Mesmo com vice de Alckmin, PP gaúcho se mostra simpático a Bolsonaro

Simpática a Jair Bolsonaro (PSL), uma ala do PP gaúcho resiste a apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência mesmo tendo sua principal liderança, a senadora Ana Amélia, na vice da chapa tucana.

Partido com o maior número de prefeituras no Rio Grande do Sul (143 de 497), o PP se preparava para lançar o deputado Luiz Carlos Heinze ao governo como palanque para Bolsonaro no estado.

Ana Amélia, no limite do prazo, resolveu abrir mão de tentar se reeleger para embarcar na campanha de Alckmin. O ex-prefeito de Pelotas Eduardo Leite (PSDB), então, lançou-se candidato a governador pelo grupo e Heinze, ao Senado.

A jogada desmontou o palanque de Bolsonaro no estado. Na região Sul, ele lidera com 28%, segundo o Datafolha. Alckmin tem 5%. Mas sofre boicote por parte do PP.

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“A gente não manda nos partidários, tem gente que não aceita, ok? É uma posição particular de cada um”, disse Heinze nesta terça-feira (28).

Ele participou do primeiro ato de campanha ao lado de Leite, Ana Amélia e Alckmin em Canoas (RS), num jantar com lideranças políticas.

Mas chegou à megafeira Expointer, de agronegócio, em Esteio, quando o grupo estava de saída. Nesta quarta-feira (29), ao contrário, programou-se para acompanhar toda a visita de Bolsonaro ao evento.

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“Estamos há cinco mandatos juntos, entendeu?”, disse o deputado gaúcho, membro da bancada ruralista no Congresso. O capitão está em seu sétimo mandato na Câmara.

Questionado se a decisão de Ana Amélia foi acertada, Heinze deu seu recado.

“Pergunta para ela, ela que tem que responder”, afirmou. “Tinha uma eleição para o Senado, não vou dizer garantida, porque não tem jogo ganho, mas estava muito bem posicionada nas pesquisas e fez essa opção de apoiar um candidato que está com posição minoritária não apenas no Rio Grande do Sul, como no Brasil inteiro.”

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A ala bolsonarista do PP não diz com quantos prefeitos conta, mas é ruidosa.

Questionado na segunda (27), em Porto Alegre, sobre o racha, Alckmin foi cauteloso. “Em política, a gente não obriga. A gente conquista. Não tenho dúvidas que vamos crescer muito nesta campanha.”

Indagado sobre o bolsonarismo no Rio Grande do Sul, Eduardo Leite o associou ao PT, rejeitado no estado. “Os petistas acirraram os ânimos com a campanha do nós contra eles, dos ricos contra os pobres. Hoje nós colhemos os frutos da política da divisão.”

“Com seu discurso radical, Bolsonaro é entendido pelos antipetistas mais radicais como quem vai chutar o pau da barraca, mas eles não percebem que a barraca cairá na cabeça da gente.” Ele aposta no tempo de televisão para alavancar a sua candidatura, assim como a de Alckmin.

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Em giro pelo estado, o presidenciável tucano balançou a bandeira do agronegócio.

A equipe do candidato avalia ter apoio da elite ruralista, mas não de sua base, hoje próxima a Bolsonaro. Para aumentar sua visibilidade, pretende apresentar como cartão de visita Ana Amélia, ligada ao setor desde o tempo em que atuava como jornalista.

O racha no PP não é exclusividade do diretório gaúcho. O próprio presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), declarou voto em Lula (PT), forte no Nordeste.

Com o centrão, Alckmin passou a enfrentar traições e resistências. Mas a campanha considera que é o tempo de TV da coligação seu trunfo.

Em Caxias do Sul, na manhã de terça, Alckmin frustrou empresários e produtores rurais que consideraram sua fala na área da segurança excessivamente tímida.

Já no almoço, a cúpula do agronegócio o aplaudiu e o tratou por presidente depois de ouvi-lo defender a liberação do porte de arma no campo. Na feira, o tucano comprou doce de amendoim, comeu goiabada, tomou chimarrão, mas, franciscano, rejeitou a cachaça oferecida por um produtor artesanal.

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