Aplicativo que foi utilizado por influenciadores pagos tenta apresentar Haddad

”Você conhece Fernando Haddad?”. Essa foi a primeira questão apresentada nesta quarta-feira (5) no aplicativo que ficou conhecido como a plataforma usada por tuiteiros pagos para elogiar candidatos do PT, provocando o escândalo do ‘mensalinho do Twitter’.  

O aplicativo Brasil Feliz de Novo, de empresa do deputado federal e candidato a senador Miguel Corrêa (PT-MG), passou a dar mais destaque a Fernando Haddad (PT) do que ao ex-presidente Lula nos últimos dias. A mudança coincide com a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de vetar a candidatura de Lula e estratégia do PT de tornar o nome do ex-prefeito da capital mais conhecido antes de apresentá-lo como substituto de Lula na cabeça de chapa à Presidência.

O aplicativo traz um cardápio de notícias, com links para compartilhamentos para redes sociais, o que faz com que os usuários ganhem pontos. De dez notícias publicadas na terça (4), quatro traziam Haddad no título e apenas uma trazia Lula, citado em conjunto com o ex-prefeito. 

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A notícia de destaque desde a noite de terça (4) é uma apresentação de Haddad, assinada pela própria equipe do Brasil Feliz de Novo. Com linguagem descontraída, o texto recheado de fotos traz ato da trajetória do petista como ministro da Educação e prefeito de São Paulo, como reformulação do Enem, criação do passe livre estudantil, ciclovias e implantação da Controladoria Geral do Município. 

Também apresenta para compartilhamento um gif com pegada engraçadinha, com fotos e frases como “toca guitarra”, “é tranquilão”, “vai trabalhar de busão”, revezando fotos de Haddad. Haddad, no entanto, ainda é tratado como vice. O partido só deve anunciar a troca na semana que vem.

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O aplicativo aposta em uma das estratégias que são tendência no marketing digital: a gamificação. Dessa maneira, missões são criadas e as pessoas ganham pontos pelos compartilhamentos, cujos temas podem ser guiados pelo aplicativo, incluindo o uso de hashtags. 

Uma ação em massa poderia, por exemplo, levar um assunto aos Trending Topics do Twitter, por exemplo. Foi o caso da hashtag #Lulazord. O que chamou a atenção na estratégia, porém, foram as acusações de que o ativismo na verdade era uma atividade remunerada.  

Corrêa negou os pagamentos, mas vídeos de ex-assessor dele em uma videoconferência mostra ex-assessor do deputado explicando como ativistas deveriam proceder para ganhar dinheiro na plataforma. No vídeo, o rapaz cita ações ligadas a Luiz Marinho (PT), candidato ao governo estadual paulista, entre outros. 

O Brasil Feliz de Novo foi criado pela Follow, empresa de Miguel que faz parte de um pool de companhias da áreas da tecnologia ligadas a ele. 

Outro deputado, o também mineiro Leonardo Quintão (MDB), também criou um aplicativo para cabos eleitorais digitais, na mesma linha de Corrêa. A promessa era de até R$ 9 mil para trabalhar na campanha.

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