Dólar opera em alta, de olho em exterior e noticiário político

No dia anterior, o dólar fechou em queda de 0,65%, vendida a R$ 3,6883.

O dólar opera em leve alta nesta terça-feira (23), em dia de aversão ao risco no exterior devido a preocupações com o crescimento da China, orçamento italiano e o Brexit do Reino Unido, mas com o otimismo com o desfecho eleitoral doméstico servindo de contraponto, segundo a Reuters.

Às 12h52, a moeda norte-americana subia 0,55%, vendida a R$ 3,7086.

No exterior, o dólar tinha leve baixa ante a cesta de moedas, mas subia ante as divisas emergentes, com destaque para a lira turca, em meio à expectativa de que um discurso do presidente turco, Tayyip Erdogan, no final do dia forneça mais detalhes sobre a investigação do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado saudita em Istambul.

Também estavam preocupando os agentes no exterior o desempenho da economia chinesa e o impasse para a saída do Reino Unido da União Europeia.

No cenário local, o foco está voltado para notícias sobre o viés do novo governo, com a formação da equipe e medidas que serão implementadas, com o mercado interessado principalmente no ajuste fiscal.

Da agenda de pesquisas eleitorais, está prevista para esta terça-feira a divulgação de novo levantamento após o fechamento do pregão.

O Banco Central vendeu nesta sessão 7,7 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 6,16 bilhões do total de US$ 8,027 bilhões que vence em novembro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

No dia anterior, o dólar fechou em queda de 0,65%, vendida a R$ 3,6883. Na mínima do dia, o dólar chegou a R$ 3,6692.

Perspectivas

Desde agosto, a moeda norte-americana vinha se mantendo acima de R$ 4, em meio a incertezas sobre a corrida eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que fez aumentar a procura por proteção em dólar.

Nas últimas semanas, porém, a expectativa de que a cautela iria predominar nos mercados foi substituída por ajuste de posições e uma intensa queda da moeda, em meio ao resultado do 1º turno e expectativas sobre o desfecho da corrida eleitoral.

O mercado prefere candidatos com viés mais reformista e liberal, e entende que aqueles com viés mais à esquerda não se enquadram nesse perfil. E cresce entre os investidores a percepção de que o país poderá ser governado por alguém com um perfil mais alinhado às suas preferências.

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 recuou de R$ 3,81 para R$ 3,75 por dólar, segundo previsão de analistas de instituições financeiras divulgada por meio de boletim de mercado pelo Banco Central nesta semana. Para o fechamento de 2019, permaneceu estável em R$ 3,80 por dólar.

A despeito das persistentes incertezas para a economia brasileira, alguns especialistas apontam que uma nova rodada de queda do dólar no curto prazo não é descartada. Mas seria preciso um movimento bastante intenso de busca por risco no exterior ou uma nova onda de euforia com o futuro cenário político e agenda de reformas.

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