BNDES reduz presença, mas empresários estão otimistas

Os desembolsos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Estado de São Paulo caíram 34% neste ano, mas os empresários da região estão otimistas com a oferta de crédito nos próximos meses.

Ao DCI, representantes de diferentes setores disseram que, com o fim do processo eleitoral, a tendência é que a disponibilidade de recursos cresça em território paulista.

“Como há uma maior clareza sobre o programa econômico que será implementado, a confiança dos empresários e dos bancos cresce, o que favorece o mercado de crédito”, afirma Fabio Pina, assessor econômico da FecomercioSP.
Segundo ele, os empréstimos já estavam em alta mesmo antes da escolha do novo presidente. “Vemos, em 2018, uma alta de 10% do crédito, o que ainda é pouco, mas dá uma boa ajuda ao setor comercial.”

A redução do desemprego, ainda que pequena, também favorece os desembolsos na região, diz o entrevistado. “Existe uma perspectiva de melhora da renda e de diminuição da inadimplência, o que facilita a liberação de crédito.”
Mesmo com a tendência favorável, a situação dos empresários continua difícil – especialmente o caso daqueles que possuem negócios de menor porte. De acordo com o Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), a maior parte dos empreendedores do setor não teve sucesso ao procurar crédito no mês de outubro.

Mudança no mercado

A perspectiva de avanço dos empréstimos não inclui, necessariamente, uma atuação mais intensa do BNDES. Na opinião dos especialistas, a tendência é que as agências regionais e os bancos privados ganhem espaço nos próximos meses.
Entre as alternativas locais, tem destaque a Desenvolve SP, braço de fomento do governo estadual. No terceiro trimestre deste ano, os financiamentos da agência para empresas de pequeno e médio porte cresceram 26% na comparação com 2017, para R$ 128 milhões. O valor é pequeno, contudo, para compensar o recuo da maior instituição desse tipo no País.

Entre janeiro e setembro, o Estado de São Paulo recebeu do BNDES R$ 10,108 bilhões, o menor valor para o período desde 2001. Para efeito de comparação, os desembolsos alcançaram R$ 45,994 bilhões em 2010, pico do apoio do banco de fomento ao maior estado do País.

Em nota, a Desenvolve SP afirmou que “vem registrando um aumento gradativo no volume de financiamentos”. Segundo a agência, esses recursos estão “atendendo, principalmente, demandas voltadas para formação bruta de capital fixo”.
Os entrevistados ponderam, no entanto, que o otimismo pode acabar rapidamente, caso o presidente eleito não consiga ir adiante com o programa econômico anunciado. “O governo terá que fazer jus a essa melhora da confiança. Se as reformas travarem, o crédito vai parar de crescer rapidamente”, afirma Pina, da FecomercioSP.

Segmentos mais apoiados

O setor paulista que mais recebeu recursos do BNDES, entre janeiro e setembro, foi a indústria, destino de R$ 4,381 bilhões, uma queda de 1,3% ante igual período de 2017. Já o ramo de infraestrutura recebeu R$ 2,844 bilhões (-42%), comércio e serviços captaram R$ 2,046 bilhões (-53,8%) e a agropecuária obteve R$ 837 milhões (-45,6%).

Fonte: DCI
Data: 12/11/2018

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