‘Soluções para gestão do tráfego automotivo contribuem para mobilidade urbana sustentável’ – Por Marco Antônio Barbosa

Apesar de São Paulo ser a cidade brasileira com maior sistema de transporte, com 5 milhões de pessoas que pegam ônibus todos os dias e, por sua vez, o Rio de Janeiro ser o município com maior ciclovia do Brasil (com mais de 400 km segundo o portal Mobilize Brasil), a questão da mobilidade ainda é crítica no País. Em ambas as cidades, o morador gasta, pelo menos, 45 minutos para chegar ao trabalho, segundo informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2012), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pensar a mobilidade dentro das cidades de maneira sustentável consiste em refletir sobre a área urbana por diversos contextos, especialmente em como ela está estruturada. Onde estão os principais centros de cultura, trabalho, moradia e educação do município? O ideal é que o indivíduo não precise de mais de 20 minutos para se deslocar entre esses lugares.

Para se chegar a este índice, uma melhor gestão de vagas de estacionamento públicos pode ser uma ótima alternativa para o tráfego carregado das grandes cidades. A utilização de estacionamentos rotativos, com ou sem parquímetro, racionalizam o uso do solo para estacionar em áreas de grande adensamento. Um exemplo é Belo Horizonte, que conta com 20.722 vagas deste tipo, sendo que – respeitado o tempo máximo de permanência em cada uma – transformam-se em 92.622 oportunidades de estacionamento em 789 quarteirões do município. No caso da capital mineira não é utilizado parquímetro, mas sim folha única raspável, que é vendida em mais de 600 pontos espalhados pelo município.

Os parquímetros, por sua vez, trazem outras vantagens além de um maior número de vagas. A facilidade em encontrar tais vagas, menos veículos estacionados em lugares inadequados, maior acessibilidade aos centros comerciais e de serviços, além de menor circulação com maior mobilidade de todos são alguns dos benefícios deste sistema.

Mesmo cidades pequenas e médias já adotam o sistema de parquímetros. O município de Dois Vizinhos, no sudoeste paranaense, adotou esta solução em maio último. Segundo o Departamento de Trânsito da cidade, o plano foi adotado especialmente por conta da flexão do uso do tempo pelo motorista, já que ele paga exatamente pelo tempo em que o carro permanecerá estacionado na vaga. O limite de tolerância também é ajustável. No caso da cidade no Paraná, o sistema só iniciará a cobrança após os 10 minutos iniciais. Se o usuário retornar antes desse tempo, o uso é gratuito.

Somada à gestão moderna dos estacionamentos públicos, outra tendência de mobilidade cada vez mais presente nas metrópoles é sistema Park & Ride. São instalações intermodais onde o usuário deixa seu automóvel para usar o transporte coletivo, seja ele ônibus, metrô, trens ou outros, segundo dissertação divulgada pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

Dessa forma, integrando novas soluções em parcerias com sistemas públicos e privados, todos os agentes de trânsito (motoristas, representantes do setor público e operadores) são beneficiados. Para os usuários, ocorre um aumento significativo da mobilidade por conta da redução do tempo no trânsito; para operadores, a maior vantagem está na melhor gestão da frota diária de carros nas ruas e a melhoria da velocidade em todo o sistema. E a sociedade, como um todo, ganha pela redução de acidentes de trânsito e menor disseminação de poluentes no ar.

Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.



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