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Motor turbo flex deve se popularizar no Brasil em três anos. Especialistas afirmam que potencial brasileiro para produção de etanol estimulará o uso desta tecnologia no país

Aliar baixo consumo com um ótimo desempenho. Esse é o desafio dos engenheiros que trabalham no desenvolvimento da tecnologia turbo para carros movidos a etanol. Motores menores, com injeção direta e que conseguem essa proeza – mas com gasolina – já são uma tendência mundial. No Brasil, esta mesma tecnologia, só que em motores movidos também a biocombustível ainda é rara. O cenário, porém, está prestes a mudar. A previsão é de que os motores turbos flex se popularizem por aqui em três anos, estimam especialistas.

Atualmente, esse tipo de motor é encontrado em modelos como o BMW 320i, que tem poucas unidades à venda no país. A ideia das montadoras, contudo, é que essa tecnologia se popularize devido ao potencial brasileiro para a produção de etanol.

Mas o que esse motor tem de tão especial? O engenheiro mecânico e professor da USP, Francisco Nigro, explica: “São motores pequenos, o que, consequentemente, diminui o consumo, mas, que, ao pisar no acelerador, alcançam uma potência que não é comum no que temos hoje no mercado”. Para Nigro, esta tecnologia tem um futuro promissor no Brasil, porque o “etanol é excelente para motores com alta taxa de compressão e turbo”.

Ronaldo Salvagni, da Escola Politécnica da USP, acredita que o país precisa urgente renovar a tecnologia dos seus motores. “O que temos hoje é uma gambiarra. Um motor adaptado”, diz. Segundo ele, o desenvolvimento desta tecnologia vai refletir diretamente na produção do etanol e, inclusive, na sua exportação.

Empresas estão trabalhando em conjunto com montadoras no desenvolvimento desta tecnologia. No ano passado, a fabricante sistemista Honeywell anunciou a conclusão do projeto para compatibilidade de turbocompressores com propulsores que funcionam com etanol ou gasolina de forma isolada ou misturados em qualquer proporção.

No dia 18 de março, o motor turbo flex e outras novidades da indústria automobilística para o uso de biocombustíveis serão apresentadas e discutidas durante o Seminário Internacional de Biocombustíveis, em São Paulo. Francisco Nigro e Ronaldo Salvagni participam do debate, junto com o gerente da área de tecnologia da Toyota, Edson Orikassa e o presidente da Bosch na América Latina, Besaliel Botelho.

O EVENTO

Promovido pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e WPC (Conselho Mundial de Petróleo), o Seminário Internacional de Biocombustíveis vai reunir especialistas estrangeiros e brasileiros para debater os rumos do setor no Brasil e no mundo. O evento contará com representantes de organismos de peso, como a IEA (Agência Internacional de Energia), o Departamento de Agricultura dos EUA e Agência Ambiental Norte-Americana (EPA, na sigla em inglês).

O fato de o IBP e o WPC terem decidido promover o evento no Brasil é um indicativo da importância do etanol na agenda econômica e dos desafios energéticos que o país tem pela frente. “O Brasil é um dos pioneiros em tecnologia para biocombustíveis e é natural realizarmos aqui uma discussão de alto nível, qualificada, com os melhores especialistas nesse tema no país e no exterior”, diz João Carlos de Luca, presidente do IBP.

“Somos referência mundial no setor energético como um todo e o Seminário Internacional de Biocombustíveis é uma consequência da importância do país nesse cenário”, afirma Renato Bertani, presidente do WPC.

O evento contará ainda com a palestra do chefe da Divisão de Indústria de Petróleo e Mercados da Agência Internacional de Energia (IEA), Antoine Halff, que fará um panorama do setor para os próximos anos. A IEA edita o relatório World Energy Outlook 2013, considerado pelos profissionais e especialistas da área como uma das principais referências do mercado.

Na mais recente edição do documento, quatro capítulos foram dedicados ao Brasil. Eles destacam que, até 2035, nosso país deve se manter como “dono” de um dos setores de energia com a menor emissão de carbono no mundo, mesmo com um possível aumento de 80% no uso de energia.


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