O impacto das universidades corporativas na formação do profissional brasileiro

Manter um time preparado e capacitado, que torna as empresas mais inovadoras e produtivas, faz toda a diferença em um mundo competitivo como o atual, marcado por rápidas transformações, sobretudo em decorrência do avanço das novas tecnologias. Diante deste cenário, é cada vez maior o número de companhias que trazem para dentro de casa a responsabilidade de treinar e capacitar seus colaboradores.

Nascidas na década de 70 nos Estados Unidos, as universidades corporativas desembarcam no Brasil em meados dos anos 90. Embora ainda estejam presentes em um número pequeno de empresas em solo brasileiro, há uma tendência de alta. Uma pesquisa sobre educação empresarial, realizada em 2016 pela consultoria Delloite com 178 empresas brasileiras, apontou um crescimento de 14% no número de companhias que investiram em universidades corporativas, comparado à mesma pesquisa realizada dois anos antes. Entre outros números, o levantamento mostrou ainda um aumento de 42% na quantidade de organizações com programas dedicados à prática de educação corporativa e um crescimento de 74% em treinamentos presenciais.

O que estas empresas têm em comum? Elas entenderam que o investimento traz retorno a curto, médio e longo prazos.

“Além da universidade corporativa, outras iniciativas como multiplicadores internos e job rotation têm ganhado espaço nessa necessidade de capacitação do público interno, bem como treinamentos que prezam pela vivência, coconstrução e junção da teoria com a prática. Neste cenário, ter líderes preparados se torna primordial, pois eles são os grandes guardiões da cultura e disseminadores do propósito das organizações, que inspiram tanto as novas gerações”, afirma Christiano Moreno, sócio da consultoria de capital humano Fesa Advisory.

Habilidades de mudança

Uma pesquisa realizada pela McKinsey Global Institute em países europeus e Estados Unidos sobre os impactos tecnológicos na economia, nos negócios e na sociedade nos próximos 15 anos traz conclusões interessantes com relação às ‘habilidades de mudança’.

Há uma tendência de queda em habilidades cognitivas básicas, físicas e manuais, enquanto há uma tendência de alta em habilidades sociais e emocionais. Requisitos como comunicação, empreendedorismo, gestão, liderança, criatividade, pensamento crítico e tomada de decisão nunca estiveram tão na pauta como atualmente.

O que diferencia os países europeus (França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido) dos Estados Unidos, segundo o mesmo levantamento, é como as empresas devem resolver essa questão: as companhias européias pretendem solucionar ‘retreinando’ seus colaboradores, enquanto as empresas americanas estão indo pelo caminho da contratação.

“Quando avaliamos o cenário brasileiro, embora desconheço pesquisas que tratam exatamente o assunto, vejo um certo equilíbrio nas formas como as organizações irão se adaptar. As empresas em geral reconhecem a necessidade de desenvolver os talentos internamente. Adicionalmente, vejo movimentos de parcerias com instituições de ensino”, conclui Moreno.

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