3,4 milhões de eleitores não poderão votar em outubro. Quem ganha com isso?

Quase 3,4 milhões de eleitores tiveram os títulos cancelados confirmados e não poderão votar no mês que vem, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso porque não realizaram o cadastramento biométrico, que se tornou obrigatório para quase metade dos brasileiros neste ano. A redução na massa de eleitores acontece quatro anos após a eleição presidencial que reelegeu Dilma Roussef (PT) ter sido decidida por uma diferença de 3,5 milhões de votos. E tem partido de olho no impacto desses números.

Na quarta-feira (26), o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou uma ação proposta pelo PSB, que tinha o PT como parte interessada, para anular o cancelamento dos títulos e permitir que essas pessoas votassem normalmente. Mas venceu a tese de que o voto está condicionado ao alistamento obrigatório no cadastramento do TSE. 

LEIA TAMBÉM: Com medo de vazamentos, Rosa restringe acesso a processos no TSE

A preocupação dos partidos era com os números. A maioria dos eleitores que não votarão no primeiro turno no domingo 7 de outubro está no Nordeste – cerca de 45% dos títulos cancelados ou 1,5 milhão de eleitores. A Bahia é o estado com mais pessoas sem cadastramento biométrico: 586 mil. 

Fernando Haddad (PT) lidera as pesquisas de intenção de voto no Nordeste com 26%, segundo o último Datafolha. E na Bahia aparece com 33% da preferência. 

Para a campanha petista, os 1,5 milhão de títulos cancelados podem fazer falta na contagem de votos final. “Quando você conta 1 milhão a menos de voto, é coisa demais. Numa eleição acirrada como essa, isso não podia acontecer. Além disso, é uma falta de serviço ao cidadão não deixar que ele escolha seu próximo governante”, afirmou um governador da sigla. 

LEIA TAMBÉM: 6 pontos para decifrar o que Cabo Daciolo faria se fosse presidente

O outro estado com mais títulos de eleitor cancelados por falta de cadastramento biométrico é São Paulo, onde 385 mil pessoas não poderão votar esse ano. Lá, o líder é Jair Bolsonaro (PSL), com 30% das intenções de voto, conforme o Datafolha. 

A pesquisa aponta o candidato do PSL à frente no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte. As quatro regiões somadas, têm quase 1,9 milhão de títulos anulados. 

O sistema da biometria vem sendo adotado desde 2014 e visa aumentar a segurança contra fraudes no pleito. Segurança é a palavra de ordem no TSE. Para a presidente da Corte, Rosa Weber, que defendeu o cancelamento desses títulos, é preciso evitar qualquer motivo para contestações dessa eleição. E manter as coisas como estão, sem mudanças de véspera, é um jeito de garantir isso. 

DESEJOS PARA O BRASIL: Formar cidadãos éticos para um mundo em transformação

No dia 7 de outubro, no primeiro turno, o eleitor que já tiver biometria será identificado não apenas pelo documento com foto, como pela digital. 

Dos 5.570 municípios brasileiros, a identificação será biométrica em 2.793. Em 1.415 cidades, os eleitores serão identificados pelo método tradicional. Há ainda 1.533 cidades em que o sistema será híbrido, já que o cadastro biométrico não é obrigatório, mas parte dos eleitores já estão no novo sistema.

Metodologia citada

Pesquisa realizada pelo Datafolha de 18/set a 19/set/2018 com 8.596 entrevistados (Brasil). Contratada por Rede Globo e jornal Folha de S. Paulo. Registro no TSE: BR-06919/2018. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Confiança: 95%.

Mais na Gazeta do Povo!



Leia Também:
Anterior:

Próxima: