Condenado na Lava Jato, Dirceu articula apoio de algoz do impeachment de Dilma

Ex-homem forte dos governos petistas, José Dirceu não desapareceu dos bastidores da legenda e segue como um dos mais atuantes articuladores nessa campanha. Enquanto um olho está nas estratégias de Fernando Haddad nas semanas que tem para herdar as intenções de voto de Lula, o outro já está nas alianças de segundo turno e, consequentemente, no novo governo.

É lá que está Dirceu. Conversando com o MDB. Sim, o mesmo partido que tirou o PT do Palácio do Planalto. Claro que há interesses de ambos os lados. Em política não se guarda rancor por muito tempo. É questão de sobrevivência. E essa sobrevida é justamente o motivo dessas conversas.

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Aos 72 anos, condenado a 34 anos e 6 meses de prisão por crimes investigados pela Operação Lava Jato, o petista foi libertado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e tem feito caravanas pelo país divulgando seu livro “Memórias”.

Nessas andanças aproveita para colocar em prática o que faz de melhor: articular. Os senadores Renan Calheiros (AL) e Eunício Oliveira (CE) estão entre os preferidos, mas também Jader Barbalho (PA) e até os ex-líder do governo de Michel Temer, Romero Jucá (RR). Todos dos MDB.

Parece contraditório, já que o partido de Michel Temer trabalhou pelo impeachment de Dilma e criticou os governos petistas após subir a rampa do Planalto. Contudo, há muitos interesses em comum.

Para entender a reaproximação

O MDB esteve na base governista desde 1992, quando Itamar Franco assumiu interinamente a Presidência da República após o impeachment de Fernando Collor. Essa é uma posição que o partido não pretende deixar. Garante cargos em ministérios, indicação de aliados e apadrinhados, favorecidos e subordinados em uma série de agências e secretarias do governo.

Mas o principal motivo da reaproximação com o PT – que, no âmbito estadual, apesar do impeachment de Dilma, nunca deixou de existir – é a Lava Jato. MDB e PT acreditam que, juntos, os políticos dos partidos poderão garantir uma blindagem contra a operação. Todos os envolvidos nas conversas até agora já foram citados ou respondem a processos referentes a esquemas de corrupção e caixa 2 descobertos graças a delações originadas na Lava Jato.

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Uma aliança com o MDB caso Haddad passe ao segundo turno terá de passar, claro, pelo crivo do partido. Porém, basta que Lula mande isso acontecer. E isso já está em avaliação pelo ex-presidente. Prós e contras serão pesados na decisão e, independentemente de esperneios, que virão, se o maior líder do PT assim decidir, esse será o caminho.

Fechar aliança com o MDB no segundo turno não traz benefícios diretos para a campanha em horário eleitoral, já que nessa fase da eleição os candidatos têm participação igualitária. Mas coloca mais gente na rua para fazer campanha. E, sobretudo, monta uma base de apoio maior no Congresso Nacional. O MDB diminuiu no último ano. Mas segue, ao lado de PT e PSDB, como uma das legendas mais expressivas do país. Tê-lo ao lado é melhor que deixá-lo na oposição, com os tucanos, e deixar os adversários maiores.

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