Acidente na linha 17-Ouro do Monotrilho causa morte de operário

Foto: Adamo Bazani

Funcionário faleceu no início desta tarde. Ele trabalhava para a empresa Tiisa Triunfo, contratada para realizar as obras

ALEXANDRE PELEGI

Um operário da empresa contratada para as obras do Monotrilho da Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo, Tiisa Triunfo, faleceu vitimado por um acidente ocorrido nesta terça-feira, 26 de fevereiro de 2019.

Informações da Companhia, citadas pelo portal R7, dão conta de que o acidente, na avenida Jornalista Roberto Marinho, zona sul de São Paulo, ocorreu entre 14h e 14h30.

Segundo a reportagem do R7, o consórcio Tiisa Triunfo ainda não se pronunciou.

Este não é o primeiro acidente na obra. Em junho de 2016 a queda de uma viga na Avenida Washington Luís matou o operário Juraci Cunha dos Santos, que trabalhava no canteiro, e deixou outras duas pessoas feridas.

PROMESSA PARA 2020

As obras do Monotrilho da Linha 17-Ouro, em São Paulo, estão sob responsabilidade do  Consórcio Monotrilho Integração, formado pelas empresas CR Almeida, Andrade Gutierrez, Scomi (que desistiu da obra) e MPE. O grupo é responsável pela implantação de itens como vias, portas de plataformas, sistemas de sinalização, material rodante e CCO – Centro de Controle Operacional do trecho que vai das estações Jardim Aeroporto a Morumbi.

As obras estavam previstas para terminar em 2014, ano da Copa do Mundo, mas prosseguem até hoje.

Em meados de janeiro deste ano, o vice-governador Rodrigo Garcia, em entrevista à rádio Jovem Pan, garantiu que o Monotrilho da Linha 17-Ouro estará funcionando até o final de 2020. Relembre: Vice de Dória promete Monotrilho da Linha 17 até 2020

No dia 16 de fevereiro de 2019, em reportagem do Diário do Transporte realizada no canteiro de obras da estação Campo Belo, da Linha 5 Lilás de Metrô, o atual presidente da Companhia, Silvani Alves Pereira, disse que no próximo mês deve ser lançada uma licitação para o restante das intervenções do Monotrilho da Linha 17-Ouro, caso o consórcio responsável pela implantação da linha não sinalize o retorno aos trabalhos.

Sobre a linha 17, estamos tomando algumas decisões para que seja retomada de forma segura. Existe um consórcio que está cuidando de todo o processo de construção de via, material rodante [trens], sinalização e que não está conseguindo executar o que foi pactuado.  A decisão já é, caso o consórcio não solucionar nos próximos dez dias,  abrir um processo de licitação daquilo que falta até o final do mês de março. Tem um edital para a contratação de todos os serviços e agilizar a entrega da linha 17” – disse Silvani. Relembre: Estação Campo Belo da Linha 5 está 95% pronta e Metrô deve lançar licitação para concluir linha 17

HISTÓRICO

A linha 17 Ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi. O valor orçado em junho de 2010 era de R$ 2,64 bilhões, sem valores futuros referente aos reajustes contratuais, aditivos e novas contratações necessárias para implantação dos empreendimentos.

O custo então passou para R$ 3,17 bilhões – cifra que não inclui as estações previstas no primeiro trecho, com extensão de 7,7 quilômetros.

Em junho de 2018, o valor para conclusão das obras foi projetado em R$ 3.74 bilhões, com previsão para a entrega de oito estações até dezembro de 2019, o que pode ser reformulado com a eventual saída da Scomi.

O monotrilho não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas.

Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na futura estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo o site do próprio Metrô, quando estiver totalmente pronto, este sistema de monotrilho atenderá 417,5 mil passageiros por dia.

LAVA JATO

As empresas Andrade Gutierrez e CR Almeida foram envolvidas na Operação Lava Jato e atualmente enfrentam dificuldades financeiras. As duas entraram na Justiça para questionar uma dívida de R$ 11 milhões do Metrô.

O consórcio, que chegou a paralisar as obras, teve que retomá-las em agosto, após presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Manoel Queiroz Pereira Calças, determinar a retomada.

Relembre: Justiça determina retomada das obras do monotrilho da linha 17-Ouro

TRENS:

Um dos problemas sobre a linha 17 foi a sinalização da empresa da Malásia, Scomi, em abandonar o consórcio por problemas financeiros.  A empresa assinou contrato com o Metrô de São Paulo em 2013. Pelo contrato, deveria produzir 14 monotrilhos de cinco carros, mas até hoje nenhuma composição foi entregue devido o atraso na linha.

Quando a sinalização da empresa se tornou pública, o Metrô disse que a situação seria resolvida até o fim de novembro.

O impasse ainda não foi resolvido, mas o Diário do Transporte apurou que ao fornecimento de trens para a  linha despertou o interesse de outras empresas de segmentos ferroviários e de ônibus elétricos, mas ainda as negociações estão em curso. A informação mais recente é que a chinesa BYD deve assumir o lugar da Scomi, produzindo os trens para o modal

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Mais em https://diariodotransporte.com.br/2019/02/26/acidente-na-linha-17-ouro-do-monotrilho-causa-morte-de-operario/



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