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‘Roteirizadores no planejamento logístico urbano – Dificuldades de implementação’, por Eduardo Meirelles

Tal como um processo industrial, a atividade logística possui as fases de planejamento, programação e controle. No caso da logística uma ferramenta muito importante na busca de otimização dos processos é o roteirizador. A atividade de roteirização, para que seja eficiente, inclui a distribuição das cargas pelos caminhões/veículos obedecendo, não somente as suas capacidades, como também os limites de jornada de trabalho. Como o roteiro planejado influencia nos tempos, o cálculo das rotas deve fazer parte da atividade de distribuição das cargas para que o sistema seja otimizado.

Uma vez feito o planejamento existe a fase de programação que é a adequação as condições reais de execução e, finalmente, a parte de controle. Nos processos industriais, o controle é relativamente simples, dado que as atividades são executadas dentro da unidade fabril. No caso da logística o problema é muito maior, visto que a operação é feita fora dos limites da empresa sem a supervisão direta, necessitando de comunicação remota de dados.

As primeiras ferramentas de controle usavam equipamentos de comunicação satelital. O custo elevado restringiu o seu uso a produtos de maior valor agregado e rotas longas. Com o advento de equipamentos com comunicação via GSM/GPRS (transmissão usando tecnologia de telefonia celular) e o custo muito mais baixo, esperava-se que a atividade de planejamento logístico tivesse maior utilização. Porém, isto não ocorreu.

Pouquíssimas empresas de entrega urbana utilizam ferramentas de planejamento e controle na sua operação visando ganho de produtividade. Mesmo com a sinalização de ganho de produtividade da ordem de 20% a 30%, o uso de ferramentas de planejamento e roteirização não se firmou no mercado.

Quais serão, então, os obstáculos para a sua utilização em rotas urbanas ?

1 – Tempo “perdido” em paradas

No caso de produtos de alto valor agregado e rotas longas, a inclusão de funções de controles operacionais de entrega mediante o uso de teclados era uma aplicação desejável. Por serem menos “nervosas” que as entregas urbanas, a utilização de teclados não influencia muito nos tempos totais da operação.

Por sua vez, as rotas urbanas possuem muitas paradas e o período gasto em paradas acaba constituindo parcela significativa no tempo total da operação. A inclusão de atividades de digitação em cada parada para efeito de controle acaba prejudicando a produtividade e criando forte resistência ao seu uso.

2 – Roteirização feita pelo endereço do estabelecimento

Nas entregas urbanas existem varias limitações com relação a paradas dos veículos de carga. Estas restrições, normalmente, não são informadas ao sistema de roteirização. Com isto as rotas planejadas são impossíveis de serem realizadas. Basta termos um ponto de roteirização impossível de ser feito para agravar-se o problema de resistência ao seu uso.

Para contornar estes obstáculos apresentamos algumas sugestões que já estão sendo usadas em alguns clientes com bons resultados:

Redefinir os objetivos principais do controle, não priorizando os detalhes da entrega, mas sim a execução do planejamento; Sequência de visitas, tempos de paradas, Km rodado e etc;
Eliminar a necessidade de uso de teclado pelo motorista para a identificação da visita ao ponto programado, utilizando, apenas, os dados de geo-posição do veículo;
Utilizar como referência de roteirização e controle, o ponto onde o veículo possa efetivamente estacionar para a entrega e não o endereço do estabelecimento;
Utilizar equipamentos de rastreamento (com GPS) para identificar a realização do trajeto e a visitação por critério distancia ao ponto programado;
Utilizar os dados obtidos para alimentar o sistema de planejamento em termos de tempos em paradas, velocidades médias e etc;
Trabalhar com indicadores de performance da operação logística tais como o tempo perdido na liberação do veículo, tempo em paradas, quilometragem total, obediência a sequência de entrega, tempo em paradas não previstas, tempo gasto com veículo em Movimento
Tudo isto pode ser feito com um rastreador simples. Os resultados que estamos verificando, em alguns clientes, são muito bons, permitindo ações tanto no controle como na melhoria do planejamento e processos. Tivemos resultados diretos em termos de redução de quilômetro rodado e tempos totais de jornada da ordem de 15%, pelo simples fato de implantar o controle.

Mesmo não sendo adepto das frases feitas podemos, com segurança, afirmar que no caso de logística urbana de entrega “O ótimo é inimigo do bom”.

Eduardo Meirelles – Pós-graduado em engenharia de segurança pela UFRJ, Eduardo já participou da elaboração de normas técnicas relativas à proteção do meio ambiente pela ABNT, foi sócio diretor de uma empresa da área de logística. E atualmente ocupa a Gerencia de Pesquisas & Desenvolvimento da 3T Systems.


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