9 temas da primeira entrevista em vídeo de Bolsonaro após facada

Prestes a sair do hospital, após ter sofrido um atentado a faca durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG) no dia 6 de setembro, o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) concedeu a primeira entrevista em vídeo após o atentado. Ele comentou sobre a tentativa de homicídio que sofreu, criticou a investigação sobre o caso, disse não ser um risco à democracia e sim ao esquema de indicações políticas e falou sobre o que pretende fazer no governo caso seja eleito.

A entrevista foi divulgada na segunda-feira (24), no canal no YouTube do programa “Os Pingos nos Is”, da rádio Jovem Pan, comando pelo jornalista Augusto Nunes. O vídeo tem duração de 25 minutos e foi feito do quarto do hospital em que Bolsonaro está internado. Estava presente também o seu filho Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

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A expectativa é que Bolsonaro receba alta até o fim desta semana, com possibilidade de isso acontecer já nesta quarta-feira (28). Ele seguiria num avião do hospital e seria acompanhado até o Rio de Janeiro por uma equipe médica. Depois, permaneceria em repouso na sua casa até sua recuperação completa.

Confira os principais pontos abordados por Bolsonaro durante a entrevista:

Facada foi “atentado político” e Adélio Bispo não “agiu sozinho”

Bolsonaro disse que foi vítima de um atentado “político” e que Adélio Bispo de Oliveira, seu agressor confesso, “não agiu sozinho”. Ele afirmou que o objetivo era tirá-lo do combate: “No meu entender, foi (um atentado) planejado, político. Não tenho a menor dúvida. Me tirando de combate, você pega os três, quatro próximos da relação [de candidatos] e são muito parecidos”.

O candidato disse ter convicção de que o agressor não agiu sozinho. “Eu acredito que (Adélio) não agiu sozinho. Ele não é tão inteligente assim. Um ato como aquele a tendência natural é ser linchado. Então, ele foi para cumprir a missão, quase na certeza de que não seria (linchado). E não seria como? Teria gente ao lado dele.”

E que Adélio queria matá-lo: “Cara deu uma facada e rodou. Ele rodou para matar mesmo. O cara sabia que estava fazendo. Por questões de milímetros não atingiu veias que não teria como eu resistir”.

A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito sobre o caso na semana passada e até sexta-feira (28) vai divulgar o relatório. Na conclusão, a PF deve afastar a suspeita de que o agressor tenha recebido pagamento em sua conta bancária para executar o crime e reforçar a versão de que ele teria atuado sozinho, segundos informações dos jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo.

Outro inquérito, porém, será aberto para investigar afundo a vida de Adélio.

Críticas à investigação da Polícia Federal

Na entrevista, Bolsonaro criticou a investigação conduzida pela Polícia Federal nesse primeiro inquérito. “Pelo que ouvi dizer, a Polícia Civil de Juiz de Fora está bem mais avançada que a PF nas investigações. O depoimento que ouvi do delegado da PF que está tocando o caso é para abafar o caso. Lamento o que ouvi ele falando. Dá a entender que até age como defesa do criminoso. Isso não dá para acontecer.”

Na segunda-feira, em sua conta pessoal no Twitter, seu filho Carlos Bolsonaro também havia criticado as investigações. Ele disse ser inacreditável “que diante de tantas evidências a chefia da Polícia Federal descarte uma clara e orquestrada tentativa para assassinar Jair Bolsonaro”.

Bolsonaro afirmou que não quer que a PF invente um responsável. Mas que apure o caso. “Eu não quero que inventem um responsável. Longe disso. Tal partido, tal não sei o que. Dá para apurar o caso. Tem uma passagem falsa dele para Câmara, no dia 6 de setembro. Quando você vai na Câmara, você se identifica, é fotografado. Isso seria um álibi no futuro.”

O candidato se referiu ao fato de a Câmara dos Deputados de Minas Gerais ter registrado a entrada de Adélio no dia 6 de setembro, quando aconteceu o atentado, o que seria impossível, já que o agressor passou o dia em Juiz de Fora, acompanhando o ato de campanha de Bolsonaro. Depois, a Casa explicou que tratou-se de um equívoco de um funcionário. Esse funcionário, ao checar se Adélio tinha dado entrado na Câmara em algum momento, acabou fazendo o registro.

Fim à progressão de pena e lei dos três crimes

Ao falar sobre as penalidades que são impostas em casos de tentativa de homicídio, como a que sofreu, Bolsonaro defendeu pôr fim à progressão de pena, caso venha a ser eleito. “(No caso da) tentativa de homicídio, por que a pena tem que ser abaixo de um homicídio em si? Vamos mudar isso. E vamos acabar com progressão de pena.”

O deputado falou que “não vai ficar dando ouvidos a entidades de direitos humanos de que o presidiário vive em más condições”. “Quem estaria em péssimas condições seria minha familia se eu tivesse morrido”, completou.

DESEJOS PARA O BRASIL: Formar cidadãos éticos para um mundo em transformação

Ele defendeu, ainda, implantar a lei dos três crimes no Brasil, inspirado na regra adotada nos Estados Unidos. “Cara cometeu três crimes, não importa quais sejam, dez anos (de prisão) sem progressão (de pena). Saiu e fez de novo, passa para 20.” E aproveitou para criticar a lei atual: “Punição quase inexistente é estímulo a ser criminoso”.

Sou um risco aos esquemas políticos, diz Bolsonaro

Ao ser questionado sobre ser apontado como um risco à democracia por adversários e algumas publicações, como a revista britânica The Economist, Bolsonaro rebateu essa tese. “Esses caras que falam que eu sou um risco à democracia, na verdade eu sou um risco aos esquemas deles. Não vai ter mais indicação para BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste.” E completou: “Eu sou um risco àqueles pendurados em estatais do governo”.

Privatizações

Ao falar sobre o que considera uma “cabide de empregos”, Bolsonaro defendeu a privatização de estatais. “Estatais ociosas, com toda certeza serão privatizadas”. Atualmente, existem 144 empresas estatais federais.

“Conversei com Paulo Guedes, vamos priorizar um estudo muito apurado (sobre privatização), para não fazer injustiça com ninguém. Mas muitas serão sim privatizadas. No governo do PT, umas 50 (estatais) foram criadas.Tem até estatal do trem bala. Tem a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) também, outra que tem que olhar com muito carinho. Orçamento de pouco mais de R$ 1 bilhão por ano para um TV que ninguém assiste. E amigos do rei estão lá”, afirmou Bolsonaro em entrevista ao “Os Pingos nos Is”. Paulo Guedes é o economista responsável pelo seu plano de governo.

O candidato, porém, ressaltou que não quer privatizar empresas estratégicas. “Tenho conversado com o Paulo Guedes que Banco do Brasil, Caixa, para mim, são estratégicas. Estas estão fora de cogitação.”

Manter relações comerciais com a China, mas com cautela

Crítico da invasão de empresas chinesas – a grande maioria estatais – no Brasil, Bolsonaro deseja manter relações comerciais com o país asiático, mas disse que não pode permitir que “a China ou qualquer outro país, em vez de comprar no Brasil, venha comprar o Brasil”.

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Live no horário eleitoral e sem campanha de rua

Bolsonaro falou na entrevista que deve sair do hospital nesta semana. Isso, contudo, não significa que o candidato voltará às ruas. Ele reconheceu que terá que ficar em repouso em casa até a sua completa recuperação.

“Até as eleições, eu não posso sair de casa. Se eu levar um esbarrão na rua na situação que eu estou aqui, posso colocar tudo a perder. Não posso ir para a rua. Peço a compreensão (dos eleitores).”

Para compensar a ausência no corpo a corpo, o deputado informou que, a partir de 1.º de outubro, vai começar a fazer transmissões ao vivo de suas redes sociais durante o horário eleitoral gratuito noturno, que se inicia sempre às 20h30. Ele quer concorrer com a propaganda dos candidatos, já que sua aparição é de apenas oito segundos.

Indicações por competência e possíveis dois ministros

Se eleito, Bolsonaro diz que vai acabar com as indicações políticas e que vai compor a sua equipe pelo mérito das pessoas. Ele chegou a mencionar dois nomes que considera competentes e que estão em estudo para serem ministros em um eventual governo do candidato do PSL.

DESEJOS PARA O BRASIL: Uma política moralmente exemplar

Um deles seria o astronauta Marcos Pontes, que é também tenente-corenel da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB). O outro nome seria o do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) para chefe da Casa Civil. “Não seria por indicação partidária. (Seria por) mérito dele. Vestiu essa camisa comigo. É uma pessoa adequada para estar lá”, diz ao se referir a Lorenzoni.

Mudanças no Imposto de Renda

Sobre o Imposto de Renda (IR), Bolsonaro defendeu a proposta de seu economista Paulo Guedes. A ideia seria isentar quem ganha até cinco salário mínimos do pagamento e colocar uma alíquota única de 20% para os demais. O percentual, porém, pode vir a ser mudado. “Se a alíquota de 20% estiver alta para alguns, converso com o Paulo Guedes.”

O deputado reconheceu que a medida pode trazer perdas de arrecadação para a União, mas que traria outros benefícios, como mexer no sistema sem exigir sacrifícios e estimular o emprego. “A União perderia arrecadação, mas o gás que você daria para empresas, desonerando a folha de pagamento, compensa e muito.”

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