Ciro: Alckmin ‘dá sono’, PT comete fraude, Haddad é ‘pequeno’ e Alvaro, ‘deplorável’

O candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes, acionou sua metralhadora verbal durante campanha neste sábado, em São Paulo. Ele atacou a maioria de seus principais adversários. Disse que Geraldo Alckmin (PSDB) dá sono. Acusou o PT de cometer fraude ao empurrar a candidatura de Lula até o último instante. Chamou o provável substituto de Lula, Fernando Haddad, de “pequeno”. Classificou Alvaro Dias (Podemos) como “eticamente deplorável”. E disse que é preciso ter muito calma para atacar Jair Bolsonaro (PSL) nos debates: “Se um cara experiente como eu partir para cima dele, parece arrogância”.

Ciro minimizou o pouco tempo que terá na programa eleitoral do rádio e TV: 38 segundos, contra  5 minutos e 32 segundos de Geraldo Alckmin. “Imagina [ver] o Alckmin seis minutos por dia. Vai dar para dormir”, provocou o pedetista. Minutos antes, disse a jornalistas: “Um só candidato que tem o poder, tem o dinheiro, que tá na sombra das estruturas de corrupção do Brasil, tem metade desse tempo todo [de TV]. Mas o que importa não é ter muito tempo, é ter o que dizer para mudar o Brasil”.

Ciro: fraude do PT pode levar ao Planalto um presidente “pequeno”

O PT também foi alvo da língua do candidato do PDT. “O que pode nos prejudicar, no campo progressista [de esquerda], é a fraude que a cúpula petista comete mantendo a ilusão de que o ex-presidente Lula vai ser candidato”, afirmou Ciro.

O pedetista também afirmou que Fernando Haddad seria um presidente “pequeno” se vier a ganhar a eleição no lugar de Lula. “O PT sabe que Lula estará impedido e, ainda assim, a lógica deles é criar uma comoção no eleitorado para eleger Haddad. Se isso acontecer, vão eleger um presidente pequeno”, afirmou. “Se der certo [a estratégia do PT], não pode dar certo. O que quero dizer com isso: se ele vencer, será um presidente desse tamaninho.” Para Ciro, Haddad não teria o capital político do ex-presidente para fazer avançar a agenda do PT. 

O pedetista ainda ressaltou que tem absoluto respeito pelos eleitores de Lula. E disse que espera que um dia “a ficha ainda vá cair”, de que os PT não está pensando no Brasil nesta eleição.

Sobre Bolsonaro e Alvaro Dias, Ciro Gomes deu declarações mais curtas. Disse entender que Alvaro Dias é “deplorável” do ponto de vista ético. E reclamou que, se vier a criticar Jair Bolsonaro nos debates, será chamado de arrogante.

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Ciro propõe ‘reestatização’ da Petrobras, revogação do teto de gastos e ensino integral em metade das escolas

Ciro Gomes também falou de algumas de suas propostas para o país durante ato de campanha em São Paulo.

“É provável que o Brasil se torne a maior reserva de petróleo do mundo em pouco tempo”, disse, argumentando sobre a necessidade de o país apostar em estatais como a Petrobras. Para o pedetista, é necessário trazer a Petrobras “de volta ao controle estatal efetivo e melhorar a governança”, pois a companhia é uma das poucas empresas atreladas ao governo em que há autonomia e potencial de crescimento, assim como a Embraer no setor de aviação.

Questionado sobre a indústria, Ciro destacou a importância do agronegócio, não como gerador de empregos, mas na posição de liderança na geração de superávit através das exportações. No entanto, o candidato afirmou que há sinais de que o país está perdendo oportunidades de embarcar produtos industrializados ao vender a matéria-prima, algo que está em vias de acontecer no setor sucroenergético. “A China está procurando o Brasil para comprar cana in natura. O Brasil, ao invés de produzir açúcar e álcool para exportar, está quase na iminência de vender a cana bruta”, citou. “Eu e Kátia Abreu [candidata a vice] queremos criar uma estratégia que concilie os interesses do agronegócio”, acrescentou.

Ciro Gomes também reforçou a necessidade de revogar a Emenda Constitucional 95, que instituto o teto de gastos públicos para setores como saúde e educação. “O presidente Michel Temer está proibindo o Brasil de expandir, até 2030, áreas de necessidade básica incluindo, também, infraestrutura, segurança e habitação. Mais da metade do orçamento da União está comprometida com juros e rolagem de dívida”, afirmou.

Na educação, Ciro reafirmou que é possível utilizar “boas práticas” adotadas durante seu governo do estado no Ceará e aplicar a nível nacional. “Vamos criar um retreinamento do magistério brasileiro”, disse. Prometeu que 50% das escolas públicas vão ofertar ensino integral. Para isso, disse que vai atacar o “subfinanciamento” do setor. “Com isso, poderemos zerar a demanda formal por creches e avançar nas escolas de tempo integral no Brasil.”

Com relação à infraestrutura, o presidenciável afirmou que há cerca de 40 mil projetos de habitação do programa Minha Casa Minha Vida que estão paralisados, assim como obras de expansão da BR-163, que liga o Mato Grosso ao Norte do País. “Precisamos de financiamento, seja através do Banco Mundial, Caixa Econômica ou outras instituições.”

“Se houver problemas, chamo a população por meio de plebiscitos”

Ciro Gomes também afirmou que, se for eleito, pretende estabelecer um diálogo com diversos setores da sociedade para solucionar os problemas do país, como os acadêmicos e o empresariado. Mas assegurou que, se não houver diálogo, quem vai decidir pode ser a população. “Se houver maiores problemas, chamo a população por meio de plebiscito.”

Sobre a classe política, Ciro afirmou que precisará de apoio no Congresso Nacional. “Não me mandem para Brasília de mãos e pernas amarradas. Preciso de uma turma no Congresso para poder trabalhar”, acrescentou.

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