ENTREVISTA: Início da construção da linha 18-Bronze do ABC deve ficar para 2020 e governo considera outros modais que não sejam monotrilho

Promessa para melhorar parte da mobilidade do ABC Paulista, a linha 18-Bronze vai demorar mais um ano para sair do papel, ao menos.

Na manhã desta segunda-feira, 04 de fevereiro de 2019, o secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, informou aos portais especializados em mobilidade, Diário do Transporte e Via Trólebus, que os decretos que declararam de utilidade públicas as áreas que seriam desapropriadas para a construção das estações e das vigas do monotrilho venceram e que, por causa disso, o início da construção de linha não deve ficar para este ano.

“Na realidade, não houve outros projetos até o momento para a linha 18. Foram determinados estudos pelo governador João Doria pela impossibilidade do início da linha 18 pelo fato da caducidade do DUP [decreto de utilidade pública] – decreto de desapropriação. O decreto de utilidade pública [das áreas para desapropriação] tem um prazo para ser utilizado. São cinco anos. Esse decreto caducou e nós não poderemos iniciar a linha 18 até o final do ano de 2019 pela caducidade.” – disse Baldy.

A promessa inicial é de que a linha 18 seria um monotrilho que deveria estar em funcionamento entre 2014 e 2015. Mas nenhuma viga sequer foi erguida e, segundo as declarações do secretário, outras possibilidades de transportes podem ser consideradas para a ligação, como um BRT – Bus Rapid Transit, que é um corredor de ônibus com maior capacidade e velocidade que um corredor comum de ônibus.

“É um desafio que nós temos, por isso que o governador João Doria nos determinou que buscássemos alternativas, a fim de que nós possamos atender a população da região do ABC. A linha 18 é fundamental, ou se permanecer no projeto como estavam aguardando é claro a possibilidade de retomada deste novo DUP [decreto de utilidade pública] que poderá ser exercitado do final deste ano para o início do próximo, buscar estas essas alternativas como o BRT [Bus Rapid Transit] ou outro modelo para que poderíamos vetar essa caducidade ou o projeto existente”

Em entrevista ao Diário do Transporte no final do ano passado sobre o tema, o arquiteto, urbanista e consultor em trânsito e transporte público, Flamínio Fichmann, afirmou que a ligação proposta para a linha 18 poderia abrigar meios de transportes com capacidade semelhante ao monotrilho, mas com custo e tempo de implantação menores, como corredores de ônibus rápidos, os BRTs.

“Não tem a menor justificativa para a [linha 18] ser obrigatoriamente de monotrilho. Pode ser outro modal como o BRT [Bus Rapid Transit – ônibus de trânsito rápido]. Poderia implicar em um ou outro trecho em desapropriações, porém a velocidade de implantação [do BRT] é muito maior e o custo é inferior. Infelizmente aqui em São Paulo agente está tendo uma péssima experiência com a implantação dos monotrilhos. As demais linhas do monotrilho não têm cumprido o cronograma de implantação que havia sido previsto pelo Governo do Estado e em alguns trechos está abandonado.”– constatou.

A linha 18-Bronze deve ter 15,7 quilômetros de extensão, partindo de São Bernardo do Campo, passando por Santo André e São Caetano do Sul, até a Estação Tamanduateí, na Capital Paulista, onde deve fazer integração com a linha 10-Turquesa (Brás-Rio Grande da Serra) da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e a linha 2- Verde (Vila Madalena-Vila Prudente) do Metrô.

Em 2014, o monotrilho da linha 18-Bronze tinha uma previsão de consumir R$ 4,69 bilhões (R$ 4.699.274.000,00) para ficar pronto. O valor, de acordo com a atualização do orçamento pelo Governo do Estado, pulou para R$ 5,74 bilhões (R$ 5.741.542.942,61), elevação de 22,18%.

Isso significa que cada quilômetro do monotrilho do ABC custaria, se saísse hoje do papel, R$ 365,7 milhões (R$ 365.703.372,14).

A demanda projetada pelo Governo do Estado para o monotrilho com toda a extensão concluída é de em torno de 340 mil passageiros por dia.

Desde 2015, o Governo do Estado tenta, mas não consegue aval da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), órgão colegiado do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, para obter dinheiro no exterior. O aval é necessário porque em caso de operações externas, o Governo Federal atuaria como uma espécie de fiador do negócio. Se São Paulo não pagasse, a conta iria para a União. Mas o Estado, na ocasião tinha um índice de risco de inadimplência, na visão da Cofiex, alto e a classificação de crédito era C-.

Fonte: Diário do Transporte

Data: 04/02/2019



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