‘Segurança automotiva deve ser commodity’ – por Fábio Nista

A preocupação com a segurança veicular tem ganhado crescente apelo entre os consumidores brasileiros. As discussões levantadas pelos setores automobilístico, de autopeças e de seguros, principalmente, trazem à tona as tendências tecnológicas e as mais avançadas soluções disponíveis no mercado, bem como as vantagens que agregam. Soma-se a isso, um motorista mais bem informado, exigente e disposto a investir em ferramentas que tragam mais tranquilidade em seus trajetos diários.

A inquietação não é à toa. Por sua vez, os criminosos também estão mais sofisticados em suas abordagens e estratégias. Basta nos lembrarmos do recente caso em que ladrões nos Estados Unidos conseguiram enganar os sistemas eletrônicos de automóveis de luxo, destrancando-os com um dispositivo criado a partir de um aparelho vendido por US$ 5 na internet.

No Brasil, a situação também merece atenção. Segundo a CNseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização), no primeiro semestre de 2014 foram roubados 266 mil veículos no País, volume 39% superior ao mesmo período do ano passado. Muito embora os índices tenham diminuído nos três últimos meses, a preocupação com a segurança não deve ser deixada de lado.

Atualmente, há uma série de itens automotivos que podem evitar ou minimizar os riscos da violência. Basicamente, e já mais propagados, temos os vidros e travas elétricos, alarmes e películas antivandalismo.

Os dois primeiros nasceram mais como artigos de conforto. Com o tempo, o viés de proteção dos itens se sobressaiu, provando que são aliados indispensáveis à segurança veicular. Esses equipamentos, quando associados a um alarme ou sistema de keyless entry, evitam os chamados roubos de oportunidade, no caso de as portas ou os vidros serem esquecidos abertos. Os módulos mais sofisticados, por exemplo, permitem o fechamento rápido dos vidros com apenas um ou dois toques no botão, além de possuírem a tecnologia antiesmagamento, evitando, principalmente, acidentes com crianças.

As películas antivandalismo também são úteis em caso de tentativas de roubo ou furto. Essencialmente, impedem que os vidros sejam estilhaçados em consequência de alguma pancada. A proteção não é eficaz contra grandes choques, como o impacto de um tiro, por exemplo, mas pode evitar muitas situações de risco.

Os alarmes possuem uma gama de modelos, cada qual com suas funções e atrativos. Um ponto de atenção ao usuário é que muitos atuam somente como ferramentas de conforto, permitindo travar e destravar as portas, sem dispositivos de segurança. Em outros casos, detectam somente a abertura do capô, porta-malas e o acionamento da ignição. Entretanto, não captam invasões no veículo, como no caso de os vidros serem quebrados.

Atualmente, há opções no mercado que complementam o sistema original de fábrica. A maioria apresenta detecção de movimento por meio de tecnologias de ultrassom, acelerômetro ou sensores de impacto, e identificam o arrombamento das portas ou quebra dos vidros. Alguns oferecem controle remoto de presença, que bloqueia o motor de partida quando o motorista se afasta do automóvel. Outros avisam sobre quaisquer violações do carro, com alerta visual, sonoro e vibratório no celular.

Os últimos métodos de segurança usam soluções de conectividade e localização GPS, utilizados, por exemplo, em rastreadores. Estes dispositivos permitem monitorar e rastrear os veículos à distância, pela internet. Essa mesma tecnologia é que servirá futuramente para a integração dos aparelhos de segurança aos smartphones, com os quais os usuários serão capazes de armar, acompanhar e configurar o sistema. No futuro, os carros dispensarão chaveiros e controles remotos, e identificarão a presença do proprietário por meio do celular.

Independentemente do conjunto de proteção instalado no veículo, o importante é perceber que a segurança automotiva tem sido vista pelos proprietários como commodity, um passo extremamente importante para que o mercado prossiga inovando e desenvolvendo ferramentas que inibam e previnam cada vez mais a ação de criminosos.

Fábio Nista, diretor de Inovação da PST Electronics



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