Como a bancada de seu candidato votou nas reformas de Temer?

O presidente Michel Temer (MDB) conta com menos de 3% de aprovação de sua gestão* e, por isso, os presidenciáveis fazem de tudo para se dissociar da imagem dele. O que nem sempre dá certo.

Por defender reformas, um dos temas mais recorrentes na gestão de Temer, Geraldo Alckmin (PSDB) acaba sendo tachado como herdeiro do atual governo. E não é à toa. Deputados dos partidos que apoiam o tucano votaram, em sua maioria, a favor de importantes mudanças propostas pelo governo, segundo levantamento feito pelo Ranking dos Políticos para a Gazeta do Povo.

O estudo mostra, ainda, que a bancada que hoje apoia Jair Bolsonaro (PSL) também esteve fiel a Temer. Inclusive, mais fiel do que a bancada do próprio MDB, partido do presidente e do candidato Henrique Meirelles. A fidelidade da bancada de Bolsonaro aconteceu em pelo menos duas votações importantes e polêmicas propostas pelo governo.

Os projetos de Temere as bancadas de Alckmin e Bolsonaro

O Ranking dos Políticos compilou dados das votações de cinco projetos polêmicos aprovados na gestão Temer. Os dois em que a bancada que hoje apoia Bolsonaro foi mais fiel a Temer que o próprio MDB foram a reforma do ensino médio e o fim da exclusividade da Petrobras na exploração do pré-sal.

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A bancada que hoje apoia o candidato Geraldo Alckmin foi mais fiel que o próprio MDB em uma votação, a do projeto de lei que ampliava as possibilidades de trabalho terceirizado nas empresas. Nesta votação, a bancada atual de Jair Bolsonaro foi a segunda que mais apoiou a proposta, enquanto a bancada do MDB foi a terceira com maior adesão.

Reforma trabalhista

Outra curiosidade desse levantamento está na votação da reforma trabalhista. Os deputados que hoje apoiam Jair Bolsonaro foram majoritariamente contrários ao projeto. Essa posição vai contra o que o próprio Bolsonaro já declarou em entrevistas, ao afirmar que mais direitos trabalhistas podem ampliar desemprego. Essa foi sua justificativa ao votar contra a PEC das Domésticas e colocar em seu plano de governo a criação da “carteira de trabalho verde-amarela”, que propõe priorizar o que for definido entre o trabalhador e seu patrão.

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Os correligionários de Bolsonaro também registraram maior apoio ao projeto de fim da exclusividade da Petrobras no pré-sal, acima até da aprovação dos emedebistas da base do governo.

Bancada de Marina é a mais dividida

Marina Silva (Rede) tem a bancada que mais ficou dividida em relação aos projetos do Temer. Em votações como da PEC do Teto de Gastos e da Reforma Trabalhista, seus atuais apoiadores ficaram no meio a meio: metade a favor do projeto de Temer e metade contra.

Veja como votou cada bancada de apoio na Câmara aos atuais presidenciáveis em cinco projetos polêmicos aprovados pelo governo Temer: 

Governabilidade : simulações com base na bancada atual

O levantamento da fidelidade à agenda do governo considerou as atuais coligações para candidatura à Presidência da República, como forma de mostrar uma aproximação de como seriam as votações na Câmara com base no perfil dos deputados que hoje apoiam cada candidato. No ano que vem, após a definição eleitoral e a chegada de novos deputados (bem como a manutenção dos que forem reeleitos), tal placar tende a mudar. 

Mas com a atual bancada e composição das alianças, somente Alckmin teria maioria para aprovar projetos no Congresso. Ele construiu a maior coligação, arregimentando o chamado Centrão, grupo de partidos composto por PP, PR, DEM, PRB e Solidariedade, e ainda trazendo o seu PSDB, além de PTB, PPS e PSD. Com o quadro atual de deputados, teria 274 deputados em sua base.

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O candidato do PT, Fernando Haddad, teria a segunda maior bancada, mas já não seria capaz de aprovar projetos de lei somente com seus correligionários. A aliança é composta pelo PT, PCdoB e PROS, e soma 71 deputados.

Henrique Meirelles vem com a terceira maior bancada. Sua coligação com o PHS resultaria em 55 deputados em sua base. Ciro Gomes (PDT) compôs com o Avante, resultando em 24 deputados.

Já Bolsonaro teria apenas oito deputados em sua atual base. Marina Silva, seis.

Metodologia da pesquisa citada

*Pesquisa CNT/MDA realizada entre os dias 15 e 18 de agosto de 2018. Ouviu 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 estados. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-09086/2018.

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