A Ford apresentou na Fenatran a nova motorização preparada para funcionar com combustível B20 (diesel com adição de 20% de biodiesel), que passa a equipar todos os caminhões da linha Cargo 2014. Como se trata de um combustível limpo, o seu uso em motores diesel convencionais traz uma redução substancial no nível de monóxido de carbono e hidrocarbonetos não queimados em comparação com o diesel mineral.

“A possibilidade de abastecer o caminhão com combustíveis que tenham até 20% de biocombustível na mistura é mais avanço da linha Cargo. É uma opção ecológica que dá mais liberdade de escolha ao transportador”, diz Renato Souza, supervisor de Engenharia de Combustíveis da Ford caminhões. “Além disso, é um desenvolvimento que antecipa futuros requerimentos legais do setor.”

O estudo para aplicação do biodiesel B20 nos motores dos caminhões Cargo foi feito pela Ford em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Esse trabalho incluiu a pesquisa e desenvolvimento de novos materiais para os componentes do sistema de combustível, incluindo tanque e linha de combustível, conectores, sensores e filtro separador de água e óleo.

O biodiesel pode ser produzido a partir de óleos vegetais, como girassol, mamona, soja, babaçu e demais oleaginosas, ou gorduras animais, através de um processo químico que remove a glicerina do óleo. Por ser renovável, biodegradável, não tóxico e praticamente livre de enxofre e aromáticos, é considerado um combustível ecológico.

“O biodiesel também é perfeitamente miscível e físico-quimicamente semelhante ao óleo diesel mineral, o que permite seu uso em motores do ciclo diesel sem a necessidade de adaptações significativas”, explica Renato Souza. “Porém, por ter a característica de se oxidar muito rápido, produz uma acidez que pode atacar o sistema de combustível. Por isso, tivemos de desenvolver materiais resistentes a esse tipo de ataque.”

Outra característica do biodiesel é ser mais higroscópico – maior capacidade de absorção de água –, que o torna mais propenso à contaminação microbiótica. Por isso, também torna a vida dos filtros mais difícil, com saturação mais rápida e imprevisível. “Por isso, colocamos um sensor de restrição no filtro de combustível para avisar o cliente do momento da troca”, completa o engenheiro.

Misturas
O biodiesel pode ser usado puro ou em mistura com o óleo diesel em qualquer proporção. Quando misturado ao óleo diesel com ultrabaixo teor de enxofre, ele tem a vantagem de conferir a este melhores características de lubricidade. Por isso, é visto como uma alternativa excelente ao uso dos ésteres em adição de 5% a 8% para reconstituir essa lubricidade.

A nomenclatura B seguida de um número, que identifica a concentração de biodiesel na mistura, é usada mundialmente. A experiência de uso do biodiesel no mercado de combustíveis inclui quatro níveis de concentração: puro (B100), misturas (B20 – B30), aditivo (B5) e aditivo de lubricidade (B2). As misturas em proporções de 5% e 20% são as mais usuais, sendo que para a mistura B5 não é necessária nenhuma adaptação nos motores.