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Etanol vale a pena se custar até 80% da gasolina

O motorista de veículo flex deve abastecer com etanol se o preço deste custar até 80% do verificado na gasolina. A conclusão de estudo da KPMG feito a pedido da Ecofrotas – líder do mercado brasileiro de gestão de frotas – revela uma mudança no paradigma no cálculo para a escolha do combustível na hora do abastecimento dos veículos flex. Até agora, considerava-se a proporção de 70%, definida com base apenas na diferença do poder calorífico dos combustíveis. “O estudo demonstra que o cálculo também deve levar em conta a octanagem e a relação estequiométrica no motor. Além disso, o motorista deve estar consciente de que o etanol é neutro em termos de emissões de Gases de Efeito Estufa, o que por si só já deveria justificar a preferência pelo biocombustível”, afirma o gerente de Inovação da Ecofrotas, Rodrigo Somogyi. “Como líderes no segmento de gestão de frotas e cientes da nossa influência no mercado, nosso compromisso com o estudo foi verificar se a proporção adotada atualmente para o abastecimento é a mais próxima da realidade da frota brasileira”, completa Somogyi.

A pesquisa foi feita com base nas estatísticas de abastecimento de aproximadamente 410 mil veículos do banco de dados da Ecofrotas (cerca de 1 mil diferentes tipos de veículos, variando de modelo e ano de fabricação), no período de agosto de 2009 a março de 2012. O controle dessas informações é feito por meio do sistema de gestão de frotas da empresa, no qual cada veículo administrado dispõe de um cartão magnético que deve ser usado para o abastecimento na rede de postos credenciados (15 mil em todo o país). As informações dos abastecimentos são usadas nos relatórios gerenciais específicos de cada empresa cliente e compõem o banco de dados da Ecofrotas.

A análise incluindo todos os veículos considerados mostrou que o paradigma real de custo-benefício entre o etanol e a gasolina é de 78,6%. Considerando as amostras com base no ano de fabricação, a pior relação foi verificada nos automóveis de 2004 (77,21%), enquanto a melhor foi identificada nos veículos fabricados em 2010 (80,6%).

A relação de 70% entre os preços considerada até hoje se deve basicamente à diferença do poder calorífico entre os combustíveis, ou seja, seu rendimento energético. O rendimento energético do etanol (20 megajoules por litro) é cerca de 30% inferior ao da gasolina, com 25% de etanol (27,6 mj/l). Essa diferença se deve principalmente ao fato de o etanol conter oxigênio em sua composição. O oxigênio responde por 35% do peso molecular do etanol, mas não produz energia durante a combustão.

Mas o rendimento dos combustíveis também é impactado pela octanagem e a proporção estequiométrica.

– Octanagem (ou poder antidetonante): refere-se basicamente à capacidade de um combustível resistir a altas temperaturas sem entrar em combustão espontânea. É medida pelo número de octanos e, quanto maior esse número, o combustível pode ser submetido a maiores compressões, o que amplia o rendimento térmico do motor. A maior octanagem do etanol compensa, em parte, seu menor poder calorífico.

– Relação estequiométrica: a proporção ar/combustível é extremamente importante para o funcionamento adequado dos motores do tipo ciclo Otto. O etanol tem uma relação ar/combustível de aproximadamente 9:1, enquanto a gasolina tem uma proporção superior (13:1). Dessa maneira, em um mesmo volume de ar, a injeção de etanol no motor deve ser aproximadamente 35%. O resultado é que, apesar do menor rendimento energético em relação à gasolina, com o etanol o motor ganha aproximadamente 5% a mais de torque e potência.


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