‘Inspeção técnica de veículos deve ser realizada conforme a NBR 14624’ – por Mauricio Ferraz de Paiva

Em um país, onde ocorrem mais de 40.000 mortes em acidentes de trânsito por ano, a questão da segurança deve ser amplamente difundida entre a sociedade, começando pelos elos da cadeia do setor de reposição. A inspeção técnica dos veículos ou a sua manutenção preventiva contribui para segurança que, consequentemente, acaba por salvar vidas no trânsito. Quando um veículo se envolve em acidente não se sabe o estado que o mesmo se encontrava porque não há fiscalização de itens de segurança no país. Portanto, não é possível identificar se a falta de manutenção foi uma das causas, associada a outros fatores, que contribuíram para que o acidente ocorresse. Outro ponto importante que merece ser destacado é a economia que a manutenção preventiva oferece, pois evita desperdício de combustível e também que peças com vida longa útil se desgastem prematuramente. A NBR 14624 de 12/2000 – Inspeção técnica veicular – Codificação dos itens de inspeção especifica a codificação dos itens incluídos na inspeção técnica de veículos, abrangendo itens de segurança e de controle da emissão de gases poluentes e de ruídos, assim como padroniza os itens da inspeção para as diversas categorias de veículos. Não se aplica aos ciclomotores. Na norma, são apresentadas as tabelas 1 a 10, que mostram a codificação dos itens de inspeção, respectivamente, para os grupos de inspeção 1 a 10, indicando os itens pertinentes a cada categoria de veículo e a classificação da gravidade dos defeitos.

Existem alguns itens importantes que devem ser observados antes da inspeção do veículo, como a ausência ou defeito na haste/amortecedor do capô; o freio a disco ou a tambor inoperantes ou deficientes; a ausência da grade dianteira do motor abaixo do capô com a ventoinha do sistema de arrefecimento aparente; o freio de mão inoperante e/ou veículo automático com motor acelerado e freio de mão deficiente; a tampa do reservatório de arrefecimento rachado ou danificado; a fita isolante ou qualquer outro artifício não original que utilize para evitar a verificação do sistema de admissão; o sistema de admissão original faltando componentes ou com conexões irregulares; o sistema de admissão com filtro de ar esportivo com conexões irregulares; os escapamentos reparados com qualquer tipo de massa; e os estouros no escape durante a aceleração na inspeção ambiental veicular.

Já na inspeção visual, deve-se verificar o estado aparente dos itens de controle de emissão, de acordo com cada marca, modelo e ano do veículo. Assim, devem ser avaliados: o sistema PCV (recirculação de gases do cárter) ausente ou danificado; a fixação, conexões e mangueiras do sistema PCV, irregulares; o sistema EGR (recirculação de gases de escapamento) ausente ou danificado; a fixação, conexões e mangueiras do sistema EGR, irregulares; o canister ausente ou danificado; a fixação, conexões e mangueiras do canister, irregulares; a presença, tipo de aplicação e fixação do catalisador, irregulares; a presença, fixação e conexão elétrica da sonda lambda, irregulares; o sistema de injeção de ar secundário ausente ou danificado; a fixação da bomba e/ou conexões do sistema de injeção de ar secundário, irregulares; a existência de dispositivos de ação indesejável e adulterações do veículo que comprovadamente prejudiquem o controle de emissões; a falta da tampa do reservatório de combustível (principal e secundário nos veículos com motor flexíveis – álcool/gasolina e/ou álcool), ou de qualquer dos reservatórios dos diversos tipos de óleo do veículo, fluido de freio ou de arrefecimento, e da direção hidráulica, quando visíveis; a lâmpada (LIM) indicando funcionamento irregular do motor; e as avarias, ausência ou estado avançado de deterioração de encapsulamentos, barreiras acústicas e outros componentes que influenciam na emissão de ruído.

Em linhas gerais, durante a inspeção, são checados diversos pontos e fatores para certificar-se de que o automóvel poderá ser utilizado em segurança e assim minimizar as chances de ter que acionar o seguro de carro. Além do claro benefício de diminuir os acidentes no trânsito, a inspeção do veículo reduz a emissão de gases e ruídos nocivos, e também diminui o consumo de combustível do automóvel, pois motores desregulados tendem a consumir mais.

O ato de realizar esse procedimento tem como resultado direto a diminuição do índice de mortalidade no trânsito. Igualmente, pode-se diminuir o número de mortes por doenças causadas e agravadas pela poluição, como pneumonia.

Como medida preventiva, a inspeção deve ser feita uma vez por ano, no máximo. A inspeção preventiva é a mais recomendada, pois é mais econômica do que a corretiva. Manter um motor bem regulado é mais barato do que resolver problemas nesse e outros itens do automóvel.

Não se deve esquecer de que possuir um veículo acarreta certos procedimentos responsáveis, o motorista deve necessariamente preocupar-se com o bem estar de terceiros – inclusive do meio ambiente – da mesma forma que se preocupa consigo e com sua família. A série de normas NBR 14040 inclui 11 partes: a NBR 14040-1 de 03/1998 – Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 1: Diretrizes básicas; a NBR 14040-2:1998 – Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 2: Identificação; a NBR 14040-3:1998 – Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 3: Equipamentos obrigatórios e proibidos; a NBR 14040-4:1998 – Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 4: Sinalização; a NBR 14040-5:1998 – Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 5: Iluminação; a NBR 14040-6:1998 – Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 6: Freios; a NBR 14040-7:1998 – Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 7: Direção; a NBR 14040-8:1998 – Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 8: Eixos e suspensão; a NBR 14040-9:1998 – Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 9: Pneus e rodas; a NBR 14040-10:1998 – Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 10: Sistemas e componentes complementares; e a NBR14040-11 de 03/1998 Inspeção de segurança veicular – Veículos leves e pesados – Parte 11: Estação de inspeção de segurança veicular.

Conforme definido pelas normas, a inspeção é o processo de avaliação de um veículo, visando verificar suas condições de segurança, para que seja permitida, ou não, sua circulação em vias públicas. Tal avaliação deve ser realizada em estações de inspeção, com o veículo apresentando-se em condições de limpeza, que possibilitem a observação da estrutura, sistemas, componentes e identificação.

Na inspeção, o veículo não pode transportar ninguém além do condutor. Toda a inspeção deve ser realizada por inspetores qualificados e habilitados e equipamentos calibrados. Durante a inspeção, não pode ser desmontado nenhum componente do veículo.

Assim, a inspeção de segurança veicular tem como princípios básicos: não efetuar qualquer desmontagem de componentes do veículo e correções de irregularidades; ser efetuada, predominantemente e, quando aplicável, de forma mecanizada, minimizando as avaliações subjetivas; ser efetuada em instalações destinadas exclusivamente para tal finalidade; não ser efetuada por empresas, pessoas ou entidades que possam ser beneficiadas ou ter qualquer interesse no seu resultado; e abranger apenas veículos leves e pesados.

Dessa forma, a vistoria deve se basear em nove grupos: grupo 1 – Identificação, de acordo com a parte 2 da NBR 14040; grupo 2 – Equipamentos obrigatórios e proibidos, de acordo com a parte 3 da NBR 14040; grupo 3 – Sinalização, de acordo com a parte 4 da NBR 14040; grupo 4 – Iluminação, de acordo com a parte 5 da NBR 14040; grupo 5 – Freios, de acordo com a parte 6 da NBR 14040; grupo 6 – Direção, de acordo com a parte 7 da NBR 14040; grupo 7 – Eixos e suspensão, de acordo com a parte 8 da NBR 14040; grupo 8 – Pneus e rodas, de acordo com a parte 9 da NBR 14040; grupo 9 – Sistemas e componentes complementares, de acordo com a parte 10 da NBR 14040.

O manual de procedimentos operacionais deve estabelecer, de forma detalhada, o modo como devem ser realizadas todas as atividades da estação de inspeção de segurança veicular. A estação de inspeção de segurança veicular deve efetuar auditorias internas e se submeter a auditorias externas, a critério do poder concedente, visando assegurar o fiel cumprimento desta norma.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br



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