‘Crise no mercado automotivo – hora de comprar?’ – Por Reinaldo Domingos

Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) anúncio recentemente a queda de 25,3% em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado na produção de veículos automotores. O que demonstra uma considerável queda na venda.

Assim, a expectativa é que ocorresse uma queda nos preços dos carros novos, por causa da baixa procura, se tornando uma boa hora para a aquisição desse bem, correto? Errado, pois ao contrário da lógica da oferta e procura, o que vem se observando é uma alta nos preços dos veículos. Segundo levantamento do IBGE, em abril, o preço do veículo zero quilômetro subiu em média 0,39%, em um acumulado de 4,83% mais caros no ano.

Por outro lado, há indicadores que apontam a queda dos preços dos veículos usados e seminovos, fazendo que essa seja uma ótima alternativa. Esse pensamento também não está totalmente correto, pois na decisão de comprar um carro devem ser levados em contas muitos pontos que vão muito além dos preços.

Todavia, realmente a aquisição de um seminovo, para quem possui dinheiro guardado e está decidido a comprar um carro ou trocar o que possui por um melhor é uma boa opção, pois esses tem uma desvalorização menor depois da compra.

Lógico que cuidados devem ser tomados, como uma análise minuciosa do estado do veículo, ver se a documentação está correta, dentre outras ações.

Mas, sobre o que realmente quero falar é sobre outros riscos existentes e que a maioria dos interessados em adquirir um veículo não se dá conta, que são todos os gastos envolvidos. No caso de financiamento, além das parcelas, devem-se contar despesas com manutenção (que, em média, equivale a 3% do valor do automóvel), combustível, licenciamento, IPVA, seguro, e, por que não, multas inesperadas.

Portanto, para saber se esse é realmente o momento certo de comprometer sua renda com essa compra, saiba, primeiro, em qual situação financeira você se encontra: endividado, equilibrado financeiramente ou poupador.

Os que se encaixam na primeira situação não devem nem cogitar a compra de um veículo. O importante, nesse momento, é quitar as dívidas e não entrar em mais uma. Se possuir um veículo for uma vontade grande, ele deve entrar na lista dos sonhos de longo prazo.

As pessoas equilibradas financeiramente, por sua vez, apesar de estarem em uma posição mais confortável, ainda precisam estar atentas. Basta um descuido e elas passam facilmente para a lista dos endividados, minando todas as chances de realizar seus sonhos, sejam eles curto, médio ou longo prazos.

O consumidor equilibrado deve avaliar se a aquisição de um novo veículo já estava no planejamento. Se sim, é hora de pesquisar com calma e paciência cada uma das opções de carro que agradam. Se não, é essencial analisar suas finanças e refletir sobre a real necessidade da compra.

Caso a pessoa já possua um veículo, ela deverá avaliar as vantagens e desvantagens de obter um novo, até porque, adquirir um automóvel não é investimento, já que, logo que sai da concessionária, o carro sofre, em média, 20% de desvalorização.

Reinaldo Domingos é educador e terapeuta financeiro, presidente da Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (Abefin), DSOP Educação Financeira e Editora DSOP, autor do best-seller Terapia Financeira, dos lançamentos Papo Empreendedor e Sabedoria Financeira, entre outras obras.



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