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Virada da Mobilidade chega ao fim e traz reflexões sobre as formas de locomoção nos grandes centros urbanos

A Virada da Mobilidade 2016 chega ao fim e traz inúmeras reflexões para a cidade de São Paulo, com base nos debates, palestras, exposições e no Desafio Multimodal. O evento aconteceu de 17 a 23 de setembro e contou com cerca de 15 mil pessoas e teve como objetivo fomentar o debate sobre a importância de encontrar formas mais inteligentes e sustentáveis de locomoção nos grandes centros urbanos. O idealizador da iniciativa, Marcio Henrique Nigro, destaca os fatos relevantes, apresenta as conclusões e lições aprendidas.

As ações do evento iniciaram com o Desafio Multimodal, que aconteceu a fim de estimular a multimodalidade – troca de modais no percurso – e comparar os tempos de deslocamento e oferta de transportes nas quatro regiões da cidade. As modalidades de transporte foram: a pé, táxi, metrô/trem, ônibus, bicicleta, bicicleta dobrável, skate, patins e carona.

O destaque do Desafio Multimodal 2016 foi a participação de portadores de deficiência física. Segundo Nigro, ficaram evidenciadas as dificuldades encontradas por uma das equipes na região da Zona norte. “Ela partiu do Parque Ecológico da Cantareira, onde a carona se apresentou como a única forma de se chegar até a estação do metrô. Entretanto, ao chegar, encontrou desafios para utilizar o elevador, pois não havia estrutura para acomodar uma cadeira de rodas triciclo. Foram trinta minutos aguardando a ajuda dos funcionários da linha azul e mais trinta minutos entre os elevadores da linha amarela, para chegar ao Conjunto Nacional – o percurso, que demoraria uma hora e quinze minutos – levou duas horas e vinte minutos para ser completado”, afirma.

Outro fato interessante sobre o Desafio Multimodal: as diversidades de modais disponíveis nas quatro regiões da cidade. “Para sair do parque Villa Lobos, na zona oeste, por exemplo, existiam várias possibilidades, além de ser um local muito convidativo para andar. Nas demais regiões, principalmente Tietê e Cantareira, existia pouca oferta de táxi, ciclofaixas, bicicletários ou estações de locação de bicicletas, além de calçadas absolutamente inapropriadas. “Durante o desafio, percebemos que as opções de transportes não são as mesmas em todas as regiões, portanto não há como normatizar e dizer que uma opção é vencedora em qualquer delas. Concluímos ainda que a acessibilidade é um desafio, e que a integração entre modais de transporte por região ainda precisa ser trabalhada”, destaca.

No dia 19, aconteceu o lançamento do Guia de Mobilidade Corporativa EY – Mobilize, publicação brasileira elaborada especialmente para orientar empresas e órgãos públicos a melhorar sua performance de mobilidade urbana. O encontro culminou com um debate multidisciplinar mediado pelo jornalista Marcelo Moura, da revista Época, que teve a participação de Marcio Nigro, Lincoln Paiva (Instituto Mobilidade Verde), Daniela Gurgel (Observatório Nacional de Segurança Viária), Cristiane Amaral (EY) e Marcos de Sousa, editor do Mobilize Brasil, além da participação do público presente. No debate, com representantes do transporte público, privado, especialistas em segurança viária, houve valorização da multimodalidade, na qualidade de vida do usuário e na necessidade de priorizar a segurança viária. De acordo com Nigro, a palestra de Lincoln Paiva trouxe uma reflexão sobre o olhar das pessoas sobre as cidades. “Após a realização de uma atividade com o público, notamos o seguinte: pessoas que andam mais tem uma sensação de espaço muito maior do que as pessoas que andam menos (que se locomovem de carro) ”, ressalta.

Outra ação diferenciada na Virada da Mobilidade 2016 foi promovida pelo Caronetas. “Tivemos uma ação de carona na Avenida Paulista, numa limousine, com capacidade para 15 pessoas”, destaca Nigro. O exercício era o seguinte: os participantes deveriam sair do Conjunto Nacional e desembarcar na estação Paraíso, optando em seguida em continuar o trajeto com bicicleta, ônibus e metrô. Porém, ninguém quis desembarcar, o que mostra duas avaliações interessantes: mesmo num local onde o transporte público era absolutamente bem servido, o conforto foi um item essencial aos passageiros e havia também a facilidade para transportar o cadeirante. Outro ponto importante notado pelos participantes, foi a relevância do planejamento e ocupação do espaço: “a limousine é considerada um carro espaçoso, mas durante o trajeto, que ocorreu ao meio dia na Avenida Paulista, passamos por dois ônibus biarticulados e notamos que havia apenas 7 pessoas em cada um, ambos dentro da faixa, ambos pagos com dinheiro público, contracenando com um transporte privado que não tem gasto nenhum e que estava muito bem ocupado”, afirma ao completar que o problema não é o tipo de transporte. “O problema é a ocupação dele, então o planejamento tanto do transporte urbano individual quanto do transporte coletivo precisa ser repensado da mesma forma para que atenda a população com conforto e de forma eficiente – o carro em si não pode ser responsabilizado, e sim a falta de planejamento em sua utilização”, afirma.

O idealizador do evento ressalta que a cidade tem dimensões e necessita de integração e planejamento urbano, que pode ser resultado de ações públicas e privadas. “ Não existe modal melhor do que o outro, e sim um planejamento de transporte individual, baseado em cada região da cidade que deve atender as expectativas e necessidades individuais. Não existe um modal vencedor e sim um conjunto de modais que melhor planejado pode dar a cidade uma característica diferente, fazendo com que a mobilidade urbana do cidadão seja diferenciada e que ele possa utilizar isso de forma melhor”, afirma.

Durante o Dia Mundial sem Carro, a Virada promoveu a abertura ao pedestre da Rua Joel Carlos Borges, próxima a estação Berrini. A ideia de readequar os espaços públicos conforme sua melhor utilização iniciou na Virada de 2014, durante o concurso “3 estações” promovido pelo WRI. Naquela ocasião, identificou-se que apenas 60 carros utilizavam a via pela qual também circulavam quase 2000 pessoas por hora. Este ano, simulando um test-drive do projeto vencedor, da URB-i, a rua permaneceu fechada a circulação de carros particulares, e duas pistas foram substituídas por um gramado sintético, por onde passaram cerca de 15 mil pessoas – que positivamente surpreendidas, perguntavam se a rua iria permanecer assim de forma definitiva. Através desta ação, os participantes tiveram uma experiência de uso da via diferenciada, e tiveram ainda a oportunidade de conhecer as tecnologias a favor da mobilidade disponíveis: de apps de mobilidade, bicicletas elétricas, carros elétricos, híbridos e ônibus de última geração com wi-fi.

Na sexta feira, o evento de fechamento teve a abertura de Marc Stettler, professor e especialista em transporte sustentável do Imperial College de Londres e foi mediado pela jornalista Natália Garcia. Dentre as discussões sobre os nós de mobilidade da cidade, destacaram-se as questões de segurança ao caminhar, a integração entre modais públicos e privados, o acesso a informações em tempo real do transporte público e as alternativas em diferentes horários. “Alguns nós poderiam ser desatados, como por exemplo: ISS mais baixo para estacionamentos próximos as estações de metrô, obrigatoriedade ou incentivo a instalação de paraciclos em estacionamentos privados, disponibilização de pontos de desembarque para carona/táxi próximo a terminais, bicicletários promovidos com parcerias público-privadas em empresas e no entrono das estações de transportes de alta densidade (metrô e ônibus), e maior promoção de caronas nas marginais – uma pista dedicada a isto, com pontos de desembarque próximos a pontos de travessia”, finaliza Nigro.

A Virada da Mobilidade 2016 contou com a participação especial da Ford como estratégia global da marca de promover experimentos para a busca de novas soluções de transporte, dentro do plano conhecido como Ford Smart Mobility. O objetivo da empresa é ser líder em conectividade, mobilidade, veículos autônomos, experiência do cliente e análise de dados. Foram apresentadas as tendências mundiais da FORD, como a criação de carro autônomo, idealizado para dirigir por si próprio, e, portanto, não vai trazer nem volante, nem freio ou acelerador. De acordo com a companhia, o veículo vai se encaixar no nível 4 do padrão internacional da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (da sigla em inglês SAE).

Sobre a Virada da Mobilidade

Realizada desde 2012, sempre com a participação e apoio de empresas e organizações da sociedade civil, a Virada da Mobilidade é um grande evento que tem o objetivo de sensibilizar autoridades e população sobre a necessidade de se promover a multimodalidade e a integração de modais nas cidades brasileiras priorizando o transporte eficiente e sustentável. A Virada tem seu foco central na redução do uso do transporte individual privado, em especial, nas grandes capitais, que hoje sofrem com graves congestionamentos de tráfego e poluição.

A Virada da Mobilidade é uma realização do Caronetas, EY e Sobratt e conta com a parceria de peso da Ford e Leve-me, ALD e Fundação Alphaville. Apoios: CIS, e-moving, Conjunto Nacional, ITDP, ANTP, IVM, Conexões Pinheiros, ABVE, NOUCAR, Pegcar, Assefaz, Scania, Easytaxi, Observatório Nacional de Segurança Viária, Paris Vegas, Imagem Corporativa, CompatBike, Citatti, Mobifilm, Agencia TRUE e Catracalivre

https://viradadamobilidade.com.br


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