‘Como refletir em tempos de crise?’ – Por Dirceu Delamuta

O ano de 2015 não foi fácil para o Brasil em muitas questões. O cenário econômico foi assolado pela alta do dólar e aumento dos juros, prejudicando diversos setores da indústria e, consequentemente, para os seus revendedores. O mercado automotivo nacional não sofria uma queda nas vendas de veículos e autopeças desde 2012, acarretando em diminuição no faturamento das companhias e nas demissões coletivas nas fábricas. Os centros automotivos apresentaram uma diminuição na circulação de clientes, vendendo menos peças e, alguns, apresentando, ou não, crescimentos pífios quando comparados ao mesmo período do ano passado.

Todavia, somos estimulados a pensarmos mais no problema do que na solução. Essa característica, não apenas brasileira, mas fortemente presente entre nós, acaba ocultando muitas ideias extremamente necessárias para nos ajudar a sair da crise. Com isso, espero poder orientar e apresentar soluções para superarmos os obstáculos presentes no atual cenário das revendedoras de pneus.

Uma pesquisa da ABRAPNEUS feita em conjunto com a GFK entrevistou 23 varejistas que possuem lojas em 17 estados e apontou que, em 2015, apesar de 90% dos respondentes terem obtido estabilidade ou crescimento no faturamento em 2014, as expectativas de 2015 apontam um pessimismo. Apenas 55% esperam repetir o resultado positivo do ano anterior. Apesar das incertezas, metade das redes pesquisadas tem intenção de abrir lojas. Sendo que 33% pretendem abrir pelo menos duas lojas. Entretanto, acreditamos numa recuperação da economia a partir do terceiro trimestre de 2016 e um fortalecimento do setor automotivo, muito prejudicado em 2015.

Vamos começar com os desafios. Precisamos reverter a queda nas vendas, aumentar o faturamento das lojas, ajustar os modelos de vendas de pneus para uma concorrência sadia, lançar novos produtos baseados na opinião do consumidor para estimular seu poder de compra. Temos que manter os centros automotivos abertos, gerando empregos, qualificando mão de obra, mantendo nossas margens de lucro e girando nossos estoques. Coisas que já fazem parte do cotidiano das revendedoras, porém não estão sendo incentivadas pelo momento que o Brasil passa. A grande pergunta é: como superar esses desafios?

Podemos enxergar a crise como um momento de criatividade e reflexões. Se o meu canal de vendas não está eficiente, como posso trabalhar para melhora-lo? Será que o meu mix de produtos está atendendo meu público? Ou será que ainda há um público que eu ainda não atingi? O meu ponto de venda está adequado com as exigências do mercado? Meus profissionais estão qualificados o suficiente para atender com qualidade? Como a minha marca está avaliada no mercado? São perguntas que devemos nos fazer e analisar as repostas para encontrarmos medidas cabíveis e que darão novas perspectivas ao negócio.

Para o ano de 2016, além da retomada do mercado automotivo e melhora no cenário econômico, tenha uma expectativa positiva de ideias e soluções que ultrapassem os problemas e as críticas, gerando assim, mais resultados positivos e um setor cada vez mais forte no País.

Dirceu Delamuta é presidente da ABRAPNEUS (Associação Brasileira dos Revendedores de Pneus) e atua há mais de 30 anos no setor automotivo.



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