Haddad e PCdoB discordam de demora na substituição de Lula

Vice-presidente na chapa do PT ao Planalto, Fernando Haddad deixou a sede da Polícia Federal, em Curitiba, sem falar com a imprensa, por volta das 18 horas desta segunda-feira (10), após passar o dia em reunião com Lula na cela do ex-presidente. De concreto apenas o cancelamento da participação de Haddad em um ato em São Paulo, marcado para a noite desta segunda, para evitar sua aclamação antecipada como candidato.

Nesta terça-feira (11), termina o prazo para o PT apresentar um novo candidato para a vaga de Lula, que teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa. O anúncio da troca, com Haddad encabeçando a chapa, deve acontecer nesta terça, após reunião do comando do partido na capital paranaense.

O cancelamento da viagem de Haddad a São Paulo frustrou parte do PT, que se mostra dividido em relação a melhor estratégia para substituir Lula. Aliados de Haddad e o PCdoB de Manuela D’Ávila acreditam que protelar ainda mais a formalização da chapa que irá às urnas pode ser mortal às pretensões eleitorais da coligação.

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Mas, por enquanto, venceu a tese do grupo majoritário da sigla, do qual faz parte a presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann, que pretende segurar esse comunicado até terça – ou até mais, se a Justiça assim permitir. Esse grupo defende que a corda para a substituição de Lula seja esticada até 17 de setembro. Mas, para isso, depende de uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF).

Inconformismo

Haddad está chateado, segundo aliados. O PCdoB também. Desde que fechou aliança com o PT e Manuela desistiu do voo solo à Presidência, o partido não foi recebido pelo ex-presidente. Os comunistas querem que Lula ceda. Ele, contudo, não pretende abrir mão de seus propósitos. E, como maior líder petista, ninguém se atreve a dizer não a Lula. 

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Para Lula, Haddad nunca foi a primeira opção. E, em conversas com advogados e aliados, o líder partidário sempre deixou claro que não acha que ele tem condições de vencer o pleito em seu lugar. Acreditava em Jaques Wagner. O ex-governador e ex-ministro, porém, preferiu um caminho mais seguro de eleição e é candidato ao Senado. 

Sem confiança em Haddad, sem querer desaparecer da mídia e receoso de minguar politicamente, Lula seguirá enquanto houver possibilidades. 

Substituição

A substituição da chapa precisa acontecer até as 19 horas desta terça por determinação judicial. Na madrugada de 1º de setembro, o TSE barrou a candidatura de Lula e, junto com isso, determinou que o nome dele deveria ser substituído na chapa. Porém, o limite para essa troca, pela legislação vigente, é na próxima segunda (17). 

A intenção de Lula é esticar a data de substituição de seu nome o máximo possível. Para isso, seus advogados estão abusando de recursos às Cortes Superiores. No sábado (8), entraram com mais um recurso no STF, após dois pedidos terem sido negados ao longo da semana passada. Na última madrugada, apresentaram mais um. Também fizeram questionamentos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Lula, que foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, se diz inocente. A defesa atua em várias frentes. Além de tentar anular a condenação, pede a suspensão dos efeitos condenatórios – prisão e inelegibilidade –, e respeito à recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU de garantir direitos de candidato ao ex-presidente.

Nesta segunda, os advogados de Lula divulgaram, perto das 13 horas, que o comitê da ONU expediu nova decisão para que seja aceita a candidatura petista. Segundo Cristhiano Zanin e Valeska Zanin, as decisões devem ser acatadas pela Justiça brasileira, pois o país se comprometeu por meio de diversos acordos e tratados internacionais a cumprir decisões deste comitê.

No julgamento do TSE, a maioria dos ministros afirmou – e mais de uma vez – que o parecer do comitê não tem efeito vinculante, ou seja, não haveria obrigação de segui-lo.

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