‘Competitividade pela manufatura’ – por Jaime Schneider

Atualmente a palavra crise é pauta das principais notícias e debates sobre o Brasil. Alguns especialistas falam em crise perfeita, ou seja, crise econômica, política e falta de confiança no País e em suas instituições. Esse período quebra o ciclo de crescimento econômico dos últimos anos, com aumento de demandas e capacidade, chegando a haver situações de pleno emprego em muitas regiões do País.

A recessão da indústria brasileira, diferente da crise econômica e política, não é recente. A competitividade deste setor apresenta quedas consecutivas nos últimos anos. Entre todos os fatores-chave da competitividade, a produtividade é o aspecto que mais depende da ação da própria indústria. A produtividade da manufatura no Brasil foi uma das que menos cresceu em comparação com outros países, como Coreia do Sul, China e Estados Unidos.

Ganhos em produtividade, por meio do uso de tecnologias de manufatura avançadas e do desenvolvimento criativo de processos de produção automatizados, podem ser uma das saídas para aumentar a competitividade da nossa indústria.

Atualmente temos uma defasagem tecnológica. A idade média do parque fabril brasileiro gira em torno de 17 anos, ante sete nos Estados Unidos e cinco na Alemanha. Exemplo do cenário é a quantidade de robôs que o Brasil adquiriu em 2013, menos de 1.300 unidades, enquanto Coreia do Sul e China adquiriram, respectivamente, 21.000 e 37.000 unidades.

A utilização de sistemas de produção enxuta pode gerar ganhos de produtividade. Por exemplo, é possível eliminar desperdícios ao redesenhar processos, melhorar fluxos de materiais e informações e realizar adequações de layout, além de utilizar, dentre outras ferramentas, o mapeamento de fluxo de valor. Sem um processo simples em fluxo, os grandes desperdícios ficam escondidos. Trabalho padronizado, acompanhado de uma boa gestão visual, também auxilia na identificação do que é anormal. Isso deve desencadear a solução de problemas na base, por meio de cadeias de ajuda, reuniões diárias e tratativas de problemas.

O que torna viável tanto o uso da automação quanto a produção enxuta é uma capacitação adequada das pessoas envolvidas. Todos os processos são realizados e melhorados por meio das pessoas, que precisam ser capacitadas não apenas tecnicamente em suas respectivas funções, mas em ferramentas da produção enxuta, na solução de problemas e no desenvolvimento de hábitos de identificação e eliminação de desperdícios.

O papel da liderança em todos os níveis é fundamental nesse processo, do presidente ao líder de equipe, para propagar o inconformismo com os desperdícios, participar de caminhadas na operação, apoiar as cadeias de ajuda e desenvolver as pessoas como solucionadores de problemas. Cabe à liderança apoiar os projetos de automação, incentivando as áreas técnicas na busca de soluções.

A crise pode ser vista como uma oportunidade, desafiando-nos a fazer diferente. O Brasil voltará a crescer. Temos a oportunidade de planejar melhor as fábricas para este crescimento, que deve ser realizado com ganhos de produtividade em vez de aumentos de capacidade. Estes e outros assuntos serão debatidos durante o 7º Simpósio SAE BRASIL de Manufatura, que será realizado nos dias 9 e 10 de setembro, no Hotel Intercity Premium, em Caxias do Sul, com o mote “Repensando a Manufatura – Desafios e Oportunidades em Tempos de Crise”.

Jaime Schneider é o chairperson do 7º Simpósio SAE BRASIL de Manufatura.



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