Direita ou esquerda: o posicionamento dos candidatos a presidente na economia

Quando o assunto é o posicionamento dos candidatos à Presidência da República em relação à economia, João Amoêdo (Novo) pode ser considerado o mais liberal e João Goulart Filho (PPL) o menos liberal. Isso é o que mostra estudo feito pelo economista e colunista da Gazeta do Povo Pedro Nery com base no plano de governo dos candidatos em relação aos principais temas econômicos, como reformas da Previdência e Tributária, corte ou aumento do gasto público, privatizações, autonomia do Banco Central, abertura comercial e distribuição de renda.

O candidato classificado como o mais liberal em termos econômicos, ou de direita, em uma simplificação ideológica, é João Amoêdo (Novo) – mais à direita no gráfico, olhando horizontalmente (info no final da página). Ele é seguido por Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede), nessa ordem. Depois, aparecem quatro candidatos que podem ser classificados como mais de centro, ou seja, nem tanto de direita, nem tanto de esquerda. São eles, pela ordem: Henrique Meirelles (MDB), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Alvaro Dias (Pode).

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Os demais candidatos têm um posicionamento econômico menos liberal, ou de esquerda, em uma simplificação ideológica. O menos liberal de todos é João Gourlart Filho (PPL), seguido de Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU), Cabo Dacíolo (Patriota), Lula – barrado pela Justiça Eleitoral (PT) e Eymael (DC).

Os mais liberais

Amoêdo é considerado o mais liberal porque defende, entre outros temas, maior liberdade no uso do FGTS. Ele é o único candidato a mencionar essa ideia no plano de governo. Logo atrás, na escala de mais liberal, aparece Bolsonaro. O candidato do PSL é o único a defender, além de Amoêdo, a autonomia do Banco Central e a não mencionar aumento do investimento público (uma proposta antiliberal).

Além das medidas já citadas, Bolsonaro e Amoêdo são favoráveis a outras pautas econômicas liberais ou de direita, como corte de gastos, redução da carga tributária, reforma da Previdência (incluindo dos servidores públicos), abertura comercial e flexibilização trabalhista.

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Depois de Amoêdo e Bolsonaro, a próxima candidata associada a ideias econômicas liberais é Marina Silva, normalmente considerada de esquerda. A candidata da Rede aparece como uma “liberal” no estudo porque defende, entre outros temas, privatizações, desburocratizações, abertura comercial e uma reforma da Previdência, inclusive dos servidores públicos e adoção do regime de capitalização.

Os mais de centro

Meirelles, Ciro, Alckmin e Alvaro aparecem mais ao centro porque defendem, ao mesmo tempo, ideias mais liberais ou de direita, como simplificação tributária e reforma da Previdência, e propostas mais atreladas à esquerda, como aumento do investimento público, ou não mencionam ser favoráveis às propostas consideradas liberais.

Desigualdade

Já quando a análise é em relação à desigualdade socioeconômica, somente Boulos, Lula, Ciro e Marina são mais favoráveis a medidas de redistribuição de renda. Eles defendem, em seus programas de governo, propostas como tributação sobre os mais ricos, fortalecimento do Bolsa Família e redução dos juros, seja por meio do ajuste fiscal ou por intervenção arbitrária.

Os outros nove candidatos a presidente podem ser classificados como menos favoráveis a medidas de redistribuição de renda, segundo o estudo. São eles: Dacíolo (o menos favorável entre todos), Eymael, Amôedo, Vera Lúcia, Alvaro Dias, Meirelles, Alckmin e João Goulart (este, mais próximo ao centro, ou seja, uma posição quase que meio termo em relação ao tema).

No gráfico, o posicionamento dos candidatos sobre distribuição de renda está mostrado no eixo vertical.

Entenda como o estudo foi feito

Para fazer o estudo, o economista Pedro Nery usou os planos de governo dos 13 candidatos à Presidência, incluindo Lula, na época candidato do PT. O ex-presidente foi substituído por Fernando Haddad. Não estão previstas alterações nas propostas, já que Haddad participou da elaboração do documento.

Com os planos dos candidatos em mãos, Nery elencou se eles respondiam a 31 questões relevantes sobre temas econômicos que podem demonstrar se o pensamento de um candidato é mais favorável a ideias liberais ou não. Alguns exemplos de questões utilizadas: “O programa sugere corte de gastos?” e “O programa sugere aumentou do investimento público?” As respostas são sempre sim ou não. Em alguns casos, responder não significa que o tema não é mencionado no plano de governo.

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Depois, o economista usou um algoritmo chamado nominate (nominal three-step estimation), criado por Keith T. Poole e Howard Rosenthal. Esse algoritmo é tradicionalmente usado na ciência política para avaliar como os votos de parlamentares se situam no espectro político. O algoritmo calcula a partir dos resultados da amostra o espectro político de cada parlamentar ou candidato e cria coordenadas para identificar a posição de cada pesquisado. Quanto mais divergentes em suas votações ou ideias, os nomes recebem coordenadas de maneira a ficarem mais distantes espacialmente.

No caso do estudo de Nery, para ilustrar os resultados foi feito um gráfico. Na linha horizontal, é possível conferir se um candidato é mais liberal ou menos liberal. Quanto mais à direita no mapa, mais liberal. No eixo vertical, verificamos o posicionamento em relação a distribuição de renda: mais favorável a redistribuição (na parte inferior do mapa) e menos favorável a redistribuição (na parte superior do mapa).

Nery diz que o estudo representado no mapa reproduz corretamente 94% dos posicionamentos dos candidatos, de acordo com a amostra aplicada e o método.

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