Ciro se diz triste por retirada de Lula da eleição, mas comemora “clareza” do processo a partir de agora

Candidato do PDT à Presidência da República, o ex-ministro Ciro Gomes se disse triste e lamentou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de impugnar a candidatura do ex-presidente Lula (PT). No entanto, afirmou que isso dará clareza ao processo eleitoral desde já, evitando um tumulto maior às vésperas do primeiro turno. Ciro ainda declarou que é preciso esperar as consequências da retirada de Lula da disputa e, sobre a possibilidade de herdar votos do petista, disse que “isso não existe”, pois o povo brasileiro está livre de currais eleitorais.

O pedetista faz campanha no Paraná neste sábado (1º), em Curitiba, Francisco Beltrão e Londrina. Pela manhã, na capital, caminhou pelo tradicional calçadão da Rua XV de Novembro até a Boca Maldita, participou de um debate no Sindicato dos Metalúrgicos e visitou o Museu da Vida, na Pastoral da Criança.

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Em entrevista aos jornalistas, o assunto mais abordado foi a retirada de Lula da corrida eleitoral por decisão do TSE. “Tudo o que está acontecendo não é nada bom para o Brasil. Por mais que se deteste ou se idolatre o Lula, é um trauma ter o maior líder popular do país na cadeia e proibido de participar do processo eleitoral”, afirmou. “Mas, em toda tragédia, há o lado bom. Agora, o povo brasileiro poderá olhar para o debate eleitoral com mais clareza. Mais grave seria isso acontecer muito perto da eleição, criando um tumulto que poderia gravemente deslegitimar o próprio processo, ameaçando a democracia”.

Virtual herdeiro de 13% dos votos de Lula segundo pesquisa Datafolha*, Ciro evitou comentar o assunto. “Isso não existe. Esse negócio de herdar voto é coisa de coronel. Vejo o povo brasileiro livre de currais. Vamos ver para frente a consequência disso com o tempo”.

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Pauta econômica

Aos metalúrgicos da Grande Curitiba, o candidato pedetista disse que vai acabar com a agenda “antipovo, antipobre e antinacional implantada pelos golpistas”. Para isso, comprometeu-se a revogar a reforma trabalhista aprovada na gestão Michel Temer (MDB) e envolver quatro núcleos para discutir o tema a partir do ano que vem: sindicatos, empresariado, universidades e a legislação internacional como comparação. “O Brasil não precisa inventar a roda. Se há países que encontraram uma equação sadia em que a proteção do trabalho na luta desigual contra o capital não impede a competitividade, por que não conhecer essas experiências e trazer para nós?”, questionou.

Ele também defendeu o projeto Nome Limpo, em que pretende ajudar mais de 63 milhões de brasileiros a quitarem débitos no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e, assim, voltarem a consumir para que o país retome o crescimento. Segundo ele, as negociações das dívidas reduziriam o valor em mais de 80% com o abatimento de multas e juros. O restante – que estima em R$ 1,4 mil na média – seria refinanciado em até 36 vezes com ajuda do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. “Estamos falando de menos de R$ 40 por mês com juros de 12%, e não esses imorais 400% cobrados hoje pelo cartel de bancos privados. Isso vai tirar a população da indignidade”. 

*Metodologia: Pesquisa realizada pelo Datafolha com 8.433 eleitores, feita em 313 municípios do país entre os dias 20 e 21 de agosto de 2018. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Confiança: 95%. Registro no TSE: BR 04023/2018.

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