Jefferson castro conta em entrevista problemas e soluções da logística

Jefferson Castro é gerente de produto da Atech e falou em seu último artigo publicado, sobre as barreiras para o mercado consumidor e os obstáculos de lidar com as dimensões continentais de um país que conta com a malha rodoviária para escoar toda a produção de bens de consumo e alimentos.

Link artigo: http://www.cargonews.com.br/ambientes-regulados-precisam-da-logistica-4-0-para-avancar-processos/

Em entrevista para a Cargo News, Jefferson aprofundou os pontos mais importantes de seu artigo, como a malha ferroviária brasileira e seu investimento, as plataformas que integram sistemas de dados e seu custo/investimento.

A malha ferroviária atinge apenas 56% dos usuários e então como melhorar o modal ferroviário? Como incentivar o investimento?

O maior problema da malha ferroviária brasileira é que ela é quase a mesma há 100 anos. Nunca houve um investimento forte nesse modal. Hoje a inserção do transporte ferroviário na matriz de transporte brasileira é de 20,7% (CNT, 2018) – em outros países com dimensão continental, este modal pode chegar a patamares de 48%. Por outro lado, o transporte rodoviário é responsável por 61,1% do transporte de cargas no país, segundo mesmos dados da Confederação Nacional de Transporte.

Como as ferrovias são vistas como um bem público, a forma de habilitar esse serviço é via concessões, as quais geralmente duram 30 anos. Como os projetos envolvendo a malha ferroviária hoje podem perdurar por 60 anos, é de grande risco assumir tal compromisso de desenvolver e implementar uma ferrovia levando em consideração a renovação da concessão.

Diante deste cenário, uma das formas de melhorar essa malha é desburocratizar ou melhorar o processo de concessão para que haja mais agilidade para implementar projetos e explorá-los.

Um projeto de implementação é muito complexo, pois envolve também toda a parte ambiental. A complexidade de desenhar essa malha é um projeto caro e longo e a desburocratização desse processo ajudaria a despertar o interesse dos investidores. Isso, aliás, é importante destacar: o governo não pode arcar sozinho com isso. É preciso ter investimento público e privado de forma eficiente.

Também é importante que as empresas brasileiras de diferentes regiões aprendam a aproveitar este modal. Para preencher uma composição com 70 vagões, por exemplo, você precisa ter um volume considerável de carga, que pode ser preenchido por meio da associação e da exploração desse modal de forma mais conjunta pelas organizações.

Além disso, é importante que haja uma sincronização entre os modais. Quando pensamos na Logística 4.0, por exemplo, temos de considerar que logo o modal vai ser apenas o meio. A tendência é que as decisões sobre o uso dos modais sejam feitas de forma autônoma e automatizada, levando em consideração o custo. Logo, a malha ferroviária precisa e pode ser usada de forma mais inteligente se for integrada aos outros modais.

Um do avanços da logística 4.0 são as plataformas que são capazes de integrar os sistemas de dados e qual é a estimativa de tempo para que as plataformas sejam automatizadas pelos usuários?

Hoje as plataformas já podem ser automatizadas, pois já existe a tecnologia para isso. Aproveitar também das tecnologias já bem implementadas em outros modais, como no modal aéreo, fará com que cada vez mais isso seja feito de forma automatizada e inteligente.

No caso brasileiro, só agora estamos começando a dar mais atenção à importância dos sistemas de logística e da visibilidade da cadeia para reduzir custos e saindo de uma base de sistemas caseiros e sucateados para o uso de sistemas de mercado. Diante disso, é difícil estimar um tempo, mas podemos considerar, talvez, cerca de 10 anos.

É preciso popularizar o modal ferroviário e torná-lo uma opção válida, especialmente porque seu custo ainda é consideravelmente menor que o do transporte rodoviário, que predomina no país. Nos Estados Unidos, que já contava com uma infraestrutura ferroviário bem estabelecida, iniciou por um processo de otimização da malha ferroviária na década de 80, após a desregulamentação do setor. Ou seja, foram quase 30 anos para consolidar o modal, que hoje representa 43% da matriz dos transportes do país.

Números como esse, associados ao alto nível de dependência que temos do modal rodoviário hoje, mostram que a matriz de transporte brasileira precisa ser revisitada para diminuir esse problema. Afinal, além da possibilidade de otimizar as ferrovias, também temos rios em nosso país. Precisamos pensar em como desenvolver outros modais dentro do Brasil.

Qual o custo desse investimento?

É difícil estimar o custo desse investimento, mas isso é algo que precisa ser feito se quisermos ser mais eficientes, reduzir custos e mudar esse cenário de dependência do transporte rodoviário. Informações do Plano de Transporte e Logística da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontam que, no Brasil, os custos logísticos representam 12,7% do PIB. Além disso, dados da Fundação Dom Cabral, de 2002, mostram que o valor dos ativos de infraestrutura brasileira, incluindo as ferrovias, equivalia a 22% do PIB na época. Hoje está em 12%. No Japão, essa proporção é de 65% e, nos Estados Unidos, de 50%. Isso mostra que ainda estamos há muitos anos e investimentos de obter um transporte mais inteligente.

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