Ibope: Bolsonaro é favorito para ir ao 2º turno, mas perde nos confrontos diretos

A nova pesquisa Ibope, divulgada nesta quarta-feira (5), mostra que Jair Bolsonaro (PSL) iria para o segundo turno se a eleição fosse hoje, mas teria dificuldades para ganhar dos principais concorrentes em uma segunda etapa do pleito. Nas simulações de segundo turno, Bolsonaro empata na margem de erro apenas com Fernando Haddad (PT), que ainda não foi oficializado candidato.

Nos cenários com Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB), o presidenciável do PSL sai em desvantagem. Segundo o levantamento, Ciro venceria Bolsonaro em um eventual segundo turno com 44% das intenções de voto, contra 33% do capitão da reserva. Já Marina levaria a eleição por 43% a 33%. Enquanto Alckmin venceria por 41% a 32%. Contra Haddad, Bolsonaro teria 37% dos votos contra 36% do petista.

A situação de Bolsonaro é ainda mais desafiadora levando em consideração que ele é o candidato com a maior rejeição, segundo o Ibope: 44% dos eleitores dizem não votar nele de jeito nenhum.

Indecisos começam a se decidir

A pesquisa mostra, ainda, que o eleitor está começando a pensar mais seriamente em quem votar. O número de votos brancos e nulos em agosto era 29%. No novo levantamento foi para 21%. O mesmo acontece com aqueles que dizem que não sabem em quem votar ou não responderam: passou de 9% para 7% – dentro da margem de erro.

Com os eleitores começando a definir o voto, os candidatos precisam se esforçar para não ficar para trás. O número de eleitores indecisos tende a diminuir ainda mais com o avanço da propaganda eleitoral gratuita, que começou no último sábado (1º) no caso dos presidenciáveis.

O Ibope mostra que, por enquanto, a única certeza para o segundo turno é Bolsonaro. O segundo lugar é disputado por três outros candidatos, empatados na margem de erro. Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) têm 12% das intenções de voto cada, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) pontua 9%.

Fernando Haddad (PT) tem 6% das intenções de voto. O ex-prefeito de São Paulo deve ser oficializado o candidato a presidente na próxima terça-feira (11), quando termina o prazo dado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para substituição de Lula, barrado com base na Lei da Ficha Limpa.

Haddad vai ter menos de um mês para explicar ao eleitor de Lula – que no Ibope divulgado em agosto correspondia a 37% – que ele é o candidato apoiado pelo ex-presidente.

Rejeição

O Ibope também mediu a rejeição dos candidatos a presidente. O índice é importante, principalmente para analisar o potencial de votos que os candidatos podem ter no segundo turno. Bolsonaro é o mais rejeitado pelo eleitor: 44% disseram que não votariam nele de jeito nenhum.

Três candidatos empatam no segundo lugar entre os mais rejeitados: Marina tem 26% de rejeição, Haddad tem 23% e Ackmin, 22%. Ciro aparece logo em seguida, com 20% de rejeição e o menos rejeitado entre os candidatos com chance de passar para o segundo turno com Bolsonaro, segundo o Ibope desse mês.

Os demais candidatos têm mais rejeição do que intenção de votos. Henrique Meirelles (MDB) tem 2% dos votos e 14% de rejeição; Cabo Daciolo (Patriotas) e Eymael (DC) não pontuaram na pesquisa, mas têm 14% de rejeição cada um; Alvaro Dias (Podemos) é o preferido de 3% dos eleitores e é rejeitado por outros 31%; Guilherme Boulos (PSOL) e Vera Lucia (PSTU) fizeram 1% cada em intenções de voto e têm 13% de rejeição cada; João Amoêdo (NOVO) tem 3% dos votos e 12% de rejeição; e João Goulart (PPL) é o candidato menos rejeitado, com 11%, mas fez só 1% na pesquisa de intenções de voto.

Horário eleitoral

O horário eleitoral gratuito começou no último sábado para os presidenciáveis. Como a pesquisa foi realizada entre os dias 1 e 3 de setembro, ainda não foi possível captar o impacto dos programas eleitorais no humor dos eleitores brasileiros. Esse termômetro deve ficar mais claro a partir das próximas pesquisas de intenção de votos.

Atraso na divulgação

A divulgação da pesquisa Ibope estava prevista para esta terça-feira (4), mas o instituto resolveu esperar por uma decisão do TSE. O Ibope questionou o tribunal porque registrou um questionário com o ex-presidente Lula na disputa. Mas como o petista foi barrado pelo TSE na madrugada do dia em que a pesquisa começaria a ser feita, o Ibope deixou de pesquisar esse cenário. Nesta quarta-feira (5), porém, o TSE resolveu que não iria se manifestar sobre o assunto e deixou a divulgação a critério do instituto, que resolver prosseguir com a divulgação.

Metodologia

O Ibope ouviu 2.002 eleitores, em 142 municípios, entre os dias 1º e 3 de setembro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. Isso significa que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O registro na Justiça Eleitoral foi feito sob o protocolo BR‐05003/2018. Os contratantes foram o Estado e a TV Globo.

Ibope esclarece decisão de divulgar a mais recente pesquisa presidencial

O Instituto Ibope divulgou nota na qual esclarece a decisão de divulgar os resultados da mais recente pesquisa Ibope/Estado/TV Globo. Leia a seguir a íntegra da nota:

“Como informado ontem, na pesquisa de intenção de votos realizada entre os dia 1 e 3 de setembro, para seguir as decisões decorrentes do indeferimento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, que proibiram, entre outras coisas, que o ex-presidente participasse, como candidato, de atos de campanha, o Ibope deixou de aplicar o questionário em que o nome de Lula aparecia como postulante ao cargo de presidente da República, como constava do registro da pesquisa feito no TSE.

O instituto pesquisou apenas o cenário em que o nome de Fernando Haddad, candidato a vice-presidente pelo PT, aparecia juntamente com os candidatos que pediram registro. O Ibope indagou ao TSE se este procedimento estava correto.

Em sua decisão de hoje, o ministro Luiz Felipe Salomão explicou que, segundo a lei, o TSE está impedido de responder a consultas como essa durante o período eleitoral. Diante disso, e convicto de que agiu de boa fé e dentro da lei, e, ainda, no intuito de não privar o eleitor de informações relevantes sobre a situação atual das intenções de voto na eleição presidencial, o Ibope decidiu liberar os resultados da pesquisa para divulgação, decisão que contou com o apoio dos contratantes TV Globo e O Estado de S. Paulo.”

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