Ciro Gomes é o primeiro presidenciável entrevistado no Jornal Nacional. Veja o que ele disse

O Jornal Nacional começou a série de entrevistas entre os presidenciáveis. O candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes, foi o primeiro entrevistado nesta noite de segunda-feira (27).

Ao ser questionado sobre corrupção pela jornalista Renata Vasconcelos por ter dito anteriormente que Lupi terá o cargo que quiser em seu governo, Ciro foi enfático: disse que confia cegamente no presidente do PDT, acusado por colaboradores da Odebrecht de receber recursos ilegalmente. O apresentador Willian Bonner insistiu na contradição do presidenciável, que afirmou defender o combate à corrupção, afirmando que Lupi é réu em ação na Justiça.

“Ele não é réu”, rebateu Ciro. Bonner reafirmou: “Estou lhe dizendo que ele é réu”. Ciro manteve a posição, dizendo que Lupi é uma pessoa de bem, embora o aliado responda sim na Justiça.

Jornal Nacional faz entrevistas com candidatos à presidência: veja a ordem das sabatinas

Lupi é investigado em uma ação civil pública por improbidade administrativa em tramitação na 6ª Vara Federal de Brasília. A acusação do Ministério Público Federal (MPF) é de que ele teria viajado, em 2009, para agendas oficiais como ministro do Trabalho em uma aeronave alugada pelo dono de uma empresa que tinha interesse em contratos com a pasta. Esse foi o principal motivo que levou Dilma Rousseff a demitir Lupi do ministério, em 2011. A acusação foi oferecida em 2012 e aceita em 2015.

Há ainda um outro inquérito em que o presidente do PDT e o tesoureiro da legenda, Marcelo Oliveira Panella, são investigados por suposta compra de apoio de partidos à chapa da ex-presidente Dilma Rousseff em 2014. Ambos negam as acusações. O inquérito foi aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em junho do ano passado, mas desceu para o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em abril deste ano.

Lava Jato

O candidato afirmou que apoia o trabalho da Lava Jato, mas como uma ressalva: “Só prestará se for vista como [uma operação equilibrada] e o PSDB não tem nenhum na cadeia apesar de mil demonstrações do contrário”.

Ainda sobre o tema corrupção, ele comentou o fato de ter chamado o presidente Michel Temer de quadrilheiro. “Ele foi acusado pela procuradoria e formalmente por corrupção. Não é o caso do Lupi. O Sr. Temer tem ao seu redor corruptos notórios”, afirmou citando os nomes de Gedel Vieira, Eduardo Cunha, Padilha e Moreira Franco.

Promotores na caixinha

Sobre as declarações recentes de que iria colocar o Ministério Público na caixinha, Ciro Gomes tentou amenizar a situação, afirmando que precisa falar de uma maneira que o “povo entenda”. Ele disse que em interação com o Poder Legislativo, pretende fazer com que cada um “faça sua tarefa”. “Quando [o MP e os procuradores] extrapolam, perdem a nobreza de vigiar o interesse público.

Ele chamou de esquizofrênico o caso da decisão de soltura de Lula, ordenada pelo magistrado de 2º grau Rogério Favreto no TRF4 e rejeitadas pelo juiz Sério Moro, de 1º grau, e pelo juiz relator da Lava Jato no TRF4 João Pedro Gebran Neto.

Aliança com PT e SPC

Ciro desmentiu que tivesse esperança de fazer uma aliança com o PT primeiro turno. “Nunca imaginei que deixariam de ter candidato próprio. Gostaria de fazer, mas isso será no segundo turno”, comentou. Para ele, que já disse que se sentiu traído pelo partido, Lula foi um bom presidente: “E o povo sabe disso. Há seis anos, estavam com condições melhores. Agora foi tudo perdido”.

Os apresentadores colocaram como simplista a forma como Ciro apresentou uma dos principais propostas de campanha: a de tirar o nome de cidadãos do SPC, que na verdade é uma forma de renegociar dúvidas.

“Isso depende de bancos e da capacidade de financiamento do cidadão”, questionou Bonner. Como resposta, Ciro disse: “Fui o governador mais popular e não porque fiz milagre, e sim vou ajudar a tirar o seu nome do SPC”, disse virando para a câmera.

Ele continuou a ser questionado e, então, resolveu entregar “em primeira mão” o livreto de campanha para Bonner se informar. Ele argumentou que o refinanciamento já ‘livrou milhões’ para os ricos e não sabe por que está sendo atacado agora ‘que quer ajudar os pobres e a classe média’, em suas palavras.

A ‘vice ruralista’ de Ciro

Questionado sobre sua vice de chapa, Katia Abreu ,apresentar-se como apoiadora do agronegócio -e que nas palavras de Bonner já foi classificada como “Miss Desmatamento” pelo Green Peace – ele disse que as ideias estão afinadas. A exemplo de Lupi, ele defendeu a vice:

“Ela conhece a economia rural. Foi Ministra da Agricultura. Votou Contra o Golpe. Ela me completa”, garantiu.

Ciro comparou sua união com a do ex-presidente Lula, que teve como vice José de Alencar, um empresário.

Ao final, ele ainda admitiu que, em sua gestão, poderá fazer plebiscitos para definir sobre temas polêmicos, sem citar as questões do porte de armas ou aborto, por exemplo.

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