‘Logística como fator de qualidade’ – Por Ingo Pelikan

Investir em qualidade significa melhorar desempenho, conquistar maior credibilidade junto aos clientes, aumentar resultados e, consequentemente, ser mais competitivo no mercado. Para além da qualidade do produto – que, na verdade, é uma consequência –, deve-se considerar a qualidade dos processos, a exemplo da logística, responsável por toda a movimentação de materiais, que influi diretamente na qualidade final do produto.

Para o transporte de materiais, seja entre fábricas ou dentro de cada empresa, existe a máxima do cliente. Neste caso, o cliente da cadeia: quantidade certa, na hora certa e na qualidade certa. Haja logística nos transportes do fabricante de matérias-primas para o tier 2, do tier 2 para o sistemista, do sistemista para a montadora e da montadora para a concessionária ou para o porto, fora as movimentações dentro de cada fábrica.

Logística é um tema que ainda precisa ser muito explorado no Brasil, um país de dimensões continentais, cuja malha é extremamente complexa em todos os modais de transporte. Mas como lidar com o tempo nas grandes capitais, onde há um trânsito bastante intenso e risco de atraso na entrega de mercadorias?

Quando há atrasos, a empresa precisa recuperar o tempo de alguma forma para evitar a insatisfação do cliente. Neste caso, quais ações complementares podem ser adotadas sem prejudicar a qualidade do produto? Há toda uma complexidade nas movimentações, que requer visão estratégica das empresas.

E mais: o caminho para aumentar as exportações e ganhar penetração em todo o globo é assegurar a qualidade made in Brazil. A montadora precisa adotar uma série de cuidados ao fazer a expedição de um produto, porque se for transportado de forma indevida pode chegar danificado na concessionária, o que gera custo e, provavelmente, atraso na entrega para o cliente final, o que provoca automaticamente insatisfação.

Hoje diversos procedimentos de logística são adotados pelas empresas com base na ISO 9000 ou na ISO/TS 16949, embora as normas não tenham tópico específico sobre o assunto. A montadora exige a ISO TS de seu fornecedor direto, mas a exigência que sai da montadora, obrigatoriamente, não é a mesma que chega ao tier 2, então aí muito se perde.

Para a logística, o caminho é reverso: se a exigência não chega, a movimentação de mercadoria provavelmente não é realizada com os mesmos critérios do primeiro ao último fabricante. Fica a questão: como podemos desdobrar os conceitos da qualidade para a logística em todas as etapas da cadeia?

E na outra ponta, da montadora para a concessionária, que tipo de padrão é adotado? Hoje as concessionárias são vinculadas a marcas específicas e cada marca tem a sua metodologia de trabalho. Esse segmento oferece maior segurança ao consumidor. Agora, a distribuição de mercadoria para o mercado aberto precisa ser trabalhada no Brasil para que haja maior conscientização e padronização dos processos.

Embora não exista norma específica para logística no mercado, já se percebe a tendência de desenvolvimento de uma certificação para a padronização dos conceitos logísticos, conforme os cinco requisitos MAEPE (manuseio, armazenagem, embalagem, proteção e entrega), que devem ser bem detalhados. Este é o caminho a ser traçado para que haja maior transparência e melhores resultados para toda a cadeia automotiva.


Ingo Pelikan é presidente do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva



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