Barreiras que impedem avanço da multimodalidade começam a ser vencidas

O mercado logístico nacional busca, constantemente, soluções para superar as adversidades impostas por gargalos na infraestrutura do país, responsáveis por entraves no setor, como os altos custos logísticos. Entre as alternativas para minimizar o efeito desses obstáculos na cadeia logística uma se destaca, a multimodalidade, apontada por especialistas e players de diferentes segmentos como fator essencial para ganhar agilidade e eficiência no transporte de cargas dentro e fora do país.

“Por meio de um planejamento mais eficiente é possível obter a redução de custos da cadeia de transportes, eficiência ambiental e segurança para as cargas. A solução é a intermodalidade”, afirma o diretor comercial da Log-In Logística, empresa especializada no transporte de cargas via cabotagem, Márcio Arany.

O gerente geral de negócios dedicados a cargas gerais da MRS Logística, uma das principais transportadoras ferroviárias do país, Guilherme Alvisi, concorda. Para ele, a integração entre todos os modais é essencial. “A multimodalidade é fundamental para o crescimento do transporte de cargas gerais. Sem ela essa movimentação não existiria, porque a ferrovia, na maioria das vezes, não chega na porta do cliente. Para os transportes de contêineres, por exemplo, sempre é necessário ter uma participação rodoviária. Além disso, toda movimentação desse tipo necessita de um terminal multimodal”, acrescenta.

Quem também acredita que essa é a melhor opção para a diminuição dos custos logísticos é o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), Vicente Abate. “Com a intermodalidade é possível dar mais eficácia aos processos e reduzir custos. A tendência é que se invista cada vez mais nisso daqui para frente”, destaca o executivo, que, assim como Arany e Alvisi, estará na 23ª edição da Intermodal South America, de 4 a 6 de abril, em São Paulo (SP).

Abate, inclusive, menciona alguns exemplos práticos de integrações entre modais que resultam em cargas transportadas para o Porto de Santos, em São Paulo. “Temos diversos casos de transporte multimodal, como as cargas provenientes de Goiás, movimentadas de São Simão (GO) até Pederneiras (SP) via fluvial, onde são colocadas em trens da MRS e levadas até o Porto de Santos. Existem também ações com o modal rodoviário, como as cargas originárias do Mato Grosso, que são levadas por caminhões até Rondonópolis (MT) e de lá seguem via ferroviária, pelos trens da Rumo Logística, até o porto da baixada santista”, ressalta.

O presidente da ABIFER pontua também exemplos de multimodalidade da VLI Logística, outra importante companhia ferroviária do país. “No caso da VLI, ela tem feito terminais integrados de captura de cargas, em que os produtos são levados até as malhas ferroviárias em que atua por caminhões vindos de diferentes regiões do país, como Araguari, Uberaba e Uberlândia (MG), sendo desencadeados nos trens da influência com a FCA (Ferrovia Centro-Atlântica); e de cidades como Palmeirante e Porto Nacional (TO), descarregados nos vagões da influência com a Ferrovia Norte-Sul”, complementa.

Abate analisa ainda que se, futuramente, também houver uma ligação ferroviária completa no Centro-Oeste, com destino ao Porto de Santos ou ao Porto de Itaqui, em São Luís, agilizará o transporte de cargas vindos daquela região, dará mais eficiência, reduzirá os custos e melhorará a intermodalidade local. “O transporte rodoviário não será substituído, mas com a integração dos modais os produtos percorrerão distâncias menores. Por exemplo, da forma atual os caminhões precisam transitar mais de 2 mil km por rodovias, já com as ferrovias eles seguiriam de 100 até 250 km apenas, o restante seria levado pela malha ferroviária, barateando o custo total”, conclui.

Soluções – Com o objetivo de discutir todas as possíveis vertentes para tornar a multimodalidade dos transportes mais competitiva no Brasil, apresentar as medidas governamentais que o poder público está adotando para melhorar os custos logísticos do país, expor as opiniões do setor privado para equacionar e adequar todos os modais para uma integração ainda maior, compartilhar experiências com as empresas que já estão obtendo sucesso nas melhorias de seus processos graças à intermodalidade, entre muitos outros aspectos, a Intermodal South America 2017 realizará um seminário dedicado exclusivamente para essa questão. Trata-se da conferência: “Multimodalidade e Diminuição de Custos Logísticos”.

Com início às 08h30 do dia 5 de abril, reúne as presenças de diversas autoridades do setor, como o secretário de política nacional de transportes, Herbert Drummond; o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista Martins; o diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), Fernando Fonseca; o presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (FENOP), Sérgio Aquino; e o diretor-presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa.

Além deles, conta também com as participações de executivos de importantes empresas do mercado, como o diretor comercial e de logística da Buritirama Mineração, José Eduardo Wendler; o sócio-proprietário da Solve Shipping Intelligence, Robert Grantham; o diretor regional de logística inbound para a América Latina da Avon, Marcelo Frias; o gerente de supply chain da Saint Gobain, Fábio Doudek Magalhães; e o líder de logística da Monsanto no Brasil, Johnny Ivanyi.

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