Efeito facada: Bolsonaro sobe no Ibope e melhora até desempenho no 2.º turno

A comoção gerada pelo atentado sofrido em Juiz de Fora (MG) impulsionou Jair Bolsonaro na pesquisa Ibope para presidente da República divulgada nesta terça-feira (11). O candidato do PSL viu seu desempenho melhorar em praticamente todos os indicadores de intenção de voto, tanto no primeiro turno quanto no segundo.

Realizada entre os dias 8 e 10 de setembro, a pesquisa mostra que o capitão da reserva ganhou seis pontos percentuais no espaço de um mês – quatro pontos vieram agora, após o ataque com faca que quase lhe tirou a vida. Em agosto, o Ibope apontava 20% de votos para o candidato do PSL. No início de setembro, esse percentual chegou a 22% e, agora, 26%.

Considerando apenas os eleitores pesquisados na Região Sul, a intenção de voto em Bolsonaro subiu de 23% para 37%. No Sudeste, foi de 24% a 29%. Na soma das regiões Norte e Centro-Oeste, passou de 26% para 31%.

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Já a rejeição ao candidato oscilou para baixo – de 44% para 41% – em comparação com a última pesquisa Ibope, divulgada em 4 de setembro. A notícia é boa para ele, já que a rejeição é um indicativo importante para medir a competitividade dos candidatos no segundo turno.

Bolsonaro também melhorou o desempenho nas simulações de segundo turno realizadas pelo Ibope. No início de setembro, o capitão da reserva perdia para a maioria dos principais adversários. No levantamento divulgado nessa terça-feira, ele agora está empatado tecnicamente, dentro da margem de erro, com todos os possíveis concorrentes.

Na simulação em que Bolsonaro compete com Ciro Gomes (PDT), o pedetista tem 40% das intenções de voto e Bolsonaro, 37%. Na disputa com Geraldo Alckmin (PSDB), o resultado é de 38% dos votos para o tucano e 37% para o capitão da reserva. Com Marina Silva (Rede), há um empate numérico: ambos com 38%. Já contra Haddad, Bolsonaro tem 40% das intenções de voto e o petista, 36%.

Efeito facada

O levantamento do Ibope começou a ser realizado no dia 8 de setembro, dois dias depois do ataque a Bolsonaro, que levou uma facada enquanto fazia campanha em Juiz de Fora (MG). A pesquisa continuou sendo realizada até esta segunda-feira (10), às 22 horas.

A melhora no desempenho de Bolsonaro depois do episódio em Minas Gerais já era esperada por cientistas políticos, que alegavam que a comoção causada pelo atentado ajudaria a impulsionar a campanha do capitão da reserva.

Esse não e o primeiro caso de eleição presidencial no Brasil impactada por um fato inesperado que gera comoção. Em 2014, as intenções de voto em Marina Silva (então no PSB) dispararam depois que ela assumiu a cabeça da chapa após a morte do candidato Eduardo Campos (PSB). Em 2014, porém, Marina não conseguiu manter o crescimento e viu sua campanha desidratar, sem chegar sequer ao segundo turno.

A pesquisa Ibope mostra um resultado diferente do levantamento realizado pelo Datafolha, divulgado na segunda-feira (10). Na pesquisa Datafolha, Bolsonaro oscila apenas dois pontos percentuais em relação a agosto, sua rejeição aumenta e ele perde quase todas as simulações de segundo turno.

Entre os motivos para os resultados diferentes está a data da coleta das informações. Enquanto Ibope foi a campo entre 8 e 10 de setembro, o Datafolha foi a campo apenas no dia 10, mesma data em que divulgou os resultados.

Segundo turno mais imprevisível

A pesquisa Ibope dessa terça-feira também mostra que a segunda vaga no segundo turno ainda está indefinida e ainda mais embolada. Em agosto, Ciro e Marina eram os candidatos empatados em segundo lugar, dentro da margem de erro.

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Agora, o segundo lugar é disputado por quatro candidatos: Ciro, com 11%, Marina e Alckmin, com 9% cada, e Haddad, com 8%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, não é possível apostar quem disputaria o segundo turno com Bolsonaro.

Rejeição

Os candidatos do segundo pelotão, que brigam por uma segunda vaga no segundo turno , também viram sua rejeição oscilar para baixo nesse Ibope. Em 4 de setembro, Marina tinha 26% de rejeição, agora tem 24%. Geraldo tinha 22% e passou para 19%. Ciro passou de 20% para 17%. Só Haddad manteve o mesmo índice de rejeição de uma pesquisa para a outra: 23%.

Metodologias das pesquisas

O Ibope ouviu 2.002 entrevistados entre 8 e 10 de setembro de 2018. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o n.º BR-05221/2018. Contratada por Rede Globo.

O Datafolha ouviu 2.804 entrevistas presenciais em 197 municípios, no dia 10 de setembro de 2018. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança de 95%; A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o nº BR-02376/2018. Contratantes: Folha de S.Paulo e TV Globo.

Em agosto, o Ibope ouviu 2.002 entrevistados em todo o Brasil entre os dias 17 de agosto e 19 de agosto de 2018. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sobo n º BR-01665/2018. Contratada por Rede Globo.

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