Dólar opera em queda, no patamar de R$ 4,05, à espera do Fed e de olho nas eleições

Na véspera, a moeda norte-americana recuou 0,1%, vendida a R$ 4,0822.

O dólar passou a operar em queda nesta quarta-feira (26), com o mercado financeiro de olho no cenário eleitoral e à espera do possível anúncio do Federal Reserve (banco central norte-americano) de que as taxas de juros serão elevadas pela terceira vez no ano nos EUA.

Às 12h34, a moeda norte-americana caía 1,03%, vendida a R$ 4,0412.

O Fed divulga junto com a decisão de política monetária novas projeções econômicas e em seguida o chair Jerome Powell dará entrevista à imprensa. O mercado buscará indícios sobre o futuro da política monetária diante da aceleração no crescimento econômico dos Estados Unidos e do ambiente mais adverso com a guerra comercial com a China.

“Ao Federal Reserve, em território relativamente desconhecido, resta seguir em diante com a normalização das taxas de juros, de modo a evitar uma surpresa inflacionária além do controle, sem, no entanto, travar o atual ritmo da economia”, afirmou a gestora Infinity em relatório.

O mercado monitora pistas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos porque, com taxas mais altas, o país se tornaria mais atraente para investimentos aplicados atualmente em outros mercados, como o Brasil, motivando assim uma tendência de alta do dólar em relação ao real.

Pesquisas eleitorais também estão no radar dos investidores, apontando para um cenário com candidatos mais comprometidos com as reformas sem tração na corrida presidencial.

O Banco Central realiza nesta sessão leilão de até 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares para rolagem do vencimento de outubro, no total de US$ 9,801 bilhões. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

A moeda dos EUA fechou em leve queda na terça-feira (25), recuando 0,1%, vendida a R$ 4,0822, com os investidores repercutindo as últimas pesquisas eleitorais no país e monitorando o cenário internacional. No ano, o dólar acumula alta de 23,20%.

Novo patamar e perspectivas
A recente disparada do dólar acontece em meio a incertezas sobre o cenário eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que faz aumentar a procura por proteção em dólar.

Investidores têm comprado dólares em resposta a pesquisas que mostram intenção de voto mais baixa para candidatos considerados mais pró-mercado. Na avaliação do mercado, os candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto são menos comprometidos com determinados modelos de reformas econômicas considerados fundamentais para o ajuste das contas públicas.

Na prática, as flutuações atuais ocorrem principalmente conforme cresce a procura pelo dólar: se os investidores veem um futuro mais incerto ou arriscado, buscam comprar dólares como um investimento considerado seguro. E quanto mais interessados no dólar, mais caro ele fica.

Outro fator que pressiona o câmbio é a elevação das taxas básicas de juros nas economias avançadas como Estados Unidos e União Europeia, o que incentiva a retirada de dólares dos países emergentes. O mercado tem monitorado ainda a guerra comercial entre Estados Unidos e seus parceiros comerciais e a crise em países como Argentina e Turquia.

A visão dos analistas é de que o nervosismo tende a continuar até que se tenha uma maior definição da corrida eleitoral.

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 subiu de R$ 3,83 para R$ 3,90 por dólar, segundo o último boletim Focus do Banco Central. Para o fechamento de 2019, avançou de R$ 3,75 para R$ 3,80 por dólar.

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