Cartilha do ‘kit gay’ e Renata ganha menos que Bonner. O que Bolsonaro disse no JN?

No segundo dia de entrevistas com presidenciáveis no Jornal Nacional, o candidato do PSL Jair Bolsonaro fez inúmeras declarações polêmicas. Ele inclusive levou ao JN uma cartilha que as câmeras evitaram focar, e que se referiam ao que o próprio candidato elencou como “kit gay” que teria sido apresentado por ativistas do setor LGBT no 9º Seminário LGBT infantil. “Tirem o filho da sala para não ver esse livro. Um pai não quer encontrar filho com boneca por influência da escola”, disse o candidato.

Perguntando por Renata Vasconcelos sobre igualdade de gênero e por que teria dito que não contrataria mulheres se fosse empresário, Bolsonaro questionou a pergunta. A apresentadora retomou a palavra e disse que o IBGE mostra que as mulheres ganham 25% menos que os homens. O candidato rebateu:

“É uma questão de competência e na CLT já está que o salário deve ser compatível. Por que o Ministério Público não age? Basta as mulheres denunciarem. Estou vendo uma senhora e um senhor (se referindo a Bonner e Renata). E parece que tem diferença salarial”.

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Neste momento, Renata Vasconcelos ‘deu uma dura’ no candidato. Disse que como contribuinte paga o salário do deputado e completou: “O meu salário não diz respeito a ninguém, e não aceitaria salário menor que tem alguém com as mesmas funções”.

Menos direitos trabalhistas

A sabatina continuou áspera e Bonner perguntou ao candidato quais direitos retiraria dos trabalhadores se fosse eleito presidente, uma vez que Bolsonaro argumentou que os trabalhadores teriam de escolher entre menos direitos ou maior desemprego.

“Quem tira direito não é o chefe do Executivo”, disse Bolsonaro, indicando que qualquer mudança trabalhista teria de passar pela Câmara e Senado. Ele acabou não respondendo a pergunta.

Sobre a PEC das Domésticas, que determinou novas obrigações trabalhistas para essa modalidade de trabalho, Bolsonaro tentou explicar por que votou contra como deputado.

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“Fui o único a votar contra em dois turnos para proteger os mesmos direitos. [O projeto] levou milhões de senhoras a serem diaristas e agora não estão recolhendo previdência. Muitos [patrões] tiveram que demitir porque não tinham como pagar”, afirmou Bolsonaro, indagando Bonner: “Que tal dar todos direitos trabalhistas para as Forças Armadas, como seria?”.

O apresentador disse que não foi essa a questão e Bolsonaro sustentou: “Houve sim demissão. Quem dormia no trabalho passou a não dormir mais. Perderam o café da manhã que faziam para os patrões. Perderam o serviço”.

Economia e segurança

Ao admitir que não é bom entendedor de economia, Bolsonaro garantiu que ‘namorou e tem um casamento’ com o economista Paulo Guedes. Bonner questionou se esse relacionamento não poderia acabar em algum momento. O candidato respondeu: “Você não entra em um casamento pensando em colocar outra mulher no meio”.

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Os apresentadores ainda perguntaram como o presidenciável iria combater a violência e Bolsonaro insistiu que é preciso armar melhor as forças de defesa. Ele disse ainda que o Brasil pacificou o Haiti porque “lá os militares atiravam e depois iam ver o que aconteceu”.

Novo ou velho?

Perguntado por Willian Bonner e Renata Vasconcelos sobre como poderia ser apresentado como um candidato novo se trabalha há 27 anos com política. Ele respondeu que nem ele nem seus três filhos (um deputado federal por São Paulo, outro estadual pelo Rio de Janeiro e outro vereador da capital fluminense) nunca responderam por corrupção.

Os apresentadores emendaram como poderia ser caracterizado como ‘novo’ um candidato que dispensou apartamento funcional e recebia R$ 3,8 mil de auxílio moradia ao mesmo tempo.

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“Agora vão me desqualificar, e a pejotização de vocês é legal? Nunca tive um cargo de secretário em município ou estado”, rebateu. Ele argumentou que “estava em um cubículo de 70 metros quadrados” e que usava o dinheiro para pagar IPTU e condomínio.

A exemplo do que fez na GloboNews, Bolsonaro ainda fez questão de lembrar um editorial do jornal O Globo assinado pelo jornalista Roberto Marinho, já falecido, que apoiou a ditadura militar iniciada em 1964. Ao final do jornal, Bonner leu uma nota do grupo Globo comentando o fato e defendendo a democracia.

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