Verdade ou mentira, CPMF de Bolsonaro vira munição para adversários

O economista-chefe da campanha do PSL, Paulo Guedes, dedicou parte dessa quarta-feira (19) a explicar que não está sendo gestado nenhum retorno da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) num eventual governo Jair Bolsonaro. Guedes explicou que a conversa que teve com um grupo de investidores em São Paulo não tratou exatamente disso, mas de aglutinação de impostos e de reavivar a ideia de um imposto único.

Verdade ou mentira, o fato é que a “CPMF de Bolsonaro” rapidamente virou tema da campanha eleitoral e já começou a ser explorada pelos adversários do capitão-deputado. Geraldo Alckmin (PSDB), que está atrás de razões mil para derrubar Bolsonaro, declarou nesta quarta que “de jeito nenhum” recriaria a CPMF se eleito. “Vou reduzir a carga tributária”, prometeu.

No Twitter, o tucano foi mais incisivo, chamando a proposta de “atrasada e cruel” e afirmando que Bolsonaro revelou seu “pacote de maldades”.

Henrique Meirelles (MDB) qualificou a CPMF como uma contribuição ineficiente, que poderia prejudicar a melhora da produtividade no país e complicar a atividade econômica. “É um imposto que incide de maneira errática. As pessoas pagam sem saber que estão pagando”, afirmou. “Isso prejudica mais aqueles de menor renda, porque ele [imposto] vai incidindo sobre transações que a pessoa não tem nem conhecimento.” A candidata da Rede Marina Silva e do PT Fernando Haddad também se posicionaram de forma contrária.

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O petista chamou de pequeno desastre a proposta apresentada por Guedes. Segundo Haddad, esse modelo penaliza os pobres e beneficia os ricos. “Uma campanha disse hoje que vai baixar o imposto dos ricos e aumentar dos pobres”, afirmou.

Desmentido do candidato

Nada mais desagradável para o eleitor do que a perspectiva de aumento ou de surgimento de algum novo imposto. Ainda pela manhã, Bolsonaro tratou de desmentir a volta da CPMF: “nossa equipe econômica trabalha para redução de carga tributária, desburocratização e desregulamentações. Chega de impostos é o nosso lema!”, escreveu nas redes sociais. Mas, como se vê, o estrago já estava feito.

Haddad pode até explorar, mas terá dificuldade de explicar porque então a bancada de seu partido votou a favor da manutenção da contribuição em 2007, quando o Congresso Nacional extinguiu o “imposto do cheque”, como era conhecido. O então ministro da Saúde, José Gomes Temporão, trabalhou contra a derrubada da CPMF e lastimou o seu fim.

Não é bem assim, diz aliado

A tropa de choque de Bolsonaro também saiu em campo logo que surgiu a informação de uma possível volta da contribuição. O deputado Major Olimpio (PSL-SP) disse que conversou com Paulo Guedes e que ouviu do economista que esse assunto foi vazado depois de uma reunião de um grupo de empresários na consultoria GPS, com grandes investidores. E que, no encontro, se tratou de várias assuntos econômicos. Guedes assegurou a Olimpio que não se tratou desse tema, que o economista não verbalizou nada sobre isso.

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O deputado confirmou a presença do ex-deputado do PR e economista Marcos Cintra na equipe econômica de Bolsonaro e da discussão sobre a introdução de um imposto único no país, aglutinando cinco impostos num só. O imposto único foi a bandeira de Cintra durante sua passagem pela Câmara dos Deputados.

“O Paulo Guedes me disse ter remédios para várias doenças, mas que quem decide é quem tem legitimidade popular, o presidente (se Bolsonaro eleito). Foi alguém que interpretou errado e que passou como fonte para algum jornalista. Logicamente abalou a todos nós”, admitiu Olimpio.

Sobre a exploração do tema pelos adversários, o deputado afirmou que espera que isso não aconteça. “Estamos aqui esclarecendo justamente para evitar isso. Quem o fizer, será de má-fé”, disse.

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