Música e mobilidade: estudo inédito analisa composições que retratam o ir e vir das pessoas


Levantamento realizado pelo Instituto Mobih mostra que excesso de
velocidade sempre foi uma temática comum na produção musical, algo que
reflete a realidade das estradas. Em 2017, por exemplo, essa foi a
infração
mais recorrente entre os veículos de carga pesada
Música e mobilidade sempre andaram juntos! Seja no fone de ouvido, enquanto
alguns andam de ônibus, metrô, trem, ou até mesmo a pé; seja no rádio
do
carro, a música dita o ritmo das cidades. De forma inédita, o Instituto se
propôs a entender esta relação e comprovou que as canções têm sido um
retrato do trânsito ao longo dos tempos. Criado para promover
conscientização sobre mobilidade humana, incentivando práticas mais
inteligentes e seguras, o Instituto Mobih é o responsável por este estudo,
que considera composições desde os tempos de Roberto Carlos, nos anos 60,
até
Projota, nos dias atuais.
A proposta do Estudo sobre Música e Mobilidade é indicar como o trânsito
e a
mobilidade revelam-se importantes em diversas manifestações culturais. Na
música nacional, em especial, existe uma influência clara para a
composição
de letras que retratam o modo como os brasileiros identificam sua relação
com
o espaço que ocupam.
Ao todo, foram analisadas mais de 158 mil músicas, sendo que 361 delas
retratam
a mobilidade de alguma forma: engarrafamento, carro, bicicleta, transporte
público, trajeto, custo de passagens, comportamento ao volante, entre
outros
termos. Os dados indicaram que nos anos 60, somente 2,3% das músicas
falavam de
alguma maneira sobre mobilidade. Nos dias de hoje, como existe maior
divulgação e conscientização do tema, o número sobe para 55,3%.
Arte imita a vida
O levantamento mostra que a música sertaneja é líder em canções
que
citam mobilidade, com percentual de 27,9% das menções. Para a gerente de
Marketing do Instituto Mobih, Viviane Macedo, o estilo é um exemplo deste
impacto mútuo. “Em diversas oportunidades, as composições sertanejas
tendem a
retratar a saudade que o caminhoneiro sente da amada e este é um sentimento
que
o motiva a acelerar para chegar logo em casa”, explica. De acordo com a
Polícia
Rodoviária Federal (PRF), o excesso de velocidade foi a infração mais
cometida por motoristas de caminhão no ano passado, representando 37% de
todas
as autuações feitas em veículos de carga pesada.
Segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), 90% dos
acidentes de trânsito ocorrem por falhas humanas, que incluem desatenção
dos
condutores e desrespeito à legislação. Nas composições analisadas o
cenário é parecido: 92 citam a imprudência no trânsito e 32 falam sobre
ações conscientes. Ao retratar os hábitos mais imprudentes, o excesso de
velocidade também lidera o estudo (41,7%), seguido por dirigir na
contramão
(13,9%), embriaguez ao volante (9,8%), entre outros.
História se repete
Música e mobilidade estão ligadas de alguma forma, desde os anos 60,
quando
Roberto Carlos alçava hits como “O Calhambeque” e “Eu Sou Terrível” ao
topo
das paradas de sucesso. “Naquela época já era comum que um motorista
ouvisse
canções por meio de sua estação de rádio favorita. Este hábito
prevalece
nos dias atuais, mas o avanço tecnológico também permite uma variedade de
listas em pen drives plugados no automóvel ou conexão via bluetooth. Já
nas
ruas e em transportes públicos, é comum ver as pessoas se locomovendo
concentradas ao que escutam no fone de ouvido”, observa Macedo.
Com oito músicas relacionadas à mobilidade, o rapper Projota é um dos
artistas da atualidade que mais retrata o tema. Em 2011, ele lançou
“Rap
do Ônibus”, onde critica a lotação nos transportes públicos,
especialmente
na estação Sé do Metrô. Além disso, fala também sobre tarifas do
ônibus.
Após as manifestações do Movimento Passe Livre, em 2013, foi convidado a
participar do programa Câmara Ligada (espaço da Câmara dos Deputados para
a
juventude falar sobre política, cultura e cidadania), em um debate sobre
mobilidade urbana e todos os problemas que a juventude passa para se
deslocar
pela cidade.
A mobilidade segundo os gêneros musicais
No estilo Sertanejo, os temas são quase sempre relacionados a
“caminhoneiros românticos”, “o volante e a cachaça” e “violeiros
conscientes”. Na década de 80, Sula Miranda emplacou alguns sucessos
relacionados ao universo dos motoristas de carga pesada, como retrata a
canção
“Caminhoneiro do Amor”. Queridinhos atuais do público jovem, a dupla Zé
Neto e
Cristiano demonstra certa consciência em um trecho de “Amigo Taxista”, em
que o
personagem diz que bebeu demais e não tem condições de dirigir e, por
este
motivo, decidiu pedir um táxi e deixar o carro estacionado.
O estilo contestador do Rock é visto em 15,5% das músicas, na maioria
das
vezes falando sobre o transporte público lotado, trânsito parado e o quão
estressante isso tudo se torna para o trabalhador brasileiro. A MPB com
14,6%
segue a mesma linha e, além dos problemas citados acima, também destaca a
falta de mobilidade urbana.
O Rap e o Hip Hop estão presentes em 13,5% do levantamento, com músicas
que
narram histórias de moradores da periferia e as dificuldades no
deslocamento
para o destino, além da preocupação com os perigos da região onde
moram. Samba e pagode (4,1%), quase sempre falam sobre “flerte fatal” em
meio
aos acontecimentos (ônibus cheio, engarrafamento, etc.). Embora
o Funk apareça em 2,7% das menções sobre o cotidiano da
mobilidade,
boa parte das composições fazem apologia a dirigir em alta velocidade, com
carros sem placa e até mesmo fugir da polícia. Somados, outros estilos
musicais têm percentual de 21,6% no estudo.
Sobre o Instituto Mobih
O Instituto Mobih foi criado para garantir o engajamento das pessoas com uma
mobilidade humana mais inteligente e segura, por meio do intercâmbio de
informações, ideias e conteúdos relevantes sobre as diferentes maneiras
que
cada indivíduo dispõe para transformar a atual realidade das cidades.
Para isso, promove encontros, fóruns interativos e workshops temáticos que
reúnem diversos agentes e impulsionam a diversidade de diálogos acerca dos
desafios da mobilidade, garantindo o incentivo a mudanças nesse cenário.

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