Dança das cadeiras: quais partidos estão ganhando ou perdendo espaço nos estados

Em mais da metade dos estados brasileiros há chances de o governador eleito neste ano ser de um partido diferente da sigla que ganhou a eleição em 2014. As pesquisas regionais do Ibope* divulgadas até semana passada mostram que, em 17 estados, o candidato ou os candidatos que estão liderando a disputa não são do mesmo partido eleito há quatro anos. O número pode ser ainda maior se incluirmos os três estados em que o cenário ainda é incerto, com chances de ganhar o representante do atual governo ou um adversário. Se o número vier a se confirmar, a dança das cadeiras deste ano será igual a registrada em 2014, quando 17 estados elegeram um candidato de um partido diferente.

A região Nordeste é a única que concentra o maior números de estados com tendência a manter no poder o mesmo partido político. Em todos eles, reelegendo o atual governador. É o caso de Bahia, Ceará e Piauí, que caminham para dar a vitória ainda em primeiro turno para os petistas Rui Costa, Camilo Santana e Wellington Dias.

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Em Alagoas, o emedebista Renan Filho também pode ser reeleito ainda em primeiro turno e no Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB. Já em Pernambuco, o atual governador Paulo Câmara (PSB) conseguiu na última pesquisa, divulgada em 5 de setembro, abrir vantagem para Armando Monteiro (PTB) e assumir a liderança isolada. O único estado fora do Nordeste que deve eleger o atual governador é Mato Grosso do Sul, já que o tucano Reinaldo Azambuja lidera a corrida pela reeleição.

Onde há chances de troca

Nos demais estados, há chances de troca. Em 17, especificamente, o líder ou os candidatos empatados em primeiro são necessariamente de um partido diferente do que venceu em 2014, segundo as pesquisas Ibope.

São eles: Amazonas (PROS, partido que venceu em 2014, para PDT, sigla que lidera a disputa neste ano), Amapá (PDT para PSB), Roraima (PP para PSDB), Sergipe (MDB para PSB/PSDB), Santa Catarina (PSD para PT/MDB), Rio Grande do Norte (PSD para PT), Goiás (PSDB para DEM), Tocantins (MDB para PHS), Espírito Santo (MDB para PSB), Pará (PSDB para MDB), Rio de Janeiro (MDB para DEM/Pode), Paraná (PSDB para PSD), Rondônia (MDB para PSDB), Distrito Federal (PSB para Pros), Mato Grosso (PDT para DEM), Paraíba (PSB para MDB) e Minas Gerais (PT para PSDB).

Pimentel e outros cinco governadores podem perder a reeleição

No caso de Minas Gerais, o PSDB pode voltar ao poder depois de perder a eleição em 2014 para o PT. O atual governador, Fernando Pimentel (PT-MG), que derrotou há quatros anos Pimenta da Veiga (PSDB-MG) no primeiro turno, está atrás do tucano Antonio Anastasia. Na pesquisa Ibope divulgada em 12 de setembro, o petista tem apenas 22% das intenções de voto, contra 31% do tucano. Na simulação de segundo turno, Anastasia derrotaria Pimentel por 41% a 29%. O PSDB venceu quatro das seis últimas eleições para o governo de Minas. O PT chegou ao poder no estado pela primeira vez em 2014.

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Além de Pimentel, outros cinco governadores que tentam a reeleição correm o risco de perder o reinado. É o caso de Pedro Taques (PSDB-MT, eleito em 2014 pelo PDT) no Mato Grosso, Suely Campos (PP-RR) em Roraima, Waldez Góes (PDT-AP) no Amapá e Robinson Faria (PSD-RN) no Rio Grande do Norte, que estão atrás nas pesquisas do Ibope. O atual governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (MDB-RS), é outro com o mandato ameaçado. Ele viu Eduardo Leite (PSDB-RS) saltar de 8% em agosto para 25% na última pesquisa, divulgada em 13 de setembro. Com isso, estão empatados tecnicamente na primeira colocação.

Outro destaque na dança das cadeiras dos partidos é o Democratas (DEM). O partido, que lançou somente dois candidatos em 2014 e não conseguiu eleger nenhum, neste ano saiu com oito nomes em disputa ao governo dos estados e está liderando em dois, com chances de conquistar ainda um terceiro. O democrata Ronaldo Caiado lidera em Goiás e Mauro Mendes em Mato Grosso. No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes está empatado tecnicamente na liderança com Romário (Podemos).

Disputa em São Paulo, no Acre e no Rio Grande do Sul é mais incerta

Em três estados, há ou não chances de mudanças. Em dois, trata-se de quebrar dinastias. Em São Paulo, o PSDB, que desde 1994 venceu todas as eleições para governador no estado, vê o seu candidato, o ex-prefeito de São Paulo João Dória, ameaçado por Paulo Skaf (MDB-SP). Os dois estão empatados tecnicamente na liderança, mas Skaf venceria no segundo turno, segundo a última pesquisa Ibope divulgada em 10 de setembro.

No Acre, é a dinastia petista que está em jogo. Sigla vencedora das eleições estaduais desde 1998, o PT corre o risco de ver Marcus Alexandre, ex-prefeito da capital Rio Branco, perder as eleições. O petista está empatado com Gladson Cameli (PT). O Ibope ainda não simulou segundo turno para o estado.

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O terceiro estado em que o cenário ainda é incerto é o Rio Grande do Sul, com Sartori (MDB-RS) disputando a permanência no poder contra Leite (PSDB-RS).

Vale lembrar, porém, que eleger um candidato de um partido diferente do atual governo não significa necessariamente renovação política, já que alguns partidos reduziram o número de candidatos nas eleições estaduais e focaram na formação de alianças regionais.

*Metodologias

Pesquisas realizadas pelo Ibope. Todas eles possuem margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Confira o número de registro no TSE, de entrevistados e a data de coleta: RS – BR-03069/2018, de 10/09/2018 A 12/09/2018, com 1.204 pessoas; MG – BR-00013/2018, de 09/09/2018 A 11/09/2018, com 1.512; DF – BR-06394/2018, de 09/09/2018 A 11/09/2018, com 1.204; SP – BR-07387-/2018, 07/09/2018 A 09/09/2018, com 1.204; RJ – BR-08034/2018, de 07/09/2018 A 09/09/2018, com 1.204; ES – BR-08894/2018, de 05/09/2018 A 07/09/2018, com 812; PE – BR-01246/2018, de 02/09/2018 A 04/09/2018, com 1.204; PR – BR-01988/2018, de 01/09/2018 A 04/09/2018, com 1.204; MS – BR-06268/2018, de 21/08/2018 A 23/08/2018, com 812; MA – BR-02889/2018, de 21/08/2018 A 23/08/2018, com 812; MT – BR-01573/2018, de 21/08/2018 A 24/08/2018, com 812; MA – BR-02085/2018, de 20/08/2018 A 21/08/2018, com 1.008; AC – BR-00533/2018, de 18/08/2018 A 21/08/2018, com 812; RO – BR-09340/2018, de 18/08/2018 A 21/08/2018, com 812; BA – BR-09377/2018, de 19/08/2018 A 21/08/2018, com 1.008; TO – TO-07815/2018, 14/08/2018 A 16/08/2018, com 812; e PI – BR-00028/2018, de 18/08/2018 A 20/08/2018, com 812.

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