Lula fora da disputa e Bolsonaro no hospital: uma nova eleição vai começar?

O atentado a faca contra Jair Bolsonaro (PSL), na quinta-feira passada (6), foi um fato fora do comum que levou muitos analistas a acreditarem numa mudança de rumo na eleição presidencial. Apenas cinco dias depois, na terça (11), outra novidade na campanha: o ex-presidente Lula (PT) finalmente abriu mão da candidatura e, agora, o petista que vai disputar o Planalto é Fernando Haddad. Os dois fatos, envolvendo as principais lideranças populares do país na atualidade (Lula fora da disputa e Bolsonaro no hospital), significam que uma nova eleição vai começar?

O Podcast Eleições, programa semanal da Gazeta do Povo que analisa a sucessão presidencial, discutiu nesta quarta-feira (12) os impactos dos dois principais acontecimentos políticos dos últimos dias. Os participantes do podcast – os jornalistas da Gazeta do Povo Lúcio Vaz, Renan Barbosa e Fernando Martins e o analista político e escritor Mario Vitor Rodrigues (também colunista do jornal) – concluíram que a facada contra Bolsonaro e a desistência de Lula não “criaram” uma nova eleição, embora sejam elementos importantes na atual campanha.

Isso porque a facada contra Bolsonaro não provocou, segundo as pesquisas eleitorais realizadas após o atentado, a comoção popular prevista por muitos analistas. E também porque a troca de Lula por Haddad já era esperada.

Após o atentado, Bolsonaro cresceu de 2% a 4% nas pesquisas. É pouco para quem esperava uma comoção

Três pesquisas eleitorais realizadas após o ataque a Bolsonaro – BTG/FSB, Datafolha e Ibope – mostraram que o candidato do PSL consolidou a liderança nas pesquisas, com porcentuais entre 24% e 30% das intenções de voto. Mas ele não disparou, subindo entre 2 e 4 pontos porcentuais em relação aos levantamentos anteriores dos mesmos institutos.

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Para os debatedores, alguns fatores podem explicar o crescimento moderado do candidato, apesar de ter sido vítima de um crime: Bolsonaro divide tanto as opiniões que não consegue comover quem pensa diferente; muita gente acreditou na informação falsa de que houve uma simulação de atentado; e há um sentimento em parte do eleitorado de que ele “teve o que merecia” (reforçado, por exemplo, pelo gesto de Bolsonaro de se deixar fotografar, um dia depois da facada, simulando armas com as mãos).

Outra conclusão dos participantes do podcast foi de que o impacto moderado do atentado nas intenções de voto de Bolsonaro tende a levar outros candidatos – sobretudo Geraldo Alckmin (PSDB) – a voltar a atacar o concorrente parar tirar-lhe votos de eleitores de centro-direita.

Apesar de tudo, Bolsonaro tende a estar no segundo turno. Com Haddad como adversário. Ciro e Alckmin correm por fora

Os debatedores concordaram, entretanto, que Bolsonaro tende a estar no segundo turno porque seus eleitores têm se mostrado muito fiéis. Mas, nessa fase da campanha, ele enfrentaria duas grandes dificuldades para se tornar o próximo presidente: a alta rejeição e seu estado de saúde. No segundo turno, Bolsonaro ainda estará convalescendo do ataque, dificilmente participará de muitos eventos de campanha e pode passar uma imagem de fragilidade para o eleitorado.

Com base no cenário atual, a principal aposta dos participantes do Podcast Eleições é de que o adversário de Bolsonaro no segundo turno será o petista Fernando Haddad – que tende a conquistar ao menos uma parte dos votos que seriam de Lula (num porcentual suficiente para levá-lo à disputa final).

Ciro Gomes (PDT), contudo, corre por fora no campo da esquerda e tem chance de tirar Haddad do segundo turno. Os dois, aliás, daqui para frente tendem a começar a trocar críticas e ataques.

Essa possível “guerra” e divisão da esquerda pode ainda favorecer Alckmin – especialmente se ele conseguir tirar votos de Bolsonaro e dos demais concorrentes mais da direita e do centro: João Amoêdo (Novo), Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e até mesmo Marina Silva (Rede).

Os debatedores avaliam que isso pode ocorrer se houver uma onda de voto útil em favor do tucano, no fim da campanha, de eleitores mais ao centro que não querem ver nem Bolsonaro nem um esquerdista como próximo presidente.

Ouça à íntegra do Podcast Eleições desta semana, com mais detalhes da análise sobre o atual cenário da sucessão presidencial

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