Só 2% afirmam que atentado contra Bolsonaro mudou voto, diz Datafolha

O atentado que sofreu o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG), não teve influência na escolha de candidato para 98% dos eleitores, de acordo com a nova pesquisa realizada pelo instituto Datafolha.

Segundo o levantamento, a facada em Bolsonaro fez com que apenas 2% das pessoas tenham decidido trocar de candidato. O capitão reformado do Exército encontra-se internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em recuperação dos ferimentos do ataque. Nesta quarta-feira (12), ele passou por uma cirurgia de emergência e encontra-se na UTI, com quadro de saúde estável.

O levantamento também mostrou que 96% dos eleitores tomaram conhecimento do atentado. Desses, 43% declararam estar bem informados sobre o assunto, 40% mais ou menos informados e 13% mal informados. Uma parcela de 4% não tomou conhecimento do atentado -o índice sobe entre os moradores de municípios com até 50 mil habitantes (8%) e entre os menos instruídos (10%).

Ainda que, segundo os eleitores, o atentado não tenha participação na decisão do voto, ele comoveu a maior parte deles (72%). Do total dos entrevistados, 39% disseram ter se sentido muito comovidos com o ataque e 33% ficaram um pouco comovidos, ao passo que 26% afirmaram que não foram tocados pelo episódio e 2% não souberam responder. A comoção alcança índices mais altos entre os mais velhos (80%) e entre os eleitores de Bolsonaro (88%).

O impacto da comoção nas intenções de voto

Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo no dia do atentado já alertavam para a possibilidade de o episódio causar comoção e elevar o índice de intenções de voto no capitão da reserva. O Datafolha desta sexta-feira (14) mostra Bolsonaro com 26% das intenções de voto. No dia 10 de setembro – quatro dias depois do atentado – eram 24% e em agosto, 22%.

Mas a comoção causada pelo atentado tende a ser curta, segundo especialistas. O professor do curso de Relações Públicas da PUC-PR e especialista em marketing político, Marcos Zablonsky, já alertava para essa possibilidade na semana passada. “Dependendo de quantos dias ele ficar [em recuperação], pode ser que a campanha vá mais devagar”, diz. 

Com a possibilidade de Bolsonaro fazer campanha na rua cada vez mais distante, aliados do capitão da reserva já começam a se preocupar com o estado de saúde dele. Os responsáveis por sua campanha eleitoral temem que a aparência de “fragilidade” do deputado possa prejudicar seu desempenho. Além de não poder participar da campanha na rua, Bolsonaro tem dificuldades, inclusive, para falar. A situação do capitão prejudica a estratégia de campanha com foco na internet, já que ele está impossibilitado de fazer vídeos e transmissões no Facebook.

Em entrevista coletiva à imprensa nesta quinta-feira (13), em Curitiba, o candidato a vice de Bolsonaro, general Antônio Hamilton Mourão (PRTB), admitiu que a falta de Bolsonaro nas ruas tem, sim, impacto negativo na campanha. “O que era do Bolsonaro é só dele. Ele é insubstituível. Quem mobiliza na rua sempre é ele, ele é o homem das massas, ele é o grande agitador”, disse.

Metedologia

O Datafolha entrevistou 2.820 eleitores de 197 municípios entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14). O primeiro turno das eleições está marcado para 7 de outubro.  A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, para o total da amostra. O nível de confiança é de 95%. Levantamento registrado no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR 05596/2018. Os contratantes da pesquisa foram Folha de S.Paulo e TV Globo.

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