Começou o horário eleitoral: veja os pontos fracos dos presidenciáveis

Começa neste sábado (1º) a campanha eleitoral em rádio e TV dos candidatos a presidente, uma sucessão presidencial marcada por incógnitas, incertezas e de prognóstico difícil. Nos próximos 35 dias os candidatos vão usar seus espaços de propaganda tanto para de si quanto para atacar adversários.

A Gazeta do Povo listou os “defeitos” de cada um dos principais candidatos, e que podem ser explorados pelos oponentes nas suas peças de publicidade eleitoral. O critério de escolha foi o de desempenho nas últimas pesquisas eleitorais. No caso do PT, a reportagem decidiu considerar como candidato o ex-prefeito Fernando Haddad, diante da real possibilidade de o ex-presidente Lula não ter sua candidatura viabilizada pela Justiça Eleitoral.

Panorama geral

Apontado como um colecionador de pontos fracos, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) deve ser o alvo preferido dos adversários. O candidato é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) acusado de incitação de estupro e ainda pode responder a outro processo por racismo.

Ciro Gomes (PDT) não está envolvido em corrupção, mas tem um temperamento difícil, fala palavrão com facilidade e já disse que o papel de sua antiga mulher era dormir com ele. Sua principal bandeira, de livrar 63 milhões de brasileiros do SPC, pode se tornar seu calcanhar de aquiles.

O petista Fernando Haddad, provável candidato do PT, foi prefeito de São Paulo, mas não conseguiu se reeleger. Assumiu ser um “poste” de Lula. Na busca de um plano B para substituir o ex-presidente, que deve ter a candidatura barrada pelo TSE, o partido optou por Haddad. Ex-ministro da Educação de Lula e Dilma, o atual vice da chapa petista investe na defesa de seu padrinho político na tentativa de manter os votos lulistas.

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A candidata Marina Silva, da REDE, disputa sua terceira eleição presidencial. Mas seu passado longo – porém, sem nunca ter sido eleita para cargo no Poder Executivo – traz bastante munição para seus oponentes. Isso sem contar a desconfiança de setores estratégicos do eleitorado, como o agronegócio.

O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) chega à eleição como o pacote dos sonhos de qualquer candidato: a maior aliança, o maior tempo de TV e o maior valor de fundo eleitoral. Mas ainda tem dificuldades em aumentar sua intenção de votos nas pesquisas.

Sem Carisma e sem apelo popular: do Picolé de Chuchu ao Chuchumbo, apelidos dados por aliados do próprio presidenciável, Alckmin é lembrado por sua dificuldade em emocionar o eleitorado. Seu jeito burocrático e sério combina com sua persona de médico e agrada parte de seu eleitorado, mas dificilmente chega ao coração do eleitor das classes populares.

Abaixo, as principais fragilidades dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas.

JAIR BOLSONARO (PSL)

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/09/01/Republica/Imagens/Vivo/AFP_18F69Y-991.jpgNELSON ALMEIDA/AFP

1 – Já votou em Lula para presidente. Bolsonaro é há algum tempo um duro crítico do PT e tem histórico de bate bocas com petistas no Congresso Nacional. O partido é seu adversário preferido. Acontece que Bolsonaro já votou em Lula para presidente. Foi no segundo turno da eleição presidencial de 2002. Declarou isso em discurso no plenário. No primeiro turno desse pleito, votou em Ciro Gomes, hoje também seu oponente.

2 – Acusação de racismo e incitação ao estupro. O candidato do PSL já é réu numa ação no STF por incitação ao estupro. Numa discussão com a deputada Maria do Rosário (PT-RS) disse que ela não merecia ser estuprada por, segundo ele, ser “feia”. Ele pode virar réu no tribunal por racismo, por ofender quilombolas. São denúncias que, mesmo condenado, não o impede de ser candidato, mas arranha sua imagem.

3 – Empregou funcionária fantasma. Esse é um episódio que lhe dá dor de cabeça. Bolsonaro empregou em seu gabinete Walderice Conceição, que não presta serviços para o deputado. Ela é dona do estabelecimento “Wal Açaí”, na Vila Histórica de Mambucaba, onde o parlamentar tem uma casa de praia.

4 – Recebimento de auxílio-moradia – Mesmo tendo imóvel próprio em Brasília, Bolsonaro solicitou recebimento de auxílio-moradia da Câmara no valor líquido de cerca de R$ 3 mil. Denunciado, desistiu do auxílio.

5 – Assumidamente não entender de economia. O candidato não entende de economia, e não esconde isso. Tem dificuldades em falar do assunto e, toda vez que perguntado, remete o teme para seu economista, Paulo Guedes, definido por ele como seu “Posto Ipiranga”.

MARINA SILVA (REDE)

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/09/01/Republica/Imagens/Vivo/AFP_1848ZK.jpgSERGIO LIMA/AFP

1 – Foi ligada à CUT e ao PT – no início de sua trajetória política, Marina Silva ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre, participando do movimento sindical seringueiro. Em 1986 ela disputou seu primeiro cargo público, na Câmara dos Deputados, filiada ao PT, mantendo sua carreira política atrelada e sendo eleita senadora duas vezes pelo partido. Ela foi inclusive ministra do Meio Ambiente na gestão de Lula.

2 – Sem posição sobre temas polêmicos – Marina é evangélica, ligada à Assembleia de Deus. Porém, grande parte do seu eleitorado foi criado junto às esquerdas, ao movimento sindical e ambiental, o que a coloca em uma posição de não ser eloquente ao defender as pautas ligadas à igreja. Com isso, ela fica em cima do muro sobre temas de apelo para seu eleitorado de esquerda ou liberal nos costumes, como aborto, casamento gay e drogas.

3 – Nunca foi eleita para cargo executivo e é apontada como frágil – Marina já deu sinais ambíguos sobre suas visões políticas, o que dificulta a adesão de grupos políticos e desaparece fora do período eleitoral, deixando de se pronunciar sobre temas da política, como na greve dos caminhoneiros. Ela também tem dificuldade em fazer alianças, ao propor uma atuação por vezes “sonhática” de seu partido e de seus aliados. Esses pontos, somados à figura franzina e de fala suave a fragilizam perante parte do eleitorado que questiona se ela terá a força necessária para um presidente da República.

4 – Imagem vinculada em excesso ao meio ambiente – Sua imagem está associada a um grupo de defensores do meio ambiente mais radicais. Ainda é vista como inimiga do agronegócio, um segmento importante da economia brasileira e do qual o próximo presidente vai precisar de apoio. Ela tem suavizado essa imagem, mas até mesmo suas opções de roupas, maquiagem e adereços reforçam essa mensagem de um estilo “sustentável”.

5 – Meio termo entre esquerda e direita – A candidata tem tentado aproximar seu discurso e propostas do liberalismo econômico, chegando a defender privatizações. Ela também é vista como amiga de banqueiros, por ter contato com apoio de nomes fortes do mercado e banqueiros em suas campanhas. Mas para setores da direita e do centro, Marina ainda parece ser pouco pró-mercado e seu passado de esquerda é sempre relembrado.

CIRO GOMES (PDT)

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/09/01/Republica/Imagens/Vivo/AFP_18H7R5.jpgNELSON ALMEIDA/AFP

1 – Temperamento ‘nervosinho’. Ciro é articulado para falar, mas seu temperamento não ajuda. Estoura fácil com o interlocutor quando contrariado. Suas declarações foram apontadas como uma dificuldade para fazer alianças.

2 – “Vendedor de Ilusões” – O candidato pedetista é autor de uma proposta que tem causado barulho nesta eleição e apontada como uma promessa inatingível: retirar 63 milhões de brasileiros do Serviço de Proteção ao Crédito, o malfadado SPC. Especialistas em contas públicas apontam ser uma proposta de difícil execução. A operação envolveria bancos públicos.

3 – Um aliado complicado – O presidente de seu partido, Carlos Lupi, pode ser um problema na campanha na rádio e TV. Ciro diz confiar cegamente nele, mas foi surpreendido com a informação de que o pedetista é réu numa ação em Brasília. Lupi é acusado de improbidade administrativa por ter usado o avião de uma ONG, em 2009, quando foi ministro do Trabalho de Lula.

4 – Já foi do PDS – O candidato do partido de Leonel Brizola já foi do PDS, partido originário da Arena e que deu sustentação ao regime militar. Ele foi eleito deputado estadual por essa legenda em 1982.

GERALDO ALCKMIN (PSDB)

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/09/01/Republica/Imagens/Vivo/AFP_18H7H6-994.jpgNELSON ALMEIDA/AFP

1 – Aliança com centrão e seus investigados – Ele conseguiu firmar a maior aliança eleitoral deste pleito, trazendo para seu apoio o chamado Centrão (bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade), com muito tempo de TV e recursos do fundo eleitoral. Porém, entre os políticos desse bloco há quase cinquenta citados em investigações e inquéritos. Além disso, esses aliados já avisaram que vão querer ser ouvidos e ter espaço em um futuro governo tucano.

2 – Comparado a Michel Temer – Por se proclamar um defensor das reformas, tais como a Tributária e a da Previdência, Alckmin vem sendo comparado por opositores como o herdeiro do atual presidente da República, Michel Temer. Ele terá de tentar se descolar da imagem do presidente, que tem um dos mais baixos níveis de aprovação da história.

3 – Tem passado para defender – Ao ser o único entre os principais candidatos que ocupou nos últimos anos posto eletivo no Poder Executivo, Alckmin tem de constantemente responder sobre os problemas do estado de São Paulo, muitas vezes sendo confrontado com dados públicos, estatísticas e até mesmo com relatórios desfavoráveis do Tribunal de Contas do Estado (TCE), com recomendações de melhorias.

4 – Dificuldade para fugir de críticas sobre corrupção – em uma eleição com grande valorização dos “outsiders” na política e com a memória dos feitos da Operação Lava Jato ainda recentes, Geraldo Alckmin tem de explicar como caciques de seu partido que são acusados de malfeitos, como o senador Aécio Neves (MG), ainda figuram nos quadros de seu partido. Ele também tem em sua sombra as acusações de fraude que envolvem as obras do Rodoanel, durante sua gestão como governador de São Paulo.

FERNANDO HADDAD (PT)

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/09/01/Republica/Imagens/Vivo/haddad 005 albari rosa.JPGAlbari Rosa/Gazeta do Povo

1 – Mancha da Corrupção – O PT já enfrentou eleições após o Mensalão e a Lava Jato, dois escândalos em que esteve ao centro. Contudo, a prisão de Lula e sua condenação no caso do tríplex do Guarujá desestruturaram o partido e colaram na legenda a pecha da corrupção. Com discurso de ataque e injustiça, o PT tenta se distanciar disso.

2 – Mal sucedido em São Paulo – Haddad foi eleito prefeito de São Paulo em 2012 após fazer campanha ao lado de seu padrinho político, o ex-presidente Lula. Quatro anos depois, com uma gestão mal avaliada, sofreu uma derrota acachapante para João Doria (PSDB), que venceu a disputa no primeiro turno.

3 – Legada Econômico – A ex-presidente Dilma Rousseff é acusada por setores da direita de ter colocado o país em um caos econômico. Entre os problemas apontados, mencionam-se o endividamento do setor público e as chamadas “pedaladas fiscais”, para esconder a realidade das contas. Sua gestão levou o país a pior recessão de sua história.

4 – Falta de Carisma – Caso o nome de Lula seja de fato indeferido, a chapa petista será composta por Haddad como candidato à Presidência e Manuela D’Ávila (PCdoB), como vice. Apesar de contar com apoio do ex-presidente, Haddad é pouco conhecido fora do eixo Sul-Sudeste, bem como Manuela, deputada federal bastante atuante, mas com pouca expressão nacional.

5 – Defesa do líder condenado – Após assumir o lugar na vaga de vice da chapa, Haddad ficou incumbido de ser um dos principais interlocutores do ex-presidente Lula, preso por corrupção e lavagem de dinheiro desde o início de abril. Toda essa dinâmica faz parte de uma estratégia petista para não sair ainda mais prejudicado da prisão de seu maior líder. Porém, enquanto Haddad insiste no discurso de “julgamento injusto” e “perseguição política” contra seu padrinho político, os demais candidatos apresentam propostas mais concretas aos olhos da população.

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