Dólar opera instável, de olho no exterior e discussão sobre Previdência

No dia anterior, a moeda norte-americana fechou em alta de 1,51%, vendida a R$ 3,7068.

O dólar opera instável nesta terça-feira (30), monitorando o cenário externo e o noticiário político local um dia depois de o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), ter dito que tentará aprovar já neste ano alguns pontos da reforma da Previdência em tramitação no Congresso.

Às 13h05, a moeda norte-americana subia 0,11%, vendida a R$ 3,7108.
Bolsonaro afirmou na véspera que vai conversar com o governo do presidente Michel Temer na próxima semana para discutir projetos que possam ser aprovadas ainda este ano no Congresso Nacional, incluindo a reforma da Previdência.

Ele afirmou ainda que irá tentar impedir que o Congresso aprove neste ano medidas chamadas pautas-bomba, para que não afetem ainda mais as contas públicas do país.

“Nas primeiras comunicações pós-eleição, Bolsonaro e outros representantes de seu governo reforçaram o compromisso com a agenda econômica liberal e mantiveram o tom unificador”, destacou a corretora XP em relatório.

“O comprometimento com a agenda econômica e priorização da mesma é um forte sinal na direção do mercado, mesmo que a execução disso ainda seja complexa em 2018”, completou.

Nesta manhã, o futuro ministro da Fazenda do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, negou que o governo planeje vender as reservas internacionais. Também defendeu a permanência de Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central, embora isso ainda não esteja definido, e que o BC deve ser independente e ter mandato não coincidente com o do presidente da República.

Cenário externo

No exterior, o dólar subia ante a cesta de moedas, tendo atingido uma nova máxima de 2 meses e meio devido às preocupações sobre uma intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Ante as emergentes, no entanto, o dólar operava com pequenas quedas, como ante o peso mexicano e o rand sul-africano.

Na véspera, a Bloomberg informou que Washington está se preparando para anunciar tarifas sobre todas as importações chineses remanescentes no início de dezembro se as negociações entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, planejadas para o próximo mês, não aliviarem a guerra comercial. Nesta terça-feira, Trump disse acreditar que haverá “um grande acordo comercial” com a China.

Atuação do BC no câmbio

A expectativa sobre a rolagem do vencimento de dezembro de swaps cambiais tradicionais –equivalente à venda futura de dólares– trazia alguma cautela aos investidores, de acordo com a Reuters.

“O volume é expressivo. O BC tem anunciado sua intenção de rolar geralmente no final do mês. Como o dólar caiu bastante esse mês, há a dúvida sobre se haverá ou não rolagem integral”, disse à Reuters o gestor de derivativos de uma corretora estrangeira.

Em dezembro, vencem US$ 12,217 bilhões em swaps cambiais. Além disso, na próxima segunda-feira (5) vencem US$ 900 milhões em linha, que o mercado acredita que o Banco Central pode deixar vencer.

Nesta terça-feira, o BC vendeu 6.530 contratos de swap cambial tradicional, concluindo a rolagem dos US$ 8,027 bilhões que vencem em novembro.

No dia anterior, a moeda norte-americana fechou em alta de 1,51%, vendida a R$ 3,7068.

Agenda reformista

Segundo a Reuters, a crença de que Bolsonaro seria eleito fez com que o dólar ficasse mais barato em 20 centavos de real entre o primeiro e segundo turno, mas a continuidade desta queda passa a depender do que o novo governo vai implementar de fato.

De acordo com a Reuters, o recuo do dólar ante o real já durante a corrida pelo segundo turno das eleições foi em decorrência da precificação da presença do liberal Paulo Guedes na equipe de Bolsonaro como ministro da Fazenda, responsável por implementar medidas caras ao mercado, como ajuste fiscal, privatizações e reforma da Previdência. Mas esse otimismo entre os investidores só vai se manter se a agenda reformista andar.

Segundo o diretor de operações da Mirae Asset, Pablo Spyer, o mercado confia que Paulo Guedes possa atrair investimentos grandes e duradouros para o país, o que significa que pode entrar dinheiro no Brasil e o dólar vai ficar mais barato.

Desta forma, entre os profissionais do mercado, segundo a Reuters, a moeda entre R$ 3,60 e R$ 3,70 seria um bom intervalo de preços para esse cenário principal imediato, com potencial adicional de queda com novidades que agradem o mercado, como a confirmação de que Ilan Goldfajn pode permanecer na presidência do Banco Central, cargo que ocupa desde junho de 2016.

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 recuou de R$ 3,75 para R$ 3,71 por dólar, segundo previsão de economistas de instituições financeiras divulgada pelo boletim de mercado, também conhecido como relatório “Focus”. Para o fechamento de 2019, permaneceu estável em R$ 3,80 por dólar.

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