‘Setor de beneficiamento de petróleo e derivados conta com o fim da crise para voltar a crescer’ – por Kaiale Santos Araújo

Aquele que minimamente acompanha a movimentação dos números do mercado e da indústria está a par da situação crítica em que estes se encontram. Com exceção do agronegócio que vem mantendo uma média de crescimento estável nos últimos anos, amparada por safras recordes e pela reabertura do mercado internacional aos insumos brasileiros, a indústria, principalmente a de base, vem sofrendo com a alta do dólar e internamente com a alta taxa de impostos aplicados.

No último ano, um fator extra colaborou com a retração do crescimento do setor em questão, trata-se da instabilidade política, que trouxe consigo a desconfiança do investidor estrangeiro na nossa economia.

Um exemplo foi a decisão da multinacional alemã Styrolution de suspender a implantação de uma filial no Polo Petroquímico de Camaçari em parceria com a baiana Braskem.

A Styrolution especializada na produção de ABS (plástico de alta resistência usado em indústrias automobilísticas e de eletroeletrônicos) exigiu da Braskem a garantia de fornecimento de Nafta, matéria prima para fabricação do ABS, por 15 anos. Ocorre que, o fornecimento do referido material implica numa análise também do atual momento financeiro em que vive o fornecedor. Deste modo, não haveria como garantir o repasse deste material por período tão longo

Frente a essa insegurança, a multinacional alemã suspendeu o projeto que já havia sido pré-aprovado pelo CADE, com um orçamento estimado em US$ 200 milhões de dólares e produção de cerca de 100 mil toneladas a partir de 2018.

Agora a Braskem, a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia trabalham em conjunto para dirimir esse impasse e oportunizar a concretização da implantação, fonte de emprego e renda para região do Polo Petroquímico de Camaçari, que carece de oxigenação, frente à migração das grandes indústrias de beneficiamento para o Polo de Suape em Pernambuco.

Ao analisar esse cenário é possível afirmar que, muito embora haja desconfiança por parte dos investidores, o Brasil e a Bahia, continuam sendo observadas pelas grandes indústrias como destino para um aporte financeiro. Verifica-se também que política e economia estão intimamente ligadas e que o esforço para o controle da recessão instaurada e quem sabe até de um novo salto de crescimento deve vir de todas as frentes.

Existem diversos projetos em stand by em todo país e quando os fatores que agora amedrontam voltarem a ser favoráveis haverá campo fértil para a exploração das oportunidades. A tempestade tem sido cruel e longa, contudo já é possível enxergar o sol por trás das nuvens.

Kaiale Santos Araújo é advogada no escritório Lapa & Góes e Góes Advogados Associados.



Leia Também:
Anterior:

Próxima: