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Digitalização das fábricas é caminho para a evolução da qualidade, aponta 5º Fórum IQA

É imperativo que o Brasil acelere a evolução nos desempenhos de qualidade para acessar mercados relevantes, o que passará pela digitalização das fábricas. Esta foi uma das principais mensagens do 5º Fórum IQA da Qualidade Automotiva, que reuniu lideranças da indústria dia 9 de outubro, no Centro de Convenções Milenium, em São Paulo. Na abertura, Ingo Pelikan, presidente do IQA, chamou a atenção para a necessidade de entender a qualidade como um todo, não como um departamento. “Haverá reflexos no produto final se todos respirarem qualidade”, afirmou.

Ricardo Augusto Martins, vice-presidente da Anfavea, abriu as discussões do fórum. Um dos assuntos abordados foi o potencial cenário brasileiro em 2030. “Haverá forte relacionamento com os clientes e nível de automação similar entre todas as marcas”, analisou Martins. Gabor Deák, conselheiro do Sindipeças, ressaltou que o tema da qualidade terá caráter horizontal no novo regimento automotivo. “O esforço se concentrará na busca de um padrão mundial de qualidade, sendo o foco de interesse a inserção nas cadeias globais de valor”, declarou.

Rodrigo Custódio, diretor da Roland Berger, destacou a mobilidade compartilhada, a automação, a digitalização e a eletrificação como quatro grandes áreas de atenção para toda a cadeia. “Sempre surgem riscos e oportunidades quando há uma disrupção tecnológica. Dessa forma, é importante estar atualizado e ter estratégias”, avisou.

Em painel com montadoras e fornecedores, Richard Schwarzwald, diretor da Qualidade da FCA, destacou que as empresas terão sustentabilidade no futuro se houver inovação, produtividade e qualidade na fase do planejamento. “Depois disso, a qualidade é tardia, embora necessária”, afirmou. Celso Gonçales, gerente da Qualidade da Scania, chamou a atenção para a importância de se integrar todas as camadas que participam do negócio. “Pode dar mais trabalho, mas a efetividade na execução e nos resultados é maior e tende a ser sustentável”, ponderou.

Flávio Mateus, diretor geral da Schaeffler, ressaltou que a qualidade deve ser intrínseca ao processo. “Não há meio termo. A qualidade não está só no produto sem defeito, mas também no atendimento aos prazos e no cumprimento do custo proposto”, declarou. Para Bruno Neri, gerente da Qualidade Corporativa da Bosch, a qualidade é primordial para a competitividade das marcas, uma vez que os concorrentes estão cada vez mais maduros. “Os automóveis se aproximam cada vez mais em conteúdo e preço”, comentou Neri.

Em seguida, Celso Placeres, diretor de Manufatura da Volkswagen, disse que a Indústria 4.0 é fator de sobrevivência para toda e qualquer indústria. “A Indústria 4.0 acontecerá de forma natural. A cada produto lançado, novos processos serão implementados com mais digitalização para transformar informações em dados”, declarou.

Em painel com entidades de classe, Antonio Fiola, presidente do Sindirepa, falou sobre a necessidade de conscientização do motorista para a manutenção preventiva. “O governo poderia nos apoiar com programa de inspeção técnica veicular”, afirmou. A opinião foi compartilhada por Elias Mufarej, conselheiro do Sindipeças, que apontou a importância da união de esforços no setor para obter avanços nessa área. “A condição com que os veículos estão rodando atualmente pode ser fator de calamidade pública nos próximos anos”, alertou.

Marcelo Cyrino, vice-presidente da Fenabrave, defendeu a renovação da frota e o projeto de lei em tramitação, que prevê benefícios fiscais para a aquisição de veículos. “Esse projeto pode acelerar um pouco o varejo de carros no Brasil”, avaliou. Em seguida, Renato Giannini, presidente da Andap-Sicap, discutiu sobre os entraves da distribuição tributária para a comercialização de autopeças. “A distribuição tributária seria bem feita se houvesse alíquota única, o que é difícil porque cada Estado quer cuidar do seu quintal”, criticou.

Letícia Costa, sócia-diretora da Prada Assessoria, falou sobre acelerar a evolução nos desempenhos de qualidade para o acesso a mercados relevantes e destacou que isso passa pela entrada da qualidade na era digital. “Nós vamos precisar mudar a forma de pensar a qualidade porque teremos muito mais habilidade para usar sensores, big data e inteligência artificial. A forma de fazer qualidade mudará substancialmente nos próximos 10 ou 15 anos”, avaliou.

José Pastore, consultor e professor da FEA-USP, encerrou as discussões do fórum com avaliação sobre os impactos da reforma trabalhista na qualidade. “As janelas de oportunidades superam os custos obrigatórios. A reforma trabalhista criou diversos novos estímulos, como remunerar por produtividade, oferecer promoções individuais ou conceder prêmios por trabalho diferenciado”, exemplificou.


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