Em debate, vices de Ciro e Alckmin atacam PT e garantem ser terceira via

As candidatas a vice-presidente Ana Amélia (PP), da chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), e Kátia Abreu (PDT), da chapa de Ciro Gomes (PDT), aproveitaram debate realizado nesta terça-feira, 2, para reforçar ataques à candidatura do PT, numa tentativa de se viabilizarem como a terceira via da disputa presidencial. Líder nas pesquisas e sem representante no debate, Jair Bolsonaro (PSL) foi pouco atacado.

O encontro, organizado por UOL, Folha de S.Paulo e SBT, contou apenas com a participação de Ana Amélia, Kátia Abreu e Manuela D’Ávila (PCdoB), vice na chapa de Fernando Haddad (PT). Também foram convidados os vices Hamilton Mourão (PRTB), de Bolsonaro, e Eduardo Jorge (PV), de Marina Silva (Rede). Mourão recusou o convite porque, segundo ele, é Bolsonaro quem fala pela chapa. Jorge alegou incompatibilidade de agenda.

Amiga da ex-presidente Dilma Rousseff e contrária ao impeachment da petista, Kátia Abreu evitou fazer críticas ao PT pelo lado da corrupção. Sua estratégia foi questionar a capacidade de Haddad de governar o País, recorrendo à derrota do petista na tentativa de se reeleger prefeito de São Paulo em 2016.

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/10/02/Republica/Imagens/Vivo/33589723481_197b005a0a_o.jpgAna Amélia (PP), da chapa de Geraldo Alckmin Edilson Rodrigues/Agência Senado

“Acho que o PT está brincando à beira do abismo. Haddad não tem a menor condição. Ele não soube governar São Paulo, foi reprovado como prefeito da maior capital da América Latina. Ele nem terminou o ensino médio e já quer ir para o ensino superior. Precisa repetir de ano para depois tentar a Presidência”, disse a vice da chapa de Ciro, cujo mote de campanha tem sido se apresentar como a terceira via da disputa.

A vice de Alckmin, por sua vez, priorizou ataques relacionados a escândalos de corrupção. Após a vice de Haddad afirmar que o juiz Sergio Moro tem motivações políticas, Ana Amélia disse que esta afirmação é preocupante, porque coloca em risco as investigações em caso de vitória do PT. “Eu temo pelo futuro da Lava Jato, a depender do resultado da eleição”, disse.

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Sem Mourão no debate, Bolsonaro foi pouco criticado. Até mesmo a vice da chapa tucana, que tenta atrair votos do capitão da reserva com o argumento de que só Alckmin é capaz de derrotar o PT no segundo turno, foi contida quando teve a oportunidade de falar sobre o líder das pesquisas, numa pergunta de uma jornalista sobre quem ela apoiaria em um eventual segundo turno entre os candidatos do PT e do PSL.

Ana Amélia se limitou a dizer que não trabalha com esse cenário e que Alckmin é o nome que representa a terceira via. “Geraldo Alckmin é a terceira via, pelo seu poder moderador, pela convergência ao centro”, disse a vice do tucano. “Os desafios para 2019 são gigantescos e, sem essa capacidade de articulação [de Alckmin], o que nos espera é uma situação bastante complicada”, disse.

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/10/02/Republica/Imagens/Vivo/AFP_1827L3.jpgManuela D’Ávila (PCdoB), vice na chapa de Fernando Haddad (PT)EVARISTO SA/AFP

A declaração de Ana Amélia, posicionando Alckmin como a terceira via, contrasta com o histórico do PSDB em disputas presidenciais. Desde 1994, o partido tem polarizado com PT, sempre ficando em primeiro ou segundo lugar. Venceu em 1994 e 1998, com Fernando Henrique Cardoso, e perdeu no segundo turno em 2002, 2006, 2010 e 2014, todas para candidatos petistas.

Manuela, já de olho num segundo turno contra Bolsonaro, foi mais incisiva em menções ao capitão da reserva. Em sua última fala, por exemplo, buscou contrapor a chapa petista à do candidato do PSL. Para isso, listou bandeiras que apoia, como a igualdade de direitos entre homens e mulheres, e, após citar cada uma, mencionava a hashtag #Elenão, para deixar claro que Bolsonaro representa o oposto. A hashtag foi o símbolo das manifestações de mulheres que ocorrerem em todo o Brasil no último sábado contra Bolsonaro.

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Em resposta aos ataques de Kátia Abreu e Ana Amélia, Manuela ressaltou que o plano de governo do PT inclui desenvolvimento econômico com justiça social, reforçou a tese de que de que o combate à corrupção avançou no Brasil graças a instrumentos criados e fortalecidos nos governos petistas e disse que Haddad tem “tranquilidade e capacidade para lidar com as divergências”.

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