Fim de semana dos presidenciáveis: o que você precisa saber se perdeu o noticiário

Os candidatos a presidente dos maiores partidos e coligações aproveitaram o último fim de semana antes do início do horário eleitoral no rádio e na televisão para percorrer o país em busca de votos. São Paulo foi o estado escolhido pela maior parte dos candidatos: Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL) tiveram agenda pública em cidades paulistas. Fernando Haddad (PT), que faz campanha em nome do ex-presidente Lula, foi o único a visitar o Nordeste; esteve no Maranhão. Alvaro Dias (Podemos) optou por Minas Gerais. E Henrique Meirelles esteve na Região Sul (Rio Grande do Sul e Paraná).

Confira o que fizerem e o que prometeram os principais candidatos a presidente neste fim de semana:

Jair Bolsonaro

No sábado (25), Jair Bolsonaro (PSL) iniciou agenda em Barretos, interior de São Paulo, com visita ao Hospital de Amor – novo nome do Hospital de Câncer da cidade, referência no tratamento da doença. “Já temos mais de 120 deputados do nosso lado. Sem o toma lá dá cá”, disse ao chegar ao hospital, sobre como governar mesmo não tendo uma grande coligação.

Questionado sobre o seu posicionamento em relação aos rodeios – apontados por entidades de proteção animal como locais de maus-tratos aos touros e cavalos –, Bolsonaro disse defendê-los. “Já é a terceira vez que vou comparecer [à Festa do Peão]. Sou do interior de São Paulo, fui muito bem recebido nas vezes anteriores, votei favoravelmente à proposta de emenda nesse sentido e faz parte da cultura popular.”

Ainda em Barretos, Bolsonaro disse que a região “já foi” do PSDB. “Se acreditava que o PSDB era oposição ao PT. Não é e nunca foi, tanto que o Fernando Henrique Cardoso declarou que, em um segundo turno, se uniria ao PT para derrotar Jair Bolsonaro”, disse o presidenciável, que também acredita que FHC não precisará “se dar o trabalho porque nós venceremos no primeiro turno”.

Questionado sobre uma possível participação de Lula na eleição, disse que seria uma situação desmoralizante para a Justiça. “Não só a eleitoral, como [também para] o Supremo Tribunal Federal, caso havendo recurso e o Supremo dê ganho de causa a esse condenado aí, o senhor Lula.” “É bem claro lá [na lei] que a pessoa punida por um crime como esse que ele cometeu, transitado em julgado em segunda instância, fica inelegível até o final do cumprimento da pena”, disse sobre a situação legal de seu adversário.

A campanha de Bolsonaro não divulgou suas atividades de campanha no domingo (26).

LEIA TAMBÉM: A ‘pedra no sapato’ de cada candidato a presidente, segundo o Ibope

Marina Silva

No sábado (25), Marina Silva (Rede) realizou sua primeira agenda de rua. O evento aconteceu na Praça 22 de Novembro, em Mauá, município da Região Metropolitana de São Paulo. Em seu discurso, a candidata criticou aquilo que ela chamou de “partidos da velha polarização” que, segundo ela, teriam articulado para obterem “todo o tempo de TV e os recursos”. “Eu não tenho medo dos milhões. Os nossos tostões vão vencer a mentira”, afirmou a candidata. “Não vai ser dinheiro, marqueteiro e Centrão que irá vencer a população”, completou.

Marina voltou falar em políticos que “optaram pelo centrão ao invés do povo” (sem citar o nome de Geraldo Alckmin, do PSDB, candidato apoiado pelo centrão). Ela também disse que PT, PSDB, PMDB E DEM já tiveram suas oportunidades, mas preferiram tratar de interesses próprio do que do povo.

Ao falar de projetos de governo, Marina criticou o que chamou de “propostas sem propósito”. “Muita gente apresenta um rosário de propostas. Nós também temos as nossas, mas é preciso olhar muito bem. Propostas não podem estar separaras de propósitos. Os propósitos é que orientam as propostas. Quando as propostas são apenas palavras, podem olhar que a forma para ganhar o poder é muito parecida com aquela forma que levou o Brasil para o fundo do poço.”

A candidata revelou uma de suas propostas para criação de emprego: a instalação de 1,5 milhão de tetos solares. Segundo ela, além dos benefícios para o meio ambiente o projeto criaria muitas vagas de trabalho.

No domingo (26), Marina de uma roda de conversa com mulheres do Capão Redondo, bairro da zona sul de São Paulo. Organizado pela ONG Universidade da Correria, o encontro aconteceu em uma residência comum, de uma não militante. Mais do que isso, a cabeleireira Evelyn Deise, 35 anos, uma das proprietárias da casa que ofereceu o espaço para o diálogo foi eleitora da presidente cassada Dilma Rousseff e é simpática ao ex-prefeito de São Paulo e vice na chapa petista, Fernando Haddad. “Ainda estou pensando em quem vou votar dessa vez”, comentou Evelyn.

O bate papo aconteceu com cerca de 20 mulheres e moradoras da região. Marina falou um pouco de sua história e respondeu perguntas sobre saúde, educação, empreendedorismo e economia. Ao ser questionada sobre aumento do salário mínimo, a candidata não se comprometeu com um valor específico, mas prometeu trabalhar para manter o poder aquisitivo do salário mínimo. Ela criticou o legislativo e o judiciário por se concederem aumentos em momento de crise.

Perguntada sobre a possibilidade de ganho real do salário mínimo, Marina voltou a dizer “vai trabalhar para que a economia volte a crescer para que as pessoas tenham um salário justo” e que o compromisso “é de manter o poder de compra do cidadão”.

No final do evento, Marina ressaltou que a participação das moradoras no encontro não significa alinhamento político imediato delas em relação à sua candidatura. “Eu estou aqui para selar um compromisso de políticas públicas com as periferias”, disse. Ela também afirmou que pretende construir casas populares integradas com o transporte público e com saneamento básico”.

SAIBA MAIS: TV x redes sociais: as estratégias dos candidatos a presidente

Ciro Gomes

No sábado (25), Ciro Gomes (PDT) participou de evento com militâncias das redes sociais na Via Matarazzo, casa de show em São Paulo (SP). Na ocasião, criticou os adversários na corrida presidencial. Ele afirmou que Geraldo Alckmin (PSDB) “dá sono”, que o PT comete fraude ao empurrar a candidatura de Lula até o último instante e que Alvaro Dias (Podemos) é “eticamente deplorável”. Sobre Bolsonaro, disse: “Se um cara experiente como eu partir para cima dele [em debates], parece arrogância”.

Sobre a Petrobras, afirmou que “é provável que o Brasil se torne a maior reserva de petróleo do mundo em pouco tempo”, daí a necessidade de apostar em companhias como a estatal brasileira. Para o pedetista, é necessário trazer a Petrobras “de volta ao controle estatal efetivo e melhorar a governança”, pois a companhia é uma das poucas empresas atreladas ao governo em que há autonomia e potencial de crescimento, na sua visão.

Ciro reforçou, ainda, a necessidade de revogar a Emenda Constitucional 95, que contingencia gastos para setores como saúde e educação. “O presidente Michel Temer está proibindo o Brasil de expandir, até 2030, áreas de necessidade básica incluindo, também, infraestrutura, segurança e habitação. Mais da metade do orçamento da União está comprometida com juros e rolagem de dívida.”

No domingo (26), Ciro continuou São Paulo. Em evento de campanha, criticou os bancos. Reiterando o discurso em favor do aumento da concorrência no setor, o presidenciável afirmou que, uma vez eleito, vai envolver imediatamente Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil em uma estratégia de aumento da competitividade, com a prática de juros menores. “Eu vou quebrar o cartel dos bancos. Vou quebrar pesadamente, já no primeiro dia”, disse Ciro, que fez uma visita a uma feira livre na região de Itaquera.

Ciro acrescentou que seu plano para reduzir juros e estimular o consumo vai contemplar ainda medidas como a regulamentação de Fintechs (empresas do setor financeiro que atuam apenas pela internet) e a já anunciada retirada do nome dos brasileiros da lista do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Ele voltou a defender este último projeto, batizado de Nome Limpo, reforçando que “não se trata de dar dinheiro”, mas sim de renegociar dívidas de forma a destravar a economia.

Geraldo Alckmin

No sábado (25), Geraldo Alckmin (PSDB) visitou Ribeirão Preto (SP) e falou sobre reforma política e energia solar. Ele disse que, se eleito, vai enviar ao Congresso em janeiro de 2019 uma proposta de reforma política capaz de reduzir o número de partidos no país. A proposta vai incluir voto distrita e facultativo e cláusula de barreira para os partidos. Mesmo com nove partidos suportando sua campanha, Alckmin defendeu o mínimo de legendas possível e citou países em que duas ou três forças disputam o poder. “Não pode um sistema político errado dar bons frutos; a fragmentação leva à ingovernabilidade.”

Após defender suas posições sobre reforma política, Alckmin negou que tenha receio de perder votos para o candidato a presidente do PSL, Jair Bolsonaro, no interior de São Paulo, afirmando que está percorrendo todo o Brasil, sem focar especialmente em seu estado. “Não vamos resolver os problemas do Brasil à bala, com violência. Nós vamos resolver é com eficiência, com competitividade, com reformas que o Brasil precisa.”

Sobre novas fontes de energia, disse que o potencial de geração de energia solar no Brasil é capaz de fazer zerar a conta de luz dos brasileiros e que as pessoas até “poder vender energia” gerada em suas casas. “O Brasil tem tudo para ser o campeão da energia limpa, da energia renovável. Aqui em Ribeirão Preto com o etanol, que é um exemplo. A gente (vai) fortalecer o setor de álcool combustível no País inteiro, mais barato e mais limpo. Energia eólica (está) crescendo muito no Nordeste e no Rio Grande do Sul. Energia solar: tem país mais ensolarado do que o Brasil? Nós podemos, inclusive a pessoa, a residência, a conta ser mais barata ou até de graça, poder vender energia.”

No domingo (26), Alckmin mostrou otimismo com o início da campanha eleitoral no rádio e na TV (o tucano é o candidato a presidente com direito a mais tempo de propaganda). A propaganda eleitoral gratuita começa na próxima sexta-feira (31). “Agora é que vai começar a campanha eleitoral. Agora é que vamos saber quem efetivamente vai ser candidato”, afirmou Alckmin, que fez uma visita a Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. “Agora é que começa a reflexão. A população brasileira, corretamente, está mostrando, até pelo seu sofrimento, que ela vai refletir, refletir, refletir, para decidir mais à frente.”

Alckmin também voltou a prometer a criação de linhas de crédito com juro zero, voltadas ao microempreendedor. De acordo com ele, a ideia é repetir a experiência do programa semelhante implementado durante sua gestão à frente do governo de São Paulo. “De cada 10 empregos criados no Brasil, 9 foram criados por micro e pequenas empresa. Vamos colocar o BNDES, o crédito, a favor do pequeno. Facilitar, desburocratizar”, afirmou. “Vamos ter o maior programa de microcrédito do Brasil, para o empreendedorismo, para a pessoa montar seu negócio, ter capital de giro, e rapidamente voltar a trabalhar.”

Fernando Haddad

No sábado (25), Fernando Haddad (PT), que é o porta-voz do ex-presidente Lula, visitou a cidade de Viana, no Maranhão, dando sequência à campanha pelo Nordeste, e defendeu a geração de empregos, a educação e a necessidade de reformas tributárias. O presidente Lula é obcecado por geração de emprego. Se não fosse o diploma de torneiro mecânico e o emprego de metalúrgico, ele não teria chegado à Presidência da República”, disse Haddad. O candidato lembrou que, quando foi ministro da Educação, ele e o Lula criaram 214 institutos federais pelo país para que os jovens pudessem ter educação de qualidade.

Haddad também destacou que, em um eventual terceiro mandato de Lula, haverá reformas tributárias para que o Brasil volte a seu antigo patamar de desenvolvimento econômico. “Quem ganha até cinco salários mínimos não vai mais pagar imposto de renda e isso não é capricho. Com isso, o empresário vai ter que contratar mais funcionários. E é assim que a economia vai voltar a girar. O rico vai voltar a pagar imposto de renda aqui.”

O PT e Fernando Haddad não divulgaram quais foram as atividades de campanha neste domingo (26).

Alvaro Dias

Alvaro Dias (Podemos) fez campanha no fim de semana em duas cidades mineiras, Uberlândia e Belo Horizonte. Em Uberlândia, visitou no sábado (25) uma ONG voltada para o atendimento de crianças e as obras paradas do que seria o segundo maior hospital de Minas Gerais. “O esqueleto do Hospital Federal de Uberlândia é só um dos milhares de elefantes brancos espalhados pelo país”, criticou Alvaro.

Na capital de Minas Gerais, em visita ao Mercado Municipal neste domingo (26), afirmou que o país precisa aumentar o “leque de exportações do Brasil para além dos produtos tradicionais, como a soja”. Ele ainda fez um trocadilho com seu slogan de campanha, a “refundação da República”. “E, com a refundação da República, queremos plantar oportunidades para vencermos a enorme desigualdade que existe no nosso país.” Prometeu ainda reduzir os juros e os impostos, além de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais.

O presidenciável também se reuniu com os prefeitos de Belo Horizonte (Alexandre Kalil) e de Betim (Vittotio Mediolli). O presidenciável relatou que Kalil, na conversa, criticou as alianças feitas com o centrão (grupo de partidos que aderiu à campanha do tucano Geraldo Alckmin). Alvaro relatou, em suas redes sociais, que o prefeito de Belo Horizonte afirmou que essa aliança era o “abraço dos afogados”. “O prefeito disse ainda que honestidade e propostas de mudança vão definir o apoio dele na sucessão presidencial”, afirmou Alvaro.

Henrique Meirelles

O candidato do MDB, Henrique Meirelles, fez campanha no Sul do Brasil neste fim de semana. No sábado (24), ele esteve em Caxias do Sul (RS). No domingo (25), visitou em Cascavel, no Oeste do Paraná. Em evento de campanha, contou sua trajetória de grande executivo de um banco internacional (ele foi presidente mundial do Bank Boston) a home público que, segundo ele, ajudou o país a colocar o país no rumo do crescimento (como presidente do Banco Central de Lula e ministro da Fazenda de Michel Temer). Prometeu criar 10 milhões no Brasil porque tem competência para trazer investimentos internacionais para o país. Ele também assumiu o compromisso de “fazer tudo o que é necessário no estado [do Paraná]”.

Mais na Gazeta do Povo!

Mais...


Leia Também:
Anterior:

Próxima: