praxe em todos os carros, enquanto o EcoSport é destinado a consumidores que ainda não estão tão acostumados com isso – e compram evoluções simples como sendo grande coisa. Por isso o EcoSport é destinado a países emergentes e tem poucas chances em mercados maduros onde o Kuga será vendido (Europa, América do Norte e países asiáticos).

MARKETING GLOBAL, DEFICIÊNCIA LOCAL

No Brasil, com as distorções nos preços dos carros causados por impostos e lucros elevados demais, que freiam avanços, ficaremos só com o EcoSport – o Kuga seria muito mais caro. Já em mercados onde essa distorção não existe e ambos os modelos forem vendidos, como por exemplo na China, o Kuga deve levar vantagem por ser melhor sem custar muito mais. Os dois SUVs compactos foram expostos, um ao lado do outro, no Salão de Pequim esta semana e, pelo que dizem, o Kuga atraiu mais atenções do que o EcoSport.

O marketing global por vezes esconde deficiências locais. Para criar um SUV mais barato e lucrativo de se fazer no Brasil, a Ford projetou o EcoSport sobre uma plataforma B, de um hatch compacto, pequena para receber a carroceria de um utilitário esportivo. Provavelmente esse é o real motivo de o estepe, no novo carro, continuar pendurado do lado de fora da traseira, para não ocupar espaço do reduzido porta-malas. Essa solução desafia uma tendência mundial em que a maioria dos SUVs já não carrega mais o estepe do lado de fora.

Mas aqui a Ford explica essa deficiência como “seguir o que os consumidores de todo o mundo queriam”. Interessante notar que no Kuga, montado sobre uma plataforma C, mais ampla, esse pretenso “desejo mundial” não foi identificado e o estepe foi para dentro do porta-malas, o lugar onde deve ficar para não deformar o design atual da marca.

Além do espaço mais amplo do que o do EcoSport, o Kuga também carrega mais tecnologia, a começar pelo motor Ecoboost, mais potente e eficiente. No EcoSport uma evolução apresentada é a fechadura elétrica da tampa do porta-malas, acionada em uma fresta escondida da lanterna traseira direita. Já o Kuga tem um sistema de abertura automática dessa tampa, acionada pelo movimento do pé embaixo do para-choque traseiro. São essas diferenças que mostram as diferenças entre desenvolvimento e subdesenvolvimento.

Fonte: Automotive Business


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