Campanha de Alckmin tenta reduzir o efeito das traições de seus ‘aliados’

Com auxílio do DEM, os diretórios estaduais do PSDB vão operar, até outubro, como “comitês regionais” da campanha presidencial de Geraldo Alckmin, com a função de coordenar e supervisionar o trabalho dos demais partidos que formam a coligação. O objetivo é formar uma “retaguarda” para garantir que o nome e a imagem do presidenciável circule nos estados, minimizando os efeitos das chamadas “traições” regionais. Muitos “aliados” de Alckmin na verdade estão fazendo campanha principalmente para o ex-presidente Lula (PT). No Nordeste, em particular, a tática é vista como crucial para aumentar a popularidade de Alckmin.

“Dono” da coligação formada pelo maior número de partidos, Alckmin não tem visto grande parte de seus aliados fazerem campanha para ele nos estados. O centrão – bloco formado por DEM, PP, Solidariedade, PR e PRB – liberou seus diretórios para formar coligações locais conforme seus interesses. Por isso, em diversos estados, sobretudo no Nordeste, líderes dessas siglas apoiam outros candidatos à Presidência.

Senador que indicou a vice de Alckmin diz que vai votar em Lula

No caso mais emblemático, no Piauí, o senador e candidato à reeleição Ciro Nogueira (PP) declarou voto no ex-presidente Lula, mesmo tendo indicado a senadora Ana Amélia (PP-RS) para o posto de vice do tucano. Embora condenado e preso pela Lava Jato, Lula foi registrado pelo PT como candidato ao Planalto.

No Maranhão, a situação é descrita como “terra arrasada” por correligionários. Os cinco partidos do centrão apoiam a reeleição do atual governador, Flávio Dino (PCdoB).

“Claro que eles não vão pedir voto para o Geraldo no palanque. O centrão no Maranhão é vermelho. O tempo de TV que eles estão dando para Dino vai servir para ele pedir voto para o Lula e para o Ciro [Gomes, do PDT]”, disse o senador Roberto Rocha, presidente do PSDB-MA, que lançou candidatura ao governo para dar palanque a Alckmin no estado. “Se não fosse por nós, Geraldo não teria nem um lugar para tomar um copo d’água aqui.”

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Principal estratégia do PSDB é dar visibilidade a Alckmin. Evitar as traições fica em segundo plano

Entre as demandas apresentadas a dirigentes do PSDB e do DEM em reunião na quarta-feira passada (22), em São Paulo, estão a logística de distribuição de material de campanha, reuniões com líderes da coligação, carreatas, caminhadas e “adesivaços”.

Também devem ser feitas atividades com ou sem a presença de Alckmin e de Ana Amélia, além de agendas de mobilização para criar “um ambiente de campanha”, nas palavras do presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto, que coordena a coligação do presidenciável tucano.

“Evitar a traição não dá, porque as traições são públicas. Está todo mundo tentando salvar sua própria pele. O objetivo é fazer a campanha de Geraldo acontecer em qualquer hipótese”, afirmou o deputado federal João Gualberto, presidente do PSDB da Bahia.

Segundo Gualberto, uma medida a ser adotada no estado será a confecção de santinhos com Alckmin ao lado dos candidatos a deputado e a governador. O problema é que na Bahia, PP e PR comandam secretarias estaduais e apoiam a reeleição do governador Rui Costa (PT).

O deputado federal Marcus Pestana (MG), secretário-geral do PSDB, minimizou a situação. “Poucos partidos são orgânicos no país”, disse Pestana. Para ele, “com o crescimento do Alckmin após o início do programa na TV, será criada uma a expectativa de poder e, naturalmente, haverá um alinhamento” entre as legendas.

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