2.º turno entre Bolsonaro e Haddad seria ‘celebração’ da militância e da rejeição

As pesquisas, os números, as análises e projeções do que vai acontecer nestas eleições estão aí.  Opiniões para os gostos mais distintos. Tipo: Geraldo Alckmin (PSDB) com seu tempo de rádio e TV pode tirar Jair Bolsonaro (PSL) do segundo turno. Ou não. Que Lula terá dificuldade em transferir votos para Fernando Haddad (PT). Ou não. E que Marina Silva (Rede) ou Ciro Gomes (PDT) podem surpreender sem Lula no pleito. Ou também não . 

Duas candidaturas, porém, têm um certo monopólio neste pleito. Estamos falando da de Jair Bolsonaro e a do PT, seja com o ex-presidente Lula ou Fernando Haddad. Somente esses dois polos contam com militantes. Nenhum outro tem esse “plus”. O resto tem lá seus exércitos de Brancaleone a acompanhá-los na rua. Meia dúzia. Não passa disso. 

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Bolsonaro tem experimentado nos últimos dois anos a aglomeração popular em torno de si. É celebrado e cultuado por onde passa. É recepcionado por pequenas multidões nos aeroportos. Há algum tempo seu gabinete em Brasília é alvo de romaria. Formam-se fila na porta. O acirramento dos debates, os ataques dos adversários e a aproximação do dia da votação devem aumentar o cordão da militância ao seu redor. 

As ruas não são novidades para o PT, partido conhecido por uma militância aguerrida. É assim desde 1989, na volta das eleições diretas para presidente, quando seu candidato foi…Lula. Trinta anos depois, o maior líder petista quer ser candidato de novo. Não deverá lograr êxito, como se diz, na Justiça. Mas parte do povo petista está na rua por ele. Assim ficou constatado com o ato do registro de sua candidatura no TSE, há duas semanas. E assim deve permanecer por Haddad.

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Diametralmente opostos, bolsonaristas e petistas não guardam a mínima semelhança. Se é que se faz necessária essa observação. São bem diferentes. Na estampa, no discurso, no que defendem e no que desejam para o país. Jamais se juntariam numa mesa de bar. Exceto para quebrá-la numa troca de sopapos. É o que se espera que não façam, caso os dois lados venham a se enfrentar no segundo turno. 

Mas Bolsonaro versus Haddad no segundo turno seria uma “celebração” da militância nas ruas. Pode ser um critério de desempate. Ainda que a força das redes sociais esteja aí. E os dois lados são bons nisso. 

Uma disputa final entre Bolsonaro e Haddad seria também uma campanha de rejeição. Há quem não queira nenhum dos dois. E não é pouca gente. Bolsonaro lidera essa rejeição: 37% dos eleitores dizem que não votam nele de jeito nenhum, segundo a última pesquisa Ibope. Mas o PT não está tão atrás assim. Lula tem rejeição de 30%. E Haddad, embora apareça com apenas 16%, tende a herdar do ex-presidente a antipatia de grande parte dos eleitores – do mesmo modo que pode ganhar votos pelo outro lado.

Jogo jogado. É aguardar as urnas.

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Metodologia da pesquisa Ibope citada no texto

O Ibope ouviu 2.002 eleitores entre os duas 14 e 20 de agosto em todas as regiões do país. A pesquisa, encomendada pela TV Globo e o jornal O Estado de S. Paulo, tem margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais e para menos. O nível de confiança do levantamento é de 95%, o que significa que, se a pesquisa for feita 100 vezes com a mesma metodologia, em 95 das vezes os resultados estarão dentro da margem de erro. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-01665/2018.

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